Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
...o riso que ninguém reteve num retrato
Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gin enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena
Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo
Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe
David Mourão-Ferreira


5 Comments:
O eterno saudoso DMF ...
“Se a gente não se cansa nunca de aprender. Sempre olhar como se fosse à primeira vez. Se espantar como criança a perguntar os porquês”.
Daqui, sempre saio a refletir
Be:)o
Ai Marta, Marta, Marta, do meu coração!
E chegou-se a este ponto!...
Trata-se, apenas, da mudança do tempo verbal.
Lindo, apenas um pouco DESVIRGULADO e a gente dansa no sentido das palavras que buscam arrumação na cortina do palco antes de entrar em cena...
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