segunda-feira, março 22
conta-me como foi...
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: José Cid, Músicas; blogs que leio
sexta-feira, março 19
Comunidade de Leitores
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: eventos
As raparigas amam muito.
As raparigas amam muito. Riem
atrás das mãos uma manhã inteira
para esconder o vermelho dos
beijos que alguém lhes roubou e
um nome que vão deixar escapar
entre as primeiras palavras que
disserem. Vestem do avesso os
aventais de chita e fazem o leite
sobrar do fervedor e o caldo ser
mais salgado do que o mar. Mas
é bonito vê-las caminhar descalças
ao longo do corredor, como se
pedissem um par para dançar. As
raparigas amam tanto. Sentam-se
em rodas de segredos uma tarde
inteira e esquecem no tanque os
colarinhos sujos das camisas, e os
cueiros, e uma barra de sabão a
derreter-se como o seu coração.
Mas é bonito vê-las beijar a boca
ao espelho no quarto das traseiras
e também a outra boca no retrato
que a seguir escondem amordaçado
na algibeira, não lhes cobice alguém
o que não tem. As raparigas amam
de mais. Deixam-se ficar sem dizer
nada uma noite inteira, bordando
no linho dos enxovais letras secretas
ao calor do fogão. E picam os dedos
distraídos nas agulhas que usaram
para descobrir o sexo de cada filho
que terão num jogo que jogaram
entre elas à tardinha. Mas é bonito
vê-las ao serão, quando o vento as
chama atrevido da cozinha e dão
um pulo seco na cadeira, e largam o
bordado e a lareira, e correm até à
porta a colher beijos que lhes deixam
risos nos lábios tão vermelhos como
as mais doces cerejas deste verão.
Maria do Rosário Pedreira in “Nenhum nome depois", edição da Gótica
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Maria do Rosário Pedreira
quinta-feira, março 18
Segunda infância
o dia começa e o corpo nos renasce
Regresso recém-nascido ao teu regaço
minha mais funda infância meu paul
Voltam de novo as folhas para as árvores
e nunca as lágrimas deixaram os olhos
Nem houve céus forrados sobre as horas
nem míseras ideias de cotim
despovoaram alegres tardes de pássaros
O sol continua a ser o único
acontecimento importante da rua
Eu passo mas não peço às árvores
coração para além dos frutos
Tu és ainda o maior dos mares
e embrulho-me na voz com que desdobras
o inumerável número dos dias
Ruy Belo , Obra Poética, vol. 1, Presença, Lisboa, 1981
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Poemas que sinto, Ruy Belo
vá lá...votem neste olhar
faltam 6 dias para a votação terminar! espreitem o blog da SONJA e, depois, verão que é impossível não votar no seu ...olhar...tão especial. AQUI.
IMAGEM: Sonja Valentina
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio
Pigmalião e Galateia

«O Teatro Oficina, em colaboração com o Centro de Computação Gráfica da Universidade do Minho, promove este projecto de criação, onde arte e ciência, teatro e tecnologia se unem para contar uma história, transformando a ficção científica de ontem no modo de representar hoje a realidade. Três cidades unem-se para contar uma história, onde recorrendo à literatura que construiu a civilização que somos hoje, fazemos um texto novo, que fala exactamente daquilo que nos interessa no teatro, a criação do humano.
Este espectáculo é uma variação sobre a história de Pigmalião e Galateia, contada pelo Ovídio nas “Metamorfoses”: o escultor solitário e esteta que constrói uma estátua da mulher perfeita, se apaixona por ela, e a vê depois transformada numa mulher real. Através do mito de Pigmalião é explorada a ideia da “invenção do feminino”. Partindo-se do Ovídio, e das várias traduções portuguesas e estrangeiras, fazendo da estátua um programa de computador e da Galateia um holograma. Já com Galateia materializada em pessoa, contesta-se a ideia de “mulher perfeita” perguntando-se porque é que a mulher há-de continuar a ser “inventada” pelo homem, em vez de ter o mesmo grau de realidade do homem. Do lirismo da homenagem ao mito, se caminhará para a crítica e ironia.»
Texto: Pedro Mexia Encenação: Marcos Barbosa Cenografia: Ricardo Preto Figurinos: Susana Abreu Desenho de luz: Pedro Carvalho Som e música: Sérgio Delgado Elenco: Diana Sá e Emílio Gomes Produção executiva: Teatro Oficina
A ver no Theatro Circo, em Braga. Hoje, amanhã e depois. Mais informação AQUI.
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: teatro
quarta-feira, março 17
Quem pagará o enterro e as flores...
Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?
O filme de Miguel Faria Jr. é apresentado, hoje, na FNAC de Santa Catarina e no próximo dia 24 na do Gaia Shopping.
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Poema para Galileu
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!
Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.
Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.
António Gedeão
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: António Gedeão, poemas
Sidereus Nuncius
Mais aqui.
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
terça-feira, março 16
Um livro para Vila D´Este
Faculdade de Direito da Universidade do Porto;
Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Instituto Politécnico do Porto;
CPipp - Casa do Pessoal do Instituto Politécnico do Porto;
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto;
Contrato de Desenvolvimento Social de V N Gaia: AGIR XXI;
ver reportagem aqui.
Para mais informações contactar directamente o AGIRXXI através do número de telefone 227843295 ou através do e-mail: agirxxi@gmail.com.Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: campanhas de sensibilização
segunda-feira, março 15
O dia estava acabado.
É que aquele que se prende
É quem nos prende a nós»
Gustavo Matos Sequeira in Bocage
O dia estava acabado. Ao menos para aquela gente. Ao seu sinal de arrastar a cadeira tinham-se levantado, os apetrechos sumptuários já arrumados nas pastas, nas carteiras de marca enormes das mulheres, para todo o serviço. Alguns, em desfastio subreptício, guardavam a esferográfica posta à disposição, as folhas A quatro virgens de notas e rabiscos, com o timbre da casa. A fadiga, o alívio. A reunião correra muito bem. As congratulações finais. A repugnância.
Diante do espelho enche a concha das mãos de água fria. Passa a cara, a água gelada dos canos desliza pelo interior dos punhos aos pulsos. O arrepio passa ànuca, às espáduas. Olha-se, vê-se. As bolsas do desgaste, a cara sem decifração possível ainda afivelada. O sangue sobe ao estímulo do frio. Remoça em segundos para aparar a noite. A bela feição a cinzel. Nada mudou no espelho da emanação dos balneários, dos sanitários de liceu, de hotéis e casas. Nada. Dorian Gray ao invés. O olhar fixo que ainda transtornava os lugares públicos, passeado, fixo e solto. A avaliação que demite, o desprezo.
Enxuga a cara. Um rubor de pedra nos malares. As pessoas são escolhidas pelo que têm, não pelo que lhes falta. Lei da selva? Exactamente. Incompetentes, obtusos, cães da intriga uns dos outros, da sua. A figura no espelho encolhe os ombros, arremeda-o num esgar a reaver a lassidão da pele enxuta. Penteia-se, acha-se bem naquele rosto que vem da terra. Da terra, dissera-lhe o amigo há tantos anos. Da terra, como um usurpador a cavalo, com esses olhos mongóis. A guinada na memória afasta-o do espelho.
A reunião correra bem. Iam satisfeitos consigo, coniventes com ele até à próxima intriga, aos vapores da cobiça e da intriga apaixonada em todos os escalões. Aquela gente não tinha vida própria sem noticiar-se, sem denunciar-se. O trabalho não era conseguir, era resultar contra alguém. E ele, onde chegara e porquê, o afecto, todo o afecto coarctado. Temido sem estima, informado a medo, arredio à convivialidade e à delação. O cargo. Exactamente. Uma carreira temível, escolhido sempre mais alto em momentos de risco, não dê fraqueza. Quando se requeria uma testa de ferro. Riu-se sozinho, que era como se ria, lembrando-se da mulher que já não tinha, que nunca quisera ter. Objectos que não consumia, não consumira ninguém. Retirava, sem desejo na alma, um mínimo. Os outros impacientavam-no, e as emoções.
No elevador os espelhos já foram como se não existissem. Pelo palácio quase vazio onde não fez som, os funcionários menores levantaram-se à sua passagem. Eram os únicos que pareciam agradecidos da sua brusquidão, que lhes enformava as vidas num sem sobressalto: sem afabilidade e sem destemperos. Sem favor, nem desfavor.
Despediu o motorista que aprendera a colocar as feições pelo seu registo. Aprendera, há muito, com as passagens de mão. Cada um e o tudo o que se ouve uma lição de impassibilidade e mutismo.
A noite estava de uma grande frialdade enevoada, sem chuva. Levantou a gola do sobretudo e não estugou o passo sobre o lajedo do grande átrio aberto, a praça lúgubre. Deixara a pasta para seguir de madrugada. Estava uma noite de desafios parados, sereníssima, as núvens de bafo a acompanharem-lhe a cabeça.
O homem caminha, cisma e olha. É assim que pensa, pondera, vê, em passos que não se ouvem. Não há vivalma, ouve-se o tráfego ao longe. Uma rata soergue-se na sarjeta próxima. As guias finas brilham auscultando o ar sem aragem. Retoma o seu que fazer. Reconhece, nas vibrissas, o que nele vibra, frio e cauto. Igual para igual. Macio, as patas frias. Medonho para quem não for dessa espécie, dessa variante. O homem avança para a outra praça que tem uma torre que sai do solo. Como é seguro o sereno. Na boca da noite o homem acha os lugares que fazem o sereno e lhe convem.
Helena pode estar lá, detrás da torre, é um dos lugares onde se arrima. Não hoje. O homem refaz o caminho de regresso, lento, sem busca, às luzes da cidade, por outra trajectória possível nas rotinas da hora parada.
Helena está sentada no banco do espaço arborizado que confina com a fachada iluminada do palácio, a sul-poente. Da fachada com as altas janelas e portadas entaipadas que dão para o nada, dos debruns altíssimos das salas e quartos de que só resta uma quarta parede, as chagas das obras incompletas há décadas. Iluminada ao alto, a bela ruína, mas não o banco de pedra onde está Helena, à sombra dos eucaliptos já idosos, os sós eucaliptos daquele lugar de passagem ermo, eucaliptos e detritos e escaras de estuque arcaico do palácio contíguo, com as suas arcadas cegas.
Ai, diz Helena, hoje vem mais tardio, doutor. Não épetulante, Helena, nem popular no dizer. Mais parece suspiro de mágoa mundana, a frase feita. O homem senta-se ao lado dela, as mãos nos bolsos com os polegares agarrados nos punhos. Não se enfrentam, mas ele vê com o horror crescente de todas as vezes o que ela traz vestido: um casacão roto que decerto pertenceu a homem ou a mulher alentada, uma camisa de noite de flanela com motivos infantis que lhe tapa os joelhos. Numa das pernas tem uma ligadura suja, enrodilhada já. Nos pés, as botinas cambadas deste Inverno, peúgas de lã descaídas.
Não é um jardim, não é uma alameda, não há passantes. [...]
Maria Velho da Costa, in Vozes e Olhares no Feminino
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Maria Velho da Costa
O mar que a gente faz
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: João Negreiros
Pássaros de Pangim
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: musicas que ouço, Rodrigo Leão
Troque de agenda! Por uma boa causa.
eu sou daquelas pessoas antigas que não funcionam sem agenda de papel. agora tenho duas. a que comprei em 2009 para 2010 e a que comprei em 2010 para 2010. por uma boa causa. claro.
pelo ANO EUROPEU DE DO COMBATE À POBREZA E À EXCLUSÃO SOCIAL. e porque tem fotografias de fotógrafos portugueses sobre o tema e porque o design é da Mariana Mattos e porque a agenda é muito mais do que uma agenda. mais aqui. e aqui.
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: campanhas de sensibilização
sexta-feira, março 12
quinta-feira, março 11
Um pai em nascimento
José Eduardo Agualusa está, hoje, às 21.30, na Biblioteca do Palácio de Cristal :)
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: eventos, José Eduardo Agualusa, livros
terça-feira, março 9
tia dinossauro
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: os meus sobrinhos são geniais
segunda-feira, março 8
Antes de ser Feliz I
Isso agora não interessa. Ela contava que vivia perto do cemitério, mesmo ali à beira dos mortos, do cheiro das flores das senhoras que fazem o favor de manter esse negócio, do barulho do portão de ferro que rangia, gemia e chorava sempre que entrava mais um carro funerário. A morte era um ritual normal na vida da minha professora. Do que ela mais gostava era de observar o cemitério à noite. Tinha um fascínio enorme por aquilo e fazia apostas.
Há quem olhe para o céu à espera de uma estrela cadente, ardentemente à espera de pedir um desejo, condensar naquele rasgo luminoso, em queda livre, todas as esperanças de uma vida. Carminda preferia olhar para o cemitério e perceber onde estavam os mortos novos
pelos gases que passeavam no ar, como uma última manifestação dos corpos que partiam.
A mãe dizia-lhe que tinha demasiada imaginação.
Carminda jurava o conto do coveiro como verdadeiro:os gases eram como as almas a ir para o céu, devagar, a libertarem-se dos cadáveres e ela gostava de os ver, a desfazerem-se no negro da noite, contra a parca iluminação dos candeeiros velhos, de ferro antigo e ruidoso, que compunham o cenário do cemitério.
Eu gosto de pensar que morreu ali, na Póvoa, a olhar as almas gaseadas enquanto atormentava uma prol de netos que reviravam os olhos de cansaço por ser sempre a mesma história.
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Patricia Reis
STOUT is out
...a petição está aqui. para quem a quiser assinar.
mas a cerveja preta é a minha preferida. ah pois é.
...o que me aborrece é a falta de criatividade. uma enorme falta de criatividade.
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Publicidade
Há tertúlia... no Piolho
«A Provedoria dos Cidadãos com Deficiência em colaboração com Reitoria da Universidade do Porto e o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, inicia na próxima segunda-feira, dia 8 de Março, uma série de Tertúlias sobre a Cidadania de Todos e a República». Dia 8 de Março, a Tertúlia terá lugar no Café Piolho, no Porto, às 18.30 horas.
O tema “As Ideias Republicanas e o seu Impacto nos Direitos das Mulheres” será apresentado por Beatriz Pacheco Pereira e por Lia Ferreira.
Notícia retirada daqui.
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: eventos
sexta-feira, março 5
Hoje, nas livrarias
o Outono visto pela janela
na casa onde nasci havia sons e cheiros meus
as pessoas que os tinham emprestavam-mos à memória
e eu incluía-os como amigos íntimos
nesta não tem gente
ou se tem não têm cheiro
nem som porque eu não me lembro
gastei toda a memória nas pessoas antigas
e o espaço para as novas é um T1 que fica muito para além do T
onde eu estou sem visitas
fechado à medida de não deixar entrar
preciso do que já foi como do próximo ar para me lembrar que foi bom
eu já fui bom
agora não sei
mas já fui
juro que fui
e quero gastar as únicas energias a fazer manutenção às memórias
p’ra que nenhuma se perca
era pena
é que até a gente que me fez por dentro como a um cofre já não existe
e quero mantê-los ligados à máquina para sempre
e a máquina sou eu
e para sempre sou eu
anda
aconchega-te no mofo do T1
finge que és de antigamente para te dar os beijinhos de quando era pequenino
cheiras à minha avó
à roupa no estendal
à canção do fim dos bonecos
ao banho que está a ficar frio
ao grito do granizo do dia mais longo em que a casa esteve para cair
tu cheiras e sabes ao dia em que a casa esteve para cair
que foi no mesmo dia em que resistiu
como se estivesse ali desde o início dos tempos
e os tivesse começado para eu os acabar
acabar
acabar
acaba comigo que me falha a lembrança
e restas-me como a folha que esteve para cair
e que só não caiu porque o mundo acabou antes do Outono
João Negreiros in a verdade dói e pode estar errada
Colecção Camões & Companhia da Saída de Emergência
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, João Negreiros
Lenha
[...o que quer que eu diga você não vai entender...]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: musicas que ouço, Zeca Baleiro
quarta-feira, março 3
amanhã, no FANTASPORTO, "os esquecidos"
Pedro Neves, jornalista e documentarista
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: fantasporto, filmes
terça-feira, março 2
Indignados com a pobreza
retirado daqui, do blog da Amnistia Internacional.
e, já agora, assine aqui, a petição nacional "ACABAR COM A POBREZA JÁ".
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: políticas sociais
outro café. o mesmo actor.
não pensem que é só o spot publicitário. Há 3 opções... e pronto... ELE é incontornável... pois é. quanto ao café... prefiro outro. este é muito asséptico... e tem um clube e as pessoas fazem fila para o comprar...enfim. coisas minhas. já o George, a história é outra ;) AQUI.
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
segunda-feira, março 1
+ /- Fixação Proíbida
«Paredes que falam connosco! Cartazes,
stencils e tantas mensagens mais ou menos discretas.
Alguém procura um percurso nessas mensagens.
Envolta de histórias, observa.
É fascinante a pulsação nas paredes frias.
Trovadorescas provas de amor gravadas no corpo da cidade.
Tornam-se nossas. Fazem-nos testemunhas dessa intimidade pública.
Manuela Pimentel traz-nos essas mensagens. Mas traz-nos também a "revolta dos azulejos". Desta vez são os azulejos tradicionais portugueses que se impõem aos cartazes de rua.
Mais ou menos...fixação proíbida!»
Exposição de Manuela Pimentel, na GALERIA JORGE SHIRLEY, Rua Escola Politécnica, 21-23, em Lisboa
imagem: Manuela Pimentel
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: artes plásticas, eventos
sexta-feira, fevereiro 26
Ayer te besé en los labios...
Te besé en los labios. Densos,
rojos. Fue un beso tan corto,
que duró más que un relámpago,
que un milagro, más. El tiempo
después de dártelo
no lo quise para nada ya,
para nada
lo había querido antes.
Se empezó, se acabó en él.
Hoy estoy besando un beso;
estoy solo con mis labios.
Los pongo
no en tu boca, no, ya no...
-¿Adónde se me ha escapado?-.
Los pongo
en el beso que te di
ayer, en las bocas juntas
del beso que se besaron.
Y dura este beso más
que el silencio, que la luz.
Porque ya no es una carne
ni una boca lo que beso,
que se escapa, que me huye.
No.
Te estoy besando más lejos.
Pedro Salinas
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Pedro Salinas, poemas
quarta-feira, fevereiro 24
parabéns, querida Marta
Escrito/editado por Marta 15 Terráqueos
Etiquetas: amigos, amor, aniversários, familia
Paciência
eu sei que está no YouTube mas eu roubei-a aqui.
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Músicas que ouço
O meu quero-o nuvem
No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade.
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeirissímo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comercia palavra, em negoceio de sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre o abismo. Falar é outra coisa vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra e me divinizei. Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada
Lembro desse encontro, dessa primogénita primeira vez. Como se aquele momento fosse, afinal toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por a parava. A brisa sem voar, quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. O último escapava entre os seus dedos. Não levava o cigarro à boca. Em seu parado gesto, o tabaco aí mesmo se consumia.
Ele gostava assim: a inteira cinza tombando intacta no chão. Pois eu tombei igualzinha àquela cinza. Desabei inteira sob o corpo dele Depois, me desfiz em poeira, toda estrelada no chão. As mãos dele: o vento espalhando cinzas.
Nesse mesmo pátio em que se estreava me coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher havendo Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo, que nossa rotina deixara crescer e pesar. Ele se chegou me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.
Era essa tarde, já descaída em escuro. Ressalvo. Diz-se que a tarde cai. Diz-se que a noite também cai. Mas eu encontro o contrário: a manhã é que cai. por um cansaço de luz, um suicídio da sombra. Lhe explico. São três os bichos que o tempo tem: manhã, tarde e noite. A noite é quem tem asas. Mas são asas de avestruz. Porque a noite as usa fechadas, ao serviço de nada. A tarde é a felina criatura. Espreguiçando, mandriosa, inventadora de sombras. A manhã, essa, é um caracol, em adolescente espiral. Sobe pelos muros, desenrodilha-se vagarosa. E tomba, no desamparo do meio-dia.
Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo reflectida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora, distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos, tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida. Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu amor.
Assim, ele virá para renovar despedidas. Quando a lágrima escorrer no meu rosto eu a sorverei, como quem bebe o tempo. Essa água é, agora, meu único alimento. Meu último alento. Já não tenho mais desse amor que a sua própria conclusão. Como quem tem um corpo apenas pela ferida de o perder. Por isso, refaço a despedida. Seja esse o modo de o meu amor se fazer eternamente nosso.
Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.
Mia Couto, in O Fio das Missangas
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Mia Couto
terça-feira, fevereiro 23
é já amanhã
«Isabel Alçada, Ministra da Educação, irá proferir a Conferência de Abertura do Correntes d’Escritas, tendo escolhido o tema “Leitura, Escrita e Educação”. Esta foi uma das novidades desvendadas hoje na apresentação do programa do Encontro de Escritores de Expressão Ibérica que decorrerá na Póvoa de Varzim de 24 a 27 de Fevereiro.»
« [...] traz 66 escritores provenientes do Brasil, de Moçambique, de Cabo Verde, do México, da Colômbia, de França, de Espanha, de Angola, do Uruguai, da Argentina e, claro, de Portugal. »
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, eventos
Cinema e Psicanálise: imagens reversíveis
Pela sua natureza (imagem em movimento ) e pela sua estranheza (diluição das fronteiras entre o real e o imaginário), o Cinema revela-nos, de sessão para sessão, um mistério cheio de jogos de luz e sombra. Tal como o inconsciente. Conceitos fundamentais da construção freudiana, como prazer, realidade, conflito e representação, encontram não raras vezes uma réplica no trabalho cinematográfico. Esta perspectiva acolhe um diálogo com a tripartição das séries freudianas elaborada pelo filósofo Paulo Tunhas num texto recente, onde defende que “a própria natureza profunda da psique, e o pensamento que nela se desenrola, por mais originários que sejam só são pensáveis a partir dos critérios do pensamento vigil, isto é, do pensamento que, à partida, reconhece já o princípio da realidade”.
Num mundo feito de imagens reversíveis, reconhecidas como tal em função do princípio da realidade, construído a partir de afectos e sofrimentos, existem planos e fotogramas de incalculável valor simbólico. Trata-se agora de saber como se podem guardar.
Este curso procura, ao longo de dez módulos, pretende acompanhar alguns desenvolvimentos da relação entre filmes e olhares, uns e outros pontuados por ideias nucleares da Psicanálise.
A filmografia constitui apenas uma hipótese entre outras de filmes que reflectem ou testemunham as questões psicanalíticas formuladas em cada uma das sessões, centra-se fundamentalmente em obras clássicas, pode naturalmente ser ampliada e reflecte um gosto pessoal.»
[09 Mar - 18 Mai 2010 - das 21:30 às 23:30 - Terças - BIBLIOTECA DE SERRALVES]
Concepção: Eduardo Paz Barroso
Orientação: Maria de Fátima Cabral e Eduardo Paz Barroso
Moderação: Rui Mota Cardoso
Inscrições AQUI
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
segunda-feira, fevereiro 22
O corpo não espera.
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
Jorge de Sena
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Desenhos; Leila Pugnaloni, Jorge de Sena
deixa-te ficar em minha casa
Tenho livros e papeis espalhados pelo chão
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista, um sinal de qualquer recordação
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido
Guardo na palma da mão o calor dos objectos
Com as datas e locais. Porque brincas, porque ris.
E depois o arrepio: a memória dos afectos
Que me deixa mais feliz
Deixa-te ficar na minha casa
Há janelas que tu não abriste
O luar espera por ti quando for a maré-vasa
Ainda tens que me dizer porque é que nunca partiste
[...]
João Monge/João Gil
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Filarmónica do Gil, Músicas que ouço
quinta-feira, fevereiro 18
no ruído do meu silêncio
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
Etiquetas: Pedro Faria Lopes, Poemas que sinto
segunda-feira, fevereiro 15
ouvi dizer
A cidade esta deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: Músicas que ouço
Mínimo Ajuste
agora, também estou aqui. obrigada pelo convite. é uma honra integerar esta equipa.estimados visitantes apresento-vos o MÍNIMO AJUSTE
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: blogs
quarta-feira, fevereiro 10
felicidade é...
...felicidade é: reencontrar uma amiga dos tempos do liceu... e saber que vamos conversar como se estivessemos no intervalo e...e nunca mais tocasse para dentro ...
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
terça-feira, fevereiro 9
eu, por mim [um dia]
agora, com trinta e poucos anos, percebo que estar contente e estar feliz, não são a mesma coisa. percebo também a importância que dou à tristeza genuína e vou compreendendo, cada vez com mais clareza, porque é que as pessoas são tão importantes na minha vida.
as pessoas e os afectos. que são a mesma coisa.
queria ter sido bailarina como tantas outras meninas.
mas sou professora e mais não sei o quê.
gosto de ler. muito de ler. e o silêncio é fundamental na minha vida. cada vez mais.
gosto de música mas não consigo ler e ouvir música ao mesmo tempo. ou bem que leio ou bem que ouço música. ao mesmo tempo, só consigo amar as pessoas. e cozinhar e, por exemplo, ao mesmo tempo, tirar a roupa do estendal.
não há assim muito mais coisas que consiga fazer ao mesmo tempo.
e por falar em tempo. o tempo é algo que me comove. as rugas da minha mãe comovem-me. de tão lindas que são.
o sorriso da minha mãe não seria tão terno sem as rugas à volta dos olhos.
não percebo como há operações para tirar rugas.
mas eu também não percebo imensas coisas.
as manchas castanhas pequeninas nas mãos da minha avó comovem-me.
as crianças a crescer, comovem-me.
a vida a tornar-se recordação comove-me.
é o tempo a comover-me.
os meus amigos comovem-me.
e eu até nem sou de me comover.
mas quando, na primavera, os pessegueiros começam a florir sinto uma felicidade imensa. e quando no outono a paisagem aquece eu sinto-me numa casa enorme de paredes altas vermelhas e amarelas. só minhas. a escutarem-me.
e corro. corro nos campos, como nos corredores. mas corro como as borboletas.
no verão gosto de ir à praia. desde que deixei de fazer castelos com convicção, deixei também de gostar de areia. mas não vivo sem o mar aos pés.
gosto do mar da minha esplanada e gosto do fundo do mar.
acredito em sereias. interrogo-me vezes sem conta:
as estrelas do mar sonham o mesmo que as estrelas do céu?
às vezes penso que não. são universos diferentes.
a matéria onírica não é a mesma. são signos diferentes.
outras vezes penso que sim. exactamente por serem universos diferentes.
gosto muito de viajar. e em todas as viagens olho para o céu. e penso sempre a mesma coisa banal. não fosse babel as fronteiras não fariam sentido.
e não fazem.
e sempre que posso vou ao fundo do mar.
posso parecer, mas não sou distraída.
não há sonho nenhum que me passe ao lado.
quando for sénior gostava de ter uma boa colecção de dias inteiros felizes.
e não ter alzheimer para me poder recordar de tudo. e de todos.
e ter netos para lhes poder contar histórias verdadeiras e inventadas.
quero morrer muito velha. muito sábia. e feliz.
e com rugas serenas à volta dos olhos.
Escrito/editado por Marta 17 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar (2007)
segunda-feira, fevereiro 8
Mãos Dadas
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: Carlos Drummond de Andrade, Escritores, Poemas que sinto
insensatez
exposição de pintura da Rosa Maria. na Galeria Soledade Malvar, em Vila Nova de Famalicão. até 19 de Fevereiro. bem dita insensatez. Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, pintura
era uma vez uma mulher
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: estórias









































