segunda-feira, fevereiro 22

para a Sonja

[querida Sonja, obrigada pela gargalhada! são todos para ti. depois, ensinas-me. combinado?]

deixa-te ficar em minha casa




Tenho livros e papeis espalhados pelo chão

A poeira de uma vida deve ter algum sentido

Uma pista, um sinal de qualquer recordação

Uma frase onde te encontre e me deixe comovido



Guardo na palma da mão o calor dos objectos

Com as datas e locais. Porque brincas, porque ris.

E depois o arrepio: a memória dos afectos

Que me deixa mais feliz



Deixa-te ficar na minha casa

Há janelas que tu não abriste

O luar espera por ti quando for a maré-vasa

Ainda tens que me dizer porque é que nunca partiste

[...]

João Monge/João Gil

quinta-feira, fevereiro 18

no ruído do meu silêncio


no ruído do meu silêncio não me perco, traço pontos entre linhas imaginárias, os pontos reais , os pensamentos incorpóreos, e entre um ponto e outro anoto as variantes de silêncio que percebo:

o silêncio do vento parado, o silêncio do ar respirado, o silêncio do meu coração, o silêncio da minha alma


custa-me mais ouvir a alma, esse silêncio que toco de uma a outra

letra à música que faço no silêncio que afogo


há silêncios tão longos como uma noite longe
imagem: [não sei]

segunda-feira, fevereiro 15

ouvi dizer

[...]
A cidade esta deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura

Mínimo Ajuste

agora, também estou aqui. obrigada pelo convite. é uma honra integerar esta equipa.
estimados visitantes apresento-vos o MÍNIMO AJUSTE

quarta-feira, fevereiro 10

felicidade é...

...felicidade é: reencontrar uma amiga dos tempos do liceu... e saber que vamos conversar como se estivessemos no intervalo e...e nunca mais tocasse para dentro ...

e muitas coisas. muitas. :)
imagem: limpid

terça-feira, fevereiro 9

eu, por mim [um dia]


lembro-me de ter nascido triste. depois, fui crescendo e tendo acesso a pequenas felicidades até ter experimentado, já adulta, um dia inteiro feliz.
agora, com trinta e poucos anos, percebo que estar contente e estar feliz, não são a mesma coisa. percebo também a importância que dou à tristeza genuína e vou compreendendo, cada vez com mais clareza, porque é que as pessoas são tão importantes na minha vida.
as pessoas e os afectos. que são a mesma coisa.
queria ter sido bailarina como tantas outras meninas.
mas sou professora e mais não sei o quê.
gosto de ler. muito de ler. e o silêncio é fundamental na minha vida. cada vez mais.
gosto de música mas não consigo ler e ouvir música ao mesmo tempo. ou bem que leio ou bem que ouço música. ao mesmo tempo, só consigo amar as pessoas. e cozinhar e, por exemplo, ao mesmo tempo, tirar a roupa do estendal.
não há assim muito mais coisas que consiga fazer ao mesmo tempo.
e por falar em tempo. o tempo é algo que me comove. as rugas da minha mãe comovem-me. de tão lindas que são.
o sorriso da minha mãe não seria tão terno sem as rugas à volta dos olhos.
não percebo como há operações para tirar rugas.
mas eu também não percebo imensas coisas.
as manchas castanhas pequeninas nas mãos da minha avó comovem-me.
as crianças a crescer, comovem-me.
a vida a tornar-se recordação comove-me.
é o tempo a comover-me.
os meus amigos comovem-me.
e eu até nem sou de me comover.
mas quando, na primavera, os pessegueiros começam a florir sinto uma felicidade imensa. e quando no outono a paisagem aquece eu sinto-me numa casa enorme de paredes altas vermelhas e amarelas. só minhas. a escutarem-me.
e corro. corro nos campos, como nos corredores. mas corro como as borboletas.
no verão gosto de ir à praia. desde que deixei de fazer castelos com convicção, deixei também de gostar de areia. mas não vivo sem o mar aos pés.
gosto do mar da minha esplanada e gosto do fundo do mar.
acredito em sereias. interrogo-me vezes sem conta:
as estrelas do mar sonham o mesmo que as estrelas do céu?
às vezes penso que não. são universos diferentes.
a matéria onírica não é a mesma. são signos diferentes.
outras vezes penso que sim. exactamente por serem universos diferentes.
gosto muito de viajar. e em todas as viagens olho para o céu. e penso sempre a mesma coisa banal. não fosse babel as fronteiras não fariam sentido.
e não fazem.
e sempre que posso vou ao fundo do mar.
e penso sempre a mesma coisa sem sentido: gostava de viver aqui.
posso parecer, mas não sou distraída.
não há sonho nenhum que me passe ao lado.
quando for sénior gostava de ter uma boa colecção de dias inteiros felizes.
e não ter alzheimer para me poder recordar de tudo. e de todos.
e ter netos para lhes poder contar histórias verdadeiras e inventadas.
quero morrer muito velha. muito sábia. e feliz.
e com rugas serenas à volta dos olhos.
imagem: Philippe Ramette

Intervalo

segunda-feira, fevereiro 8

Mãos Dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considere a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.



Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.

não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

insensatez



exposição de pintura da Rosa Maria. na Galeria Soledade Malvar, em Vila Nova de Famalicão. até 19 de Fevereiro. bem dita insensatez.
[obrigada Paula]
imagens: Rosa Maria

era uma vez uma mulher


era uma vez uma mulher tão devota, tão devota que em vez de escrever Rua Maria Rita das Chagas Lima, escreveu Rua Santa Rita de Cássia.
envergonhada, não contou a ninguém porque é que a carta não tinha chegado ao destinatário.
[fez nova tentativa. agora, com mais atenção e menos devoção...]
imagem: Francisco Monforte

Onde está o manual de instruções?


Está à venda desde Janeiro!
«Os Filhos! Onde é que está o manual de instruções?, coordenação de Ana Cardoso de Oliveira - «Pais afectivos» e «pais biológicos» – uma distinção que faz sentido? Há modelos familiares melhores do que outros para a formação de uma criança? No mundo actual, as crianças criarão laços afectivos mais fortes com as educadoras do que com os pais? Quais as características do autismo e da síndrome de Asperger? Asma, rinites, alergias, eczemas – estaremos a proteger demasiado as crianças da natureza? Intervenções dos especialistas Nuno Lobo Antunes, Nuno Colaço, Maria João Fagundes, Constança Furtado, Marta Gautier, Eduardo de Sá e Paulo Sargento, numa iniciativa organizada pela Associação Lavoisier.
Leitura obrigatória para todos os pais.».

[para a minha amiga Inês ;)]

quinta-feira, fevereiro 4

raios de sol e centeio


e, se de repente, lhe oferecerem uma lata de tinta com um campo de centeio maduro, dentro?
ou, então, uma lata de tinta a transbordar de raios de sol?
isso é...isso é um gesto que nunca mais se esquece. não. não é pela memória.
é pelos raios de sol. pela seara infinita de afectos. em pleno inverno.
[Pedro, Paula, António, José. obrigada. tanto tudo íssimo]

Leva-me aos fados




«Ana Moura chega a Braga com o novo disco na bagagem. ‘Leva-me aos Fados’ é o quarto álbum de estúdio da fadista e o sucessor do multi-galardoado ‘Para Além da Saudade’ (2007).
Após a consagração obtida com o trabalho anterior, Ana Moura regressa aos palcos com um conjunto de temas que anuncia uma leveza de espírito e uma contextualização do género musical mais português fora dos clichés lúgubres, mostrando na alma mais raça que melancolia e cantando mais um lamento revoltado do que uma aceitação contemplativa dos males da vida.
Os anos mais recentes de Ana Moura têm sido felizes. O dueto com Mick Jagger em pleno concerto dos Rolling Stones no Estádio de Alvalade, o Disco de Platina que o álbum anterior “Para Além da Saudade” venceu por vendas superiores a 20 mil unidades, a aclamada digressão mundial do ano passado ou o Prémio Amália para Melhor Intérprete empurram Ana Moura para um estatuto de estrela.
Em “Leva-Me aos Fados”, Ana Moura aproveita o vento e cresce na proporção do momento.»
Sexta-feira, 5 de Fevereiro, 21h30, Sala Principal do Theatro Circo, em Braga

quarta-feira, fevereiro 3

Os Dias Legíveis


1
A noite cicia.
Um silêncio de palavras
é pura a melodia do vento.

O sol da tarde.
O que a vida freme.
A memória esquece.



2
Ouço
Num arco de fogo a manhã
Escrevo e medito :
a rosa no lume
as mãos dolentes
o mar lavrado de lonjura
grita fundo na tábua e no fumo

3
O que foi um pássaro
a cantar dentro de horas ?
Ali

4.
Estive voltado para um relógio
indiferente a quem vinha pela estrada

Escrevi caminhos
por entre palavras e pássaros

José Ribeiro Marto
imagem: Emir Ozsahin

João, querido amigo,

[ora diz lá... ;)]

terça-feira, fevereiro 2

SEIVA - a sobrevivência dos cactos

[clicar na imagem para aumentar]

«Numa terra árida e quente, apenas pontuada por alguns cactos, uma mãe (Hécuba) e duas filhas (Yerma, a filha biológica, e Ofélia, a filha adoptiva), nunca param, como se cumprissem uma espécie de penitência. Todas escondem segredos que, pouco a pouco, vão sendo confessados, e mantêm-se auto-suficientes graças aos cactos que vão comendo. Mas caminhar para onde e para quê? O que fazer quando descobrem que todas partilham do mesmo desejo, o de assumir as suas verdadeiras identidades?

Hécuba – A vida vive-se, não espera que a vivamos. As coisas acontecem.
Ofélia – E como é que vives depois de ser atropelada por um camião?
Hécuba – Levantas-te e caminhas, Lázaro.
Ofélia – Até quando?!
Hécuba (austera) – Até teres esgotado realmente as tuas energias. (pausa; o tom adocica-se) Às vezes, quando pensas que estás morta, descobres que ainda podes arrastar-te mais um pouco e, com o tempo, recobras as forças.

[gostava tanto de ir! é no Teatro Dona Maria II. dia 9 de Fevereiro. a entrada é livre]

Conversa de SMS´s


marta - já tens dicas no blog.

inês - vou já ver.

marta - ontem deitei-me a pensar em ti. na tua vida. mas vai correr bem.

inês - eu também me tenho deitado a pensar em mim!!! acho que nunca pensei tanto em mim. mas, hoje, vou-me deitar a pensar num tal Funes. conheces???

marta - só do blog. mas tens lá outras sugestões sérias.

inês- é verdade. até pensei abrir um blog. para me ajudarem.
diário de uma mãe de aluguer :) parece-te bem?

marta - sim. boa ideia...se tiveres tempo!

inês - ups! tempo!

segunda-feira, fevereiro 1

conselhos, precisam-se!


ela telefonou-me feliz. sim, muito feliz. mas também apavorada. apavorada como quem diz receosa. a vida estava à porta de mudar!
- tenho 38 anos. não tenho filhos, como sabes. não tenho cão. nem gato, sequer. e para a semana, terei dois filhos: uma menina, de oito anos. e um menino de 4 anos.
vêm viver comigo. até ao Verão. enquanto os pais não chegam.
eu, habituada a ir para todo o lado, a qualquer hora.
é assim, há quase vinte anos. mais coisa menos coisa.
tens algum conselho para me dar?
algumas dicas? sugestões para refeições? desculpas plausíveis se, por acaso, se chegar mais tarde à escola? o horário das matines? programação infanto-juvenil? que livros lê uma menina de oito anos? o que são gormitis? [é assim que se escreve gormitis?] todas as crianças gostam de ovos kinder? e de legos? as aulas deles começam às 9 da manhã. a que horas devem estar a dormir? quanto tempo, mais ou menos, se levam a arranjar, de manhã? eu não gosto de sopa. devo insistir para eles comerem a sopa? e se me perguntarem se gosto de sopa?
quais são as bandas; os heróis. ainda há heróis? e o nome da bonecada? o que devem ver, na televisão? devem ver televisão? que jogos são mais adequados? há algum dicionário recomendado? um guia? diz qualquer coisa.
se não me conseguires dizer nada - lembrei-me, agora, também não tens filhos - importaste, por favor, de pedir conselhos aos pais que, eventualmente, frequentem o teu blog?
todas as dicas são bem-vindas, como imaginas.
imaginas, não imaginas?
imagem: ilustrações do livro "Coração de Mãe", Planeta Tangerina

que desilusão é esta...


[...que desilusão é esta que faz sombra ao meu gostar...]

imagem: Edward Hopper

aniversário XXI


Ava Gardner poderá ter sido "o mais belo animal do mundo".

Mas a "marta" deste blogue, sem dúvida o mais patusco...!

Parabéns atrasados pelo aniversário...! um grande, grande beijinho, Cláudia

[texto e "marta" enviados pela minha querida Cláudia.onde há sempre um livro à nossa espera]

aniversário XX


Eu sempre soube que havia vida em Marta. Outros precisariam de expedições, fotografias por satélite, sinais de água no corpo. Eu não. Há vida em Marta desde que me conheço. Porque haver vida em Marta não é obra do acaso, nem é negociável. É a verdade, simplesmente. Fosse Marta um planeta, seria de morar nele em nome dos nossos melhores dias. E sonhos. Há vida em Marta. Claro que sim. Caso contrário, a terra, as palavras, a alma e o coração seriam lugares menos habitáveis.
Miguel
[enviado pelo meu mano. conhecedor absoluto de um planeta chamado meu coração. e de um outro, ainda mais à esquerda. aqui]

o que será...

domingo, janeiro 31

e por vezes


E por vezes as noites duram meses

E por vezes os meses oceanos

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos E por vezes


encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes


ao tomarmos o gosto aos oceanos

só o sarro das noites não dos meses

lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes

ah por vezes

num segundo se evolam tantos anos


Davida Mourão-Ferreira
imagem: Artur K

à volta de Inês Pedrosa

gostei mesmo muito. a Comunidade de Leitores, com a Inês Pedrosa, correu bem. muito bem. não se falou apenas de A Eternidade e o Desejo. falou-se um pouco de tudo. tudo o que coube em duas horas de conversa. à volta dos seus livros. e de outras coisas. e a autenticidade foi o fio de prumo. a ironia, também. mas, aqui, o Miguel Carvalho resume. eu, por mim, gostei muito de a ouvir. nos olhos. olhos nos olhos. já gostava de a ler sem nunca lhe ter conhecido o timbre da voz. ao vivo. já gostava de a ler há muito tempo. sim. fiquei encantada com a genuinidade da autora de "Fazes-me Falta". [sim, Zaclis, esse de que tanto gostaste, também]

[e, é verdade, no dia seguinte, sonhei que fomos todos tomar um chá. um chá com Inês Pedrosa. no chão da minha sala. enfim! há dias, assim, em que se sonha antes de ir dormir.]

sexta-feira, janeiro 29

Sabeis porque choram os olhos?


«Todos os sentidos do homem têm um só ofício; só os olhos têm dois.
O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto, cheira, o Tacto apalpa, só os olhos têm dois ofícios:
Ver e Chorar.
Estes serão os dois pólos do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu na mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma, a tinta do coração, o fel da vida, o líquido do sentimento.
Porque ajuntou logo a natureza nos mesmos olhos dois efeitos tão contrários, ver e chorar? A razão e a experiência é esta. Ajuntou a Natureza a vista e as lágrimas, porque as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver, porque o ver é a causa do chorar. Sabeis porque choram os olhos? Porque vêem.



Basta-me escutar. Escutar não tanto a superfície das conversas, mas a dor que dentro delas nada silenciosamente. Os pianistas confessam-se nas teclas, no modo de atacar as notas. Sei quem são Adriano Jordão e Theodor Paraschivescu, conheço-lhes a infância e os sonhos, porque os ouvi tocar. (...) Ah, a terrível bondade daqueles a quem nenhum sentido falta. Esmagam-me de compaixão. Falam-me alto, espaçadamente, como se eu também fosse surda. Agarram-me no braço, continuamente. Queria conhecer alguém que tivesse a sensibilidade de me tocar apenas com o olhar. (...)».

Inês Pedrosa in A Eternidade e o Desejo, pag. 136, 137, Dom Quixote,2007

[ Sábado, dia 30 de Janeiro, às 17 horas, como de costume, na Livraria Almedina do Arrábida Shopping. A convidada de Miguel Carvalho é Inês Pedrosa. Mais um encontro na Comunidade de Leitores. Desta vez, A Eternidade e o Desejo é o livro de que se fala.]



10 anos, já?


« A Egoísta nasceu há 10 anos como uma revista temática que se tornou um objecto de culto, sendo considerada um caso de sucesso no mercado editorial português. Um dos segredos, explicou à Lusa a editora da publicação, é não ser uma revista mas sim um produto de comunicação e de marketing do Grupo Estoril-Sol, que apostou na promoção da cultura e das artes de forma inovadora. "Se fosse uma revista com intuito comercial, se calhar não teria sobrevivido", disse Patrícia Reis.

A Egoísta tem vários prémios nacionais e internacionais e apostou num discurso pioneiro e revolucionário, segundo a sua responsável. "Há dez anos não se fazia nada temático. Não havia espaço para a curta ficção, por exemplo, o que fez com que a Egoísta publicasse em primeira-mão muitos autores. Promovemos a ficção, a fotografia e as artes plásticas, a cultura nas várias vertentes."

O primeiro número saiu em Janeiro de 2000 e no ano seguinte a revista passou de mensal para trimestral. A Egoísta tem hoje uma tiragem de dez mil exemplares e mais de 200 assinantes. Inicialmente era distribuída selectivamente. Após muitos pedidos, entrou no circuito de livraria.

Para comemorar o 10.º aniversário, a próxima edição (em quatro dimensões), que sairá em Março, será dedicado ao Oriente».

aniversário XIX


Olá,
vai com um dia de atraso mas espero que ainda a tempo de voares nas asas da liberdade... e dos sonhos!
Muitos beijinhos. Parabéns pelo blog e por ti,
Alexandre

[gentilmente enviado por Sofá Amarelo, onde gosto de me sentar e descontrair...]

aniversário XVIII

Marta: elas combinam contigo e o teu blog combina comigo. Parabéns e desculpa o atraso. Um beijo enorme. Cristina

quinta-feira, janeiro 28

aniversário XVII


olá Marta!
pedes-nos palavras essenciais. para isso não tenho jeito.... contudo não posso deixar de te dar os parabéns por este "cantinho" onde tantas vezes vim apenas pelo prazer que isso é. este é o meu presente para ti. espero que gostes. e que a "Vida em Marta" continue longa e feliz e nos possa proporcionar muitos mais 365 dias de risos, sorrisos, nós na garganta, arrepios...

beijinho,

Sonja Valentina

[fotografia e palavras enviadas pela querida Sonja. um dos meus afectos primeiros. aqui. outra paixão. quando pousei e repousei e me agitei no seu olhar. uma antropologia do olhar. do quotidiano do saber ver.]

aniversário XVI


Obrigada por seres...!!!
Parabéns pelos teus textos/pensamentos!!!
[E pelos desenhos da Leila Pugnaloni de que tanto gosto]
bj
Paula [devidamente identificada]

imagem: Leila Pugnaloni

aniversário XV


1. Foi aqui que cheguei em Fevereiro de 2009, para nunca mais sair. Ainda que por períodos o afastamento seja uma verdade, cada regresso transporta o sabor de saber que não me afastarei definitivamente. Em referências aprendi, em sugestões revi-me. Descobri e introduzi-me como intérprete de personagens para que não fora convidado. Foram repetidos os momentos em que me espelhei nas mensagens passadas, em que me senti antecipado por vontades sonhadas. Bebi muito, algumas vezes num só trago, outras gota a gota, do que aqui está publicado. Embrenhei-me de tal modo em tantas destas palavras que, hoje, basta passar sobre elas com um olhar para reviver a sensação da primeira leitura. Comentei com as palavras à flor da pele, enquanto um cigarro ardia em [melo]dias silenciosos. Na partilha semearam-se afinidades que saudosamente permanecem em palavras que iluminam cidades. Essenciais tornaram-se tantas outras, contadoras de histórias. Pois se não é segredo, porque não assumir que volto aqui e continuo a ser tantas vezes surpreendido?


2. Há palavras a que se chega e, sem que as conhecêssemos, sabemos que existiam e esperavam por nós. A pretensão não será propriamente um atributo, mas há palavras cuja força, cuja vontade de vida, nos raptam para essa estranha sensação de certeza que ali estão unicamente para que nós as leiamos. Porque foram escritas para nós! Do deslumbramento de leitura, rapidamente passei ao encanto de me ver nelas. As primeiras, aquelas que não oferecem qualquer dúvida, vestiram-se de cumplicidade. Depois fui-me encontrando em muitas outras. Verdade será que em grande parte delas é pura ilusão de quem se julga capaz de se espelhar em palavras súperas e em querer tomar a vida desses vocábulos impregnados dela. Mas para quê desfazer a ilusão se nos proporciona um sorriso rasgado no peito? Mas porque não acreditar que algumas delas decorrem de afectos especialmente inventados, de afinidades confirmadas? Mas porquê desfazer o sonho aberto aquando de algumas das suas leituras? Mesmo que, hoje, não acendam ilusão, há ainda muitas palavras cujo confronto se silencia num suspiro especial por saber terem sido ‘lidas’ antes… Há palavras a que se chegou e de onde não se parte pois não se querer deixar valiosos pedaços de nós perdidos no esquecimento.

Pas[ç]sos

[mesmo sabendo que é preciso respeitar a decisão, estou zangada com o Pas[ç]sos um dos primeiros comentadores deste blog. é que somos contemporâneos nestas andanças e pronto. estou zangada. mas é só com este Senhor! é que o paços d´água vai fazer-me falta. só isso.]

imagem: Sonja Valentina

aniversário XIV


este é o Alentejo que trago no meu olhar de Novembro.
o olhar tem coração, não tem?

[fotografia enviada pelo querido amigo Senhor Dom Grifo Planante. João Menéres, fotógrafo de momentos comoventes e outros dias. mais um cruzamento feliz, na minha vida blogosférica]

aniversário XIII


Pediste-nos palavras essenciais. Aqui vão:
O que me enterneceu nesta imagem foi o sorriso cúmplice e a mão que se levanta para um gesto de carinho! O essencial é esta partilha! De uma vida cumprida! A mesma que eu espero ter com a pessoa que amo!
Um beijo, Querida Marta.
Parabéns por este planeta.
K

[ele diz que lá, coisa estranha, nada acontece. e, às vezes, fica mesmo muito tempo sem acontecer. mas quando acontece, quando acontece...bem, quando acontece...acontece...]

quarta-feira, janeiro 27

aniversário XII


Acabei de visitar "Há Vida em Marta". Claro que sim. Há vida e da mais cristalina. Uma vida também límpida, suave, a exemplo de quem lhe dá vida: a minha querida Amiga. Felicitações. Depois, demandei Almendra, a sua serena luminosidade. Imagens colhidas pela Celina (que desconhecia), outras igualmente muito belas. Ah, fala do doce de amoras. Um amor. Amor-amor(as). Bendito prodígio da natureza.

Bem, quero lembrar-lhe que, com a confusão do jantar [...], acabou por ficar em Leça um frasquinho dessa compota que lhe estava (E ESTÁ) destinado. Quanto à terra donde a lambarice vem, já sabe: é minha, é sua, é de quem nela respira a autenticidade de um lugar e das suas gentes. Daí, quando quiser, vá até Almendra. Tem casa ao seu dispor. Beijinhos com maresia,


Alfredo Mendes


[sim, sim é meu amigo. tá na cara. ou nos caracteres. como quiserem. autêntico como só ele é.

e é. é a minha grande bênção. amigos assim. janelas serenas para o azul]

imagem: telemóvel da Marta em Barca d´Alva

aniversário XI


Apesar das ruínas e da morte,

Onde sempre acabou cada ilusão,

A força dos meus sonhos é tão forte,

Que de tudo nasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner Andersen
(do seu primeiro livro de poesia, Poesia, de 1944)
[este quadro e este poema - combinação perfeita - foram enviados pelo Carlos Azevedo cujo blog não passo sem visitar. temos registos muito parecidos, na música. aliás, gostava de ter encontrado um saco que ele diz ter perdido, depois de umas compritas na FNAC!]
imagem: Vieira da Silva, Luz, 1978

aniversário X

Que o teu blog viva em Marta, em Marte e em nós todos cá na Terra, com muitos posts e longos anos de vida.

[este "postal" é da querida Patti, autora de textos deliciosos, lá no Ares. e com um jeito muito especial para escolher imagens...olhem bem para esta ;)]

imagem: alessandro bavari

aniversário IX


Marta, minha querida amiga
primeiro parabéns pelo aniversário e pela ideia.

Passaram-me tantas palavras pela cabeça: amor, solidariedade, amizade, alegria, sorriso, paixão, ... e para cada uma, um argumento se instalava: e quando o amor acaba e a amizade se enfraquece e a solidariedade esquece de se vestir e a alegria desvanece como a morte e o sorriso só sabe chorar e a paixão deixa de aquentar?
Percebo que depois de tudo, quando só há escuridão, o essencial é acreditar.

[fotografia e texto da minha muito querida amiga Zaclis. que não está só na minha vida. também está aqui.]

aniversário VIII - Da Razão dos Simples





À Marta e ao Geoff
Regresso
Dos fundos dos mares, do fundo navegável
Do meu ser errante.
Há muito que temia ser navegante
Neste amável mar de estelas primeiras

E antes eram palavras
Agora a manifesta asafia,
Que pretensamente
Prende a apoucada letra
Ao caminho do seu curto cordel
De linho e ráfia,
A vontade dos simples,
Que no onirico sublinhado da vida
Que sulca e mente,
Regressa.

Erguido duma qualquer urgência
Colocada na alma que se atravessa,
Dos simples
Contam-se aqueles que não sucumbiram
Às imposturas da idade e pela
Cadência das ilusões, partiram
E não regressaram.

Uns cansados
Outros desgastados pelo ritmo das estações,
Aos restantes restam as canções
Que nas indistintas madrugadas
E nas indistintas idades,
Fizeram da palavra, da esquecida cadência do peito,
A construção da poesia
A obra do mundo que ergue as cidades,
A pequena multidão que pela vontade
Regressa do fundo da alma e
Do mais longínquo ponto do horizonte
Fará nascer o reino onde as letras
Sem margens, nem rios, ou sejam,
Sem nada aparentemente
Por ligar, as letras essas serão a própria ponte,
O ligar, a fantasia, o regressar
Porque ontem foi lá longe
E o regresso é sempre outro dia.


Leonardo B.


[da autoria de Leonardo B. ainda e sempre. o encontro, dos primeiros, foi na Última Estação... e demorei-me por lá muito tempo. em boa hora saí, distraída, para ficar.]

aniversário VII



[...]

Um pouco mais de sol — eu era brasa.
Um pouco mais de azul — eu era além.
[...]

Mário de Sá-Carneiro


[pinturas enviadas pela artista plástica Leila Pugnaloni, autora não só destes quadros mas, também, dos desenhos pelos quais - não é segredo - me apaixonei perdidamente.
aqui.]

aniversário VI

[Porque o seu blog, ou os seus "solos" também me têm oferecido momentos MUITO agradáveis.

Parabéns. Leigo]

aniversário V

[desenho da autoria de Filipe Mora, uma das minhas primeiras afinadades blogosféricas.

ele "desenha e escreve. descreve", portanto.
...e reparem, por favor, na lombada do livro :) um miminho!
o desenho foi feito tendo por base a fotografia que, então, tinha no meu perfil]

aniversário IV


linha a linha
espaço a espaço
o passo
que palavras passo
o tempo de um espaço

Pedro


[enviado pelo Pedro Lopes, autor de pequenos poemas imensos que gosto tudo de ler]
imagem: desconheço o autor

aniversário III




Procurei no dicionário o significado da palavra 'vida' e ei-lo:
"Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de atividade (diz-se das pessoas e das coisas)".

E sim. Posso confirmar: Há vida em Marta!

O universo virtual sempre me proporcionou muitas descobertas maravilhosas. Muitos lugares aconchegantes, receptivos, calorosos...
E encontrei um portal, por um acaso, que me levou à Marta. Era como uma casinha de sapê dentre árvores. Dentro fazia um friozinho gostoso. E cheirava a café quentinho. Não deixei mais de visitá-la.
Ah, Marta! Como é linda a maneira com que tece as palavras. Fala tão belo de artes, música, literatura e de tudo, tudo.

Encanta-me muito este cantinho. E a cada dia estarei a visitá-lo.

Porque se há mesmo vida em Marta, estarei sempre a conferir.



Hilana Fontineles





[imagem e texto enviados por Hilana Fontineles. Teresina - Piauí,Brasil]

aniversário II - sábios olhos


Como rosa cultivei-te em sonhos meus;
Fiz-te rainha de meus castelos
Que da cova, a graça, me arrebentam os elos;
Tesouro vivo que tantos pedem a Deus.

Caravelas de ninfas vindas dos céus
À terra de homens, combatentes velhos,
Deixando-as pousar com total esmero:
Assim me foram os olhares teus...

Fulgor límpido da aurora de astros viventes,
Iluminara este palácio meu envolto por serpentes,
Mas esquecera que à porta foi posto mil frades...

Por isso, ando deste amor já descrente,
Deste amar que tu não o sentes,
Mas que só teu olhar, o sabe.

Alan Felipe
[poema enviado pelo Alan Felipe Angelin. Brasil]

aniversário I


por aqui, como sabem, o fuso horário é especial!
a festa de aniversário - 1 ano - deste blog começa agora.
quando termina? não sei :)
um ano com muitas histórias dentro.
garanto-vos!
ontem, aconteceu mais uma.
que me emocionou muito.
tem a ver com a vida secreta das palavras.
um dia, se me deixarem, conto.
obrigada,
queridos visitantes. obrigada por tudo.
e "façam o favor de serem muito felizes".

terça-feira, janeiro 26

Para falarmos do meio de obter o poema


Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste.

Nuno Júdice in Geometria Variável, Dom Quixote, Lisboa, 2005
imagem: Leila Pugnaloni

Shape of my Heart

segunda-feira, janeiro 25

Parada Cardíaca



Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.


Paulo Leminski
imagem: Claudia Santos Silva

A quoi ca sert l'amour

sábado, janeiro 23

deixem-me palavras essenciais. as vossas.


Este blog faz um ano no próximo dia 28 de Janeiro. E eu não imaginava que ao fim dos quase 365 dias ele tivesse tido um papel tão importante na minha vida. É verdade. E nem sequer estou a exagerar. Perceber e aceitar o facto é estranho. Para mim. Por muitos motivos e mais um. Mas, também, porque sempre fui mais dada a olhar nos olhos das pessoas do que nos seus caracteres. Refiro-me à interacção com os meus semelhantes, claro. Porque eu e uma catrefada de caracteres fazemos a festa!
Livros, jornais, revistas, cartas, até post-its!
[Papel. Eu sou dependente de papel. Escrito e em branco.]
Bom...dizia eu que sempre fui mais de almoços, jantares, uma esplanada ao fim da tarde...mas não é por aí que quero ir... Agora.

Para mim, que sou muito mais de segurar na mão, de dar um abraço, os afectos virtuais que criei através deste blog são tão deliciosos quanto incríveis.

Para mim, que gosto de ver o jogo de costas voltadas para o campo, ver o rosto da multidão, ler-lhe os sinais, sentir-lhe a respiração, este blog é um estímulo à imaginação.

Para mim, que me encanto e desencanto com o pulsar das pessoas e dos ambientes, com o burburinho dos lugares, com os aromas em volta, este blog, é um mistério. Este blog e os bastidores deste blog.

Este blog trouxe-me pessoas extraordinariamente talentosas, inteligentes, sensíveis, bem-humoradas. Não interessa se um dia nos vamos olhar nos olhos. Provavelmente não. Interessa que nos cruzamos. E concordamos e discordamos. E aprendemos. E nos sentimos próximos ou distantes. Não importa.

Depois foi a leviandade com que o fiz. A ligeireza. A falta de compromisso. Uma amiga que chega ao pé de mim e diz, saudando-me, como só ela o fazia: “há vida em marta”! E ficou assim. HÁ VIDA EM MARTA. Um blog. Depois, outra amiga, ajudou a arrumar a casa. A escolher cores, funcionalidades. E eu longe de chegar aqui.

E de repente criei laços, desfiz nós, aproximei-me de pessoas e passei a gostar delas, ou melhor, do blog delas, ou melhor, dos caracteres delas, dos desenhos delas, das fotografias delas, como se fossem olhares, gestos, toques. Criei afinidades com quem não conheço. Aprendi com ilustres desconhecidos – meu deus – senti saudades de quem, provavelmente, nunca verei. Mas também me aproximei de pessoas que amo. Muitíssimo.
[Tanto que tinha para dizer. Aqui.
-Olá Nina! Gosto tanto da nossa história. E é tão bom sabê-la tão perto.
Por exemplo.]

Estou louca, pois claro! Agora, «o meu coração [também] pertence a estranhos», como escreveu Alexandre Gamela.[
- Olá Catarina! Correu bem o doutoramento? Tenho pensado nisso. E no teu e-mail.
Por exemplo.]

Só não me interno, porque este blog mudou a minha vida! E isso é um facto. E contra factos... Mudou, como quem muda o trilho do comboio. Mudou, como quem contribuiu para tomar decisões. Profissionais. [agradeço especialmente a três pessoas. Muito. Uma conheço-a; as outras duas não! Um dia falarei disso.]
Podia fazer de conta e deixar-me deste arrazoado todo. Deste pôr o coração em cima da mesa como se fosse uma carta de jogar, cheia de razão, na sua simbologia.
[se o Prof. Funes conseguir ler até aqui, deve estar como um vendaval…]
Mas apetece-me dizer o que sinto. Mais uma vez.
Assim como quem escreve num “moleskine” sem elástico.
Que nunca se perde. Que nunca perco.
É este o papel do meu blog, na minha vida.
Um caderno, que sei sempre onde está, onde anoto - porque sim, porque sinto -
o que me dá na real gana.

E, agora, faço -vos um convite, através das palavras do enorme Virgílio Ferreira.

"Quais são as tuas palavras essenciais? (…) As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. (…). As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha".

[deixem-me palavras essenciais, sim? as vossas.
também podem ser imagens. poemas. frases. citações. o que quiserem.
pode, até, ser uma música. enviem, por favor, até ao dia 27, para marta1322@gmail.com
dia 28, editarei tudo.
será a minha forma de agradecer as mais de 50 mil visitas;
de assinalar que faz um ano que estou aqui . que me encontro. convosco. e comigo.
conhecidos e desconhecidos. com blog e sem blog. todos. sem excepção.
e foi bom, muito bom. boníssimo :) bom e importante. mesmo muito importante.
tanto tudo íssimo.
obrigada. muito obrigada]

imagem: Leila Pugnaloni

Sugestões de leitura em 1885


«Sabes uma coisa? Quando fui o ano passado, apresentado a Junqueiro, ele disse-me: "Leia Michelet; Michelet faz bem ao estômago e ao cérebro; faz bem ao espírito e à saúde" (...)

Queres poesia? Tens aqui o Junqueiro, o João de Deus, o Gonçalves Crespo, etc, etc. Todos estes são poetas modernos: o João de Deus, dando uma nova feição à poesia lírica de Camões é delicioso; Gonçalves Crespo, seguindo as pisadas dos parnasianos moderníssimos da França, como Théodore de Banville, François Coppée, Sully-Proudhome, etc, é tão bom como eles, e é um dos melhores modelos da poesia burilada com a paciência de um chinês; Guerra Junqueiro, enfim, o primeiro que deitou por terra as pieguices sentimentais dos românticos, em A Morte de D. João e na Musa em Férias, é, por vezes, um gigante como Vítor Hugo.

Já os lestes decerto, e lerias por ventura o maior poeta brasileiro (olá se é) Castro Alves, o autor das Espumas Flutuantes? Creio bem que sim. Põe de parte o Casimiro de Abreu, que embora seja um bom poeta não nos dá consolação nem vigor; dá-nos apenas desalentos e lágrimas.

Queres romances? Não leias os Ponsons, os Dumas (Pai), os Montepins; lê o Zola, o Daudet, os Goncourt (Edmundo e Júlio), e entre nós o Eça de Queirós que não sei se sabes é o escritor mais considerado de Portugal e Brasil.

Alexandre Dumas (Pai) não tem romances que instruam, que nos mostrem a sociedade tal qual ela é; o que não sucede com os outros apontados que são hoje os grandes homens da literatura moderna, os grandes escalpelizadores da alma humana».


António Nobre, in carta a Alberto Baltar, 9 de Fevereiro de 1885

in António Nobre, 1867 - 1900 FOTOBIOGRAFIA, Mário Cláudio, Dom Quixote, 2001

sexta-feira, janeiro 22

Paula Rego em Évora

Uma exposição com 39 obras de Paula Rego [da colecção de Manuel de Brito] inaugurou, ontem, no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora. Pode ver-se até ao dia 23 de Maio.

Estante Acidental




ele propõe Edgar Allan Poe - e MUITO BEM - e eu proponho o blog dele. ESTANTE ACIDENTAL. o meu querido amigo Ricardo chegou à blogosfera. com muitos livros e sentido de humor. bem-vindo, pois!