[querida Sonja, obrigada pela gargalhada! são todos para ti. depois, ensinas-me. combinado?]
segunda-feira, fevereiro 22
deixa-te ficar em minha casa
Tenho livros e papeis espalhados pelo chão
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista, um sinal de qualquer recordação
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido
Guardo na palma da mão o calor dos objectos
Com as datas e locais. Porque brincas, porque ris.
E depois o arrepio: a memória dos afectos
Que me deixa mais feliz
Deixa-te ficar na minha casa
Há janelas que tu não abriste
O luar espera por ti quando for a maré-vasa
Ainda tens que me dizer porque é que nunca partiste
[...]
João Monge/João Gil
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Filarmónica do Gil, Músicas que ouço
quinta-feira, fevereiro 18
no ruído do meu silêncio
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
Etiquetas: Pedro Faria Lopes, Poemas que sinto
segunda-feira, fevereiro 15
ouvi dizer
A cidade esta deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: Músicas que ouço
Mínimo Ajuste
agora, também estou aqui. obrigada pelo convite. é uma honra integerar esta equipa.estimados visitantes apresento-vos o MÍNIMO AJUSTE
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: blogs
quarta-feira, fevereiro 10
felicidade é...
...felicidade é: reencontrar uma amiga dos tempos do liceu... e saber que vamos conversar como se estivessemos no intervalo e...e nunca mais tocasse para dentro ...
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
terça-feira, fevereiro 9
eu, por mim [um dia]
agora, com trinta e poucos anos, percebo que estar contente e estar feliz, não são a mesma coisa. percebo também a importância que dou à tristeza genuína e vou compreendendo, cada vez com mais clareza, porque é que as pessoas são tão importantes na minha vida.
as pessoas e os afectos. que são a mesma coisa.
queria ter sido bailarina como tantas outras meninas.
mas sou professora e mais não sei o quê.
gosto de ler. muito de ler. e o silêncio é fundamental na minha vida. cada vez mais.
gosto de música mas não consigo ler e ouvir música ao mesmo tempo. ou bem que leio ou bem que ouço música. ao mesmo tempo, só consigo amar as pessoas. e cozinhar e, por exemplo, ao mesmo tempo, tirar a roupa do estendal.
não há assim muito mais coisas que consiga fazer ao mesmo tempo.
e por falar em tempo. o tempo é algo que me comove. as rugas da minha mãe comovem-me. de tão lindas que são.
o sorriso da minha mãe não seria tão terno sem as rugas à volta dos olhos.
não percebo como há operações para tirar rugas.
mas eu também não percebo imensas coisas.
as manchas castanhas pequeninas nas mãos da minha avó comovem-me.
as crianças a crescer, comovem-me.
a vida a tornar-se recordação comove-me.
é o tempo a comover-me.
os meus amigos comovem-me.
e eu até nem sou de me comover.
mas quando, na primavera, os pessegueiros começam a florir sinto uma felicidade imensa. e quando no outono a paisagem aquece eu sinto-me numa casa enorme de paredes altas vermelhas e amarelas. só minhas. a escutarem-me.
e corro. corro nos campos, como nos corredores. mas corro como as borboletas.
no verão gosto de ir à praia. desde que deixei de fazer castelos com convicção, deixei também de gostar de areia. mas não vivo sem o mar aos pés.
gosto do mar da minha esplanada e gosto do fundo do mar.
acredito em sereias. interrogo-me vezes sem conta:
as estrelas do mar sonham o mesmo que as estrelas do céu?
às vezes penso que não. são universos diferentes.
a matéria onírica não é a mesma. são signos diferentes.
outras vezes penso que sim. exactamente por serem universos diferentes.
gosto muito de viajar. e em todas as viagens olho para o céu. e penso sempre a mesma coisa banal. não fosse babel as fronteiras não fariam sentido.
e não fazem.
e sempre que posso vou ao fundo do mar.
posso parecer, mas não sou distraída.
não há sonho nenhum que me passe ao lado.
quando for sénior gostava de ter uma boa colecção de dias inteiros felizes.
e não ter alzheimer para me poder recordar de tudo. e de todos.
e ter netos para lhes poder contar histórias verdadeiras e inventadas.
quero morrer muito velha. muito sábia. e feliz.
e com rugas serenas à volta dos olhos.
Escrito/editado por Marta 17 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar (2007)
segunda-feira, fevereiro 8
Mãos Dadas
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: Carlos Drummond de Andrade, Escritores, Poemas que sinto
insensatez
exposição de pintura da Rosa Maria. na Galeria Soledade Malvar, em Vila Nova de Famalicão. até 19 de Fevereiro. bem dita insensatez. Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, pintura
era uma vez uma mulher
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: estórias
Onde está o manual de instruções?
«Os Filhos! Onde é que está o manual de instruções?, coordenação de Ana Cardoso de Oliveira - «Pais afectivos» e «pais biológicos» – uma distinção que faz sentido? Há modelos familiares melhores do que outros para a formação de uma criança? No mundo actual, as crianças criarão laços afectivos mais fortes com as educadoras do que com os pais? Quais as características do autismo e da síndrome de Asperger? Asma, rinites, alergias, eczemas – estaremos a proteger demasiado as crianças da natureza? Intervenções dos especialistas Nuno Lobo Antunes, Nuno Colaço, Maria João Fagundes, Constança Furtado, Marta Gautier, Eduardo de Sá e Paulo Sargento, numa iniciativa organizada pela Associação Lavoisier.
[para a minha amiga Inês ;)]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: livros
quinta-feira, fevereiro 4
raios de sol e centeio
Escrito/editado por Marta 8 Terráqueos
Etiquetas: amigos, coisas minhas, família
Leva-me aos fados
«Ana Moura chega a Braga com o novo disco na bagagem. ‘Leva-me aos Fados’ é o quarto álbum de estúdio da fadista e o sucessor do multi-galardoado ‘Para Além da Saudade’ (2007).
Após a consagração obtida com o trabalho anterior, Ana Moura regressa aos palcos com um conjunto de temas que anuncia uma leveza de espírito e uma contextualização do género musical mais português fora dos clichés lúgubres, mostrando na alma mais raça que melancolia e cantando mais um lamento revoltado do que uma aceitação contemplativa dos males da vida.
Os anos mais recentes de Ana Moura têm sido felizes. O dueto com Mick Jagger em pleno concerto dos Rolling Stones no Estádio de Alvalade, o Disco de Platina que o álbum anterior “Para Além da Saudade” venceu por vendas superiores a 20 mil unidades, a aclamada digressão mundial do ano passado ou o Prémio Amália para Melhor Intérprete empurram Ana Moura para um estatuto de estrela.
Em “Leva-Me aos Fados”, Ana Moura aproveita o vento e cresce na proporção do momento.»
Sexta-feira, 5 de Fevereiro, 21h30, Sala Principal do Theatro Circo, em Braga
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: eventos
quarta-feira, fevereiro 3
Os Dias Legíveis
A noite cicia.
Um silêncio de palavras
é pura a melodia do vento.
O sol da tarde.
O que a vida freme.
A memória esquece.
2
Ouço
Num arco de fogo a manhã
Escrevo e medito :
a rosa no lume
as mãos dolentes
o mar lavrado de lonjura
grita fundo na tábua e no fumo
3
O que foi um pássaro
a cantar dentro de horas ?
Ali
4.
Estive voltado para um relógio
indiferente a quem vinha pela estrada
Escrevi caminhos
por entre palavras e pássaros
José Ribeiro Marto
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, Poemas que sinto
terça-feira, fevereiro 2
SEIVA - a sobrevivência dos cactos
«Numa terra árida e quente, apenas pontuada por alguns cactos, uma mãe (Hécuba) e duas filhas (Yerma, a filha biológica, e Ofélia, a filha adoptiva), nunca param, como se cumprissem uma espécie de penitência. Todas escondem segredos que, pouco a pouco, vão sendo confessados, e mantêm-se auto-suficientes graças aos cactos que vão comendo. Mas caminhar para onde e para quê? O que fazer quando descobrem que todas partilham do mesmo desejo, o de assumir as suas verdadeiras identidades?
Hécuba – A vida vive-se, não espera que a vivamos. As coisas acontecem.
Ofélia – E como é que vives depois de ser atropelada por um camião?
Hécuba – Levantas-te e caminhas, Lázaro.
Ofélia – Até quando?!
Hécuba (austera) – Até teres esgotado realmente as tuas energias. (pausa; o tom adocica-se) Às vezes, quando pensas que estás morta, descobres que ainda podes arrastar-te mais um pouco e, com o tempo, recobras as forças.
[gostava tanto de ir! é no Teatro Dona Maria II. dia 9 de Fevereiro. a entrada é livre]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: teatro
Conversa de SMS´s
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas, conversas
segunda-feira, fevereiro 1
conselhos, precisam-se!
ela telefonou-me feliz. sim, muito feliz. mas também apavorada. apavorada como quem diz receosa. a vida estava à porta de mudar!Escrito/editado por Marta 15 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas, conversas
que desilusão é esta...
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas, conversas, private joke
aniversário XXI
Mas a "marta" deste blogue, sem dúvida o mais patusco...!
Parabéns atrasados pelo aniversário...! um grande, grande beijinho, Cláudia
[texto e "marta" enviados pela minha querida Cláudia.onde há sempre um livro à nossa espera]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XX
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
domingo, janeiro 31
e por vezes
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: David Mourão-Ferreira, Poemas que sinto
à volta de Inês Pedrosa
gostei mesmo muito. a Comunidade de Leitores, com a Inês Pedrosa, correu bem. muito bem. não se falou apenas de A Eternidade e o Desejo. falou-se um pouco de tudo. tudo o que coube em duas horas de conversa. à volta dos seus livros. e de outras coisas. e a autenticidade foi o fio de prumo. a ironia, também. mas, aqui, o Miguel Carvalho resume. eu, por mim, gostei muito de a ouvir. nos olhos. olhos nos olhos. já gostava de a ler sem nunca lhe ter conhecido o timbre da voz. ao vivo. já gostava de a ler há muito tempo. sim. fiquei encantada com a genuinidade da autora de "Fazes-me Falta". [sim, Zaclis, esse de que tanto gostaste, também]
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Inês Pedrosa
sexta-feira, janeiro 29
Sabeis porque choram os olhos?
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu na mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma, a tinta do coração, o fel da vida, o líquido do sentimento.
Porque ajuntou logo a natureza nos mesmos olhos dois efeitos tão contrários, ver e chorar? A razão e a experiência é esta. Ajuntou a Natureza a vista e as lágrimas, porque as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver, porque o ver é a causa do chorar. Sabeis porque choram os olhos? Porque vêem.
Basta-me escutar. Escutar não tanto a superfície das conversas, mas a dor que dentro delas nada silenciosamente. Os pianistas confessam-se nas teclas, no modo de atacar as notas. Sei quem são Adriano Jordão e Theodor Paraschivescu, conheço-lhes a infância e os sonhos, porque os ouvi tocar. (...) Ah, a terrível bondade daqueles a quem nenhum sentido falta. Esmagam-me de compaixão. Falam-me alto, espaçadamente, como se eu também fosse surda. Agarram-me no braço, continuamente. Queria conhecer alguém que tivesse a sensibilidade de me tocar apenas com o olhar. (...)».
Inês Pedrosa in A Eternidade e o Desejo, pag. 136, 137, Dom Quixote,2007
[ Sábado, dia 30 de Janeiro, às 17 horas, como de costume, na Livraria Almedina do Arrábida Shopping. A convidada de Miguel Carvalho é Inês Pedrosa. Mais um encontro na Comunidade de Leitores. Desta vez, A Eternidade e o Desejo é o livro de que se fala.]
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Inês Pedrosa, Pe. António Vieira
10 anos, já?

« A Egoísta nasceu há 10 anos como uma revista temática que se tornou um objecto de culto, sendo considerada um caso de sucesso no mercado editorial português. Um dos segredos, explicou à Lusa a editora da publicação, é não ser uma revista mas sim um produto de comunicação e de marketing do Grupo Estoril-Sol, que apostou na promoção da cultura e das artes de forma inovadora. "Se fosse uma revista com intuito comercial, se calhar não teria sobrevivido", disse Patrícia Reis.
A Egoísta tem vários prémios nacionais e internacionais e apostou num discurso pioneiro e revolucionário, segundo a sua responsável. "Há dez anos não se fazia nada temático. Não havia espaço para a curta ficção, por exemplo, o que fez com que a Egoísta publicasse em primeira-mão muitos autores. Promovemos a ficção, a fotografia e as artes plásticas, a cultura nas várias vertentes."
O primeiro número saiu em Janeiro de 2000 e no ano seguinte a revista passou de mensal para trimestral. A Egoísta tem hoje uma tiragem de dez mil exemplares e mais de 200 assinantes. Inicialmente era distribuída selectivamente. Após muitos pedidos, entrou no circuito de livraria.
Para comemorar o 10.º aniversário, a próxima edição (em quatro dimensões), que sairá em Março, será dedicado ao Oriente».
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Revistas
aniversário XIX

Olá,
vai com um dia de atraso mas espero que ainda a tempo de voares nas asas da liberdade... e dos sonhos!
Muitos beijinhos. Parabéns pelo blog e por ti,
Alexandre
[gentilmente enviado por Sofá Amarelo, onde gosto de me sentar e descontrair...]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XVIII
Marta: elas combinam contigo e o teu blog combina comigo. Parabéns e desculpa o atraso. Um beijo enorme. Cristina
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
quinta-feira, janeiro 28
aniversário XVII
olá Marta!
pedes-nos palavras essenciais. para isso não tenho jeito.... contudo não posso deixar de te dar os parabéns por este "cantinho" onde tantas vezes vim apenas pelo prazer que isso é. este é o meu presente para ti. espero que gostes. e que a "Vida em Marta" continue longa e feliz e nos possa proporcionar muitos mais 365 dias de risos, sorrisos, nós na garganta, arrepios...
beijinho,
Sonja Valentina
[fotografia e palavras enviadas pela querida Sonja. um dos meus afectos primeiros. aqui. outra paixão. quando pousei e repousei e me agitei no seu olhar. uma antropologia do olhar. do quotidiano do saber ver.]
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XVI
Parabéns pelos teus textos/pensamentos!!!
[E pelos desenhos da Leila Pugnaloni de que tanto gosto]
bj
Paula [devidamente identificada]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XV
1. Foi aqui que cheguei em Fevereiro de 2009, para nunca mais sair. Ainda que por períodos o afastamento seja uma verdade, cada regresso transporta o sabor de saber que não me afastarei definitivamente. Em referências aprendi, em sugestões revi-me. Descobri e introduzi-me como intérprete de personagens para que não fora convidado. Foram repetidos os momentos em que me espelhei nas mensagens passadas, em que me senti antecipado por vontades sonhadas. Bebi muito, algumas vezes num só trago, outras gota a gota, do que aqui está publicado. Embrenhei-me de tal modo em tantas destas palavras que, hoje, basta passar sobre elas com um olhar para reviver a sensação da primeira leitura. Comentei com as palavras à flor da pele, enquanto um cigarro ardia em [melo]dias silenciosos. Na partilha semearam-se afinidades que saudosamente permanecem em palavras que iluminam cidades. Essenciais tornaram-se tantas outras, contadoras de histórias. Pois se não é segredo, porque não assumir que volto aqui e continuo a ser tantas vezes surpreendido?
2. Há palavras a que se chega e, sem que as conhecêssemos, sabemos que existiam e esperavam por nós. A pretensão não será propriamente um atributo, mas há palavras cuja força, cuja vontade de vida, nos raptam para essa estranha sensação de certeza que ali estão unicamente para que nós as leiamos. Porque foram escritas para nós! Do deslumbramento de leitura, rapidamente passei ao encanto de me ver nelas. As primeiras, aquelas que não oferecem qualquer dúvida, vestiram-se de cumplicidade. Depois fui-me encontrando em muitas outras. Verdade será que em grande parte delas é pura ilusão de quem se julga capaz de se espelhar em palavras súperas e em querer tomar a vida desses vocábulos impregnados dela. Mas para quê desfazer a ilusão se nos proporciona um sorriso rasgado no peito? Mas porque não acreditar que algumas delas decorrem de afectos especialmente inventados, de afinidades confirmadas? Mas porquê desfazer o sonho aberto aquando de algumas das suas leituras? Mesmo que, hoje, não acendam ilusão, há ainda muitas palavras cujo confronto se silencia num suspiro especial por saber terem sido ‘lidas’ antes… Há palavras a que se chegou e de onde não se parte pois não se querer deixar valiosos pedaços de nós perdidos no esquecimento.
Pas[ç]sos
[mesmo sabendo que é preciso respeitar a decisão, estou zangada com o Pas[ç]sos um dos primeiros comentadores deste blog. é que somos contemporâneos nestas andanças e pronto. estou zangada. mas é só com este Senhor! é que o paços d´água vai fazer-me falta. só isso.]
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XIV
[fotografia enviada pelo querido amigo Senhor Dom Grifo Planante. João Menéres, fotógrafo de momentos comoventes e outros dias. mais um cruzamento feliz, na minha vida blogosférica]
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XIII

Pediste-nos palavras essenciais. Aqui vão:
O que me enterneceu nesta imagem foi o sorriso cúmplice e a mão que se levanta para um gesto de carinho! O essencial é esta partilha! De uma vida cumprida! A mesma que eu espero ter com a pessoa que amo!
Um beijo, Querida Marta.
Parabéns por este planeta.
K
[ele diz que lá, coisa estranha, nada acontece. e, às vezes, fica mesmo muito tempo sem acontecer. mas quando acontece, quando acontece...bem, quando acontece...acontece...]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
quarta-feira, janeiro 27
aniversário XII
Acabei de visitar "Há Vida em Marta". Claro que sim. Há vida e da mais cristalina. Uma vida também límpida, suave, a exemplo de quem lhe dá vida: a minha querida Amiga. Felicitações. Depois, demandei Almendra, a sua serena luminosidade. Imagens colhidas pela Celina (que desconhecia), outras igualmente muito belas. Ah, fala do doce de amoras. Um amor. Amor-amor(as). Bendito prodígio da natureza.
Bem, quero lembrar-lhe que, com a confusão do jantar [...], acabou por ficar em Leça um frasquinho dessa compota que lhe estava (E ESTÁ) destinado. Quanto à terra donde a lambarice vem, já sabe: é minha, é sua, é de quem nela respira a autenticidade de um lugar e das suas gentes. Daí, quando quiser, vá até Almendra. Tem casa ao seu dispor. Beijinhos com maresia,
Alfredo Mendes
e é. é a minha grande bênção. amigos assim. janelas serenas para o azul]
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário XI
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
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aniversário X
Que o teu blog viva em Marta, em Marte e em nós todos cá na Terra, com muitos posts e longos anos de vida.
[este "postal" é da querida Patti, autora de textos deliciosos, lá no Ares. e com um jeito muito especial para escolher imagens...olhem bem para esta ;)]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário IX
primeiro parabéns pelo aniversário e pela ideia.
Passaram-me tantas palavras pela cabeça: amor, solidariedade, amizade, alegria, sorriso, paixão, ... e para cada uma, um argumento se instalava: e quando o amor acaba e a amizade se enfraquece e a solidariedade esquece de se vestir e a alegria desvanece como a morte e o sorriso só sabe chorar e a paixão deixa de aquentar?
Percebo que depois de tudo, quando só há escuridão, o essencial é acreditar.
[fotografia e texto da minha muito querida amiga Zaclis. que não está só na minha vida. também está aqui.]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
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aniversário VIII - Da Razão dos Simples

À Marta e ao Geoff
Dos fundos dos mares, do fundo navegável
Do meu ser errante.
Há muito que temia ser navegante
Neste amável mar de estelas primeiras
E antes eram palavras
Agora a manifesta asafia,
Que pretensamente
Prende a apoucada letra
Ao caminho do seu curto cordel
De linho e ráfia,
A vontade dos simples,
Que no onirico sublinhado da vida
Que sulca e mente,
Regressa.
Erguido duma qualquer urgência
Colocada na alma que se atravessa,
Dos simples
Contam-se aqueles que não sucumbiram
Às imposturas da idade e pela
Cadência das ilusões, partiram
E não regressaram.
Uns cansados
Outros desgastados pelo ritmo das estações,
Aos restantes restam as canções
Que nas indistintas madrugadas
E nas indistintas idades,
Fizeram da palavra, da esquecida cadência do peito,
A construção da poesia
A obra do mundo que ergue as cidades,
A pequena multidão que pela vontade
Regressa do fundo da alma e
Do mais longínquo ponto do horizonte
Fará nascer o reino onde as letras
Sem margens, nem rios, ou sejam,
Sem nada aparentemente
Por ligar, as letras essas serão a própria ponte,
O ligar, a fantasia, o regressar
Porque ontem foi lá longe
E o regresso é sempre outro dia.
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
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aniversário VII
Um pouco mais de sol — eu era brasa.
Um pouco mais de azul — eu era além.
Mário de Sá-Carneiro
[pinturas enviadas pela artista plástica Leila Pugnaloni, autora não só destes quadros mas, também, dos desenhos pelos quais - não é segredo - me apaixonei perdidamente.
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
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aniversário VI
[Porque o seu blog, ou os seus "solos" também me têm oferecido momentos MUITO agradáveis.
Parabéns. Leigo]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário V
[desenho da autoria de Filipe Mora, uma das minhas primeiras afinadades blogosféricas.
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário IV
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário III
"Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de atividade (diz-se das pessoas e das coisas)".
E sim. Posso confirmar: Há vida em Marta!
O universo virtual sempre me proporcionou muitas descobertas maravilhosas. Muitos lugares aconchegantes, receptivos, calorosos...
E encontrei um portal, por um acaso, que me levou à Marta. Era como uma casinha de sapê dentre árvores. Dentro fazia um friozinho gostoso. E cheirava a café quentinho. Não deixei mais de visitá-la.
Ah, Marta! Como é linda a maneira com que tece as palavras. Fala tão belo de artes, música, literatura e de tudo, tudo.
Encanta-me muito este cantinho. E a cada dia estarei a visitá-lo.
Porque se há mesmo vida em Marta, estarei sempre a conferir.
[imagem e texto enviados por Hilana Fontineles. Teresina - Piauí,Brasil]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário II - sábios olhos
Fiz-te rainha de meus castelos
Que da cova, a graça, me arrebentam os elos;
Tesouro vivo que tantos pedem a Deus.
Caravelas de ninfas vindas dos céus
À terra de homens, combatentes velhos,
Deixando-as pousar com total esmero:
Assim me foram os olhares teus...
Fulgor límpido da aurora de astros viventes,
Iluminara este palácio meu envolto por serpentes,
Mas esquecera que à porta foi posto mil frades...
Por isso, ando deste amor já descrente,
Deste amar que tu não o sentes,
Mas que só teu olhar, o sabe.
Alan Felipe
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
aniversário I
a festa de aniversário - 1 ano - deste blog começa agora.
quando termina? não sei :)
um ano com muitas histórias dentro.
garanto-vos!
ontem, aconteceu mais uma.
que me emocionou muito.
tem a ver com a vida secreta das palavras.
um dia, se me deixarem, conto.
obrigada,
queridos visitantes. obrigada por tudo.
e "façam o favor de serem muito felizes".
Escrito/editado por Marta 14 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
terça-feira, janeiro 26
Para falarmos do meio de obter o poema
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste.
Nuno Júdice in Geometria Variável, Dom Quixote, Lisboa, 2005
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Nuno Júdice, poemas
segunda-feira, janeiro 25
Parada Cardíaca
Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.
Paulo Leminski
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Paulo Leminski, Poemas que sinto
sábado, janeiro 23
deixem-me palavras essenciais. as vossas.
Livros, jornais, revistas, cartas, até post-its!
[Papel. Eu sou dependente de papel. Escrito e em branco.]
Bom...dizia eu que sempre fui mais de almoços, jantares, uma esplanada ao fim da tarde...mas não é por aí que quero ir... Agora.
Para mim, que sou muito mais de segurar na mão, de dar um abraço, os afectos virtuais que criei através deste blog são tão deliciosos quanto incríveis.
Para mim, que gosto de ver o jogo de costas voltadas para o campo, ver o rosto da multidão, ler-lhe os sinais, sentir-lhe a respiração, este blog é um estímulo à imaginação.
Para mim, que me encanto e desencanto com o pulsar das pessoas e dos ambientes, com o burburinho dos lugares, com os aromas em volta, este blog, é um mistério. Este blog e os bastidores deste blog.
Este blog trouxe-me pessoas extraordinariamente talentosas, inteligentes, sensíveis, bem-humoradas. Não interessa se um dia nos vamos olhar nos olhos. Provavelmente não. Interessa que nos cruzamos. E concordamos e discordamos. E aprendemos. E nos sentimos próximos ou distantes. Não importa.
Depois foi a leviandade com que o fiz. A ligeireza. A falta de compromisso. Uma amiga que chega ao pé de mim e diz, saudando-me, como só ela o fazia: “há vida em marta”! E ficou assim. HÁ VIDA EM MARTA. Um blog. Depois, outra amiga, ajudou a arrumar a casa. A escolher cores, funcionalidades. E eu longe de chegar aqui.
E de repente criei laços, desfiz nós, aproximei-me de pessoas e passei a gostar delas, ou melhor, do blog delas, ou melhor, dos caracteres delas, dos desenhos delas, das fotografias delas, como se fossem olhares, gestos, toques. Criei afinidades com quem não conheço. Aprendi com ilustres desconhecidos – meu deus – senti saudades de quem, provavelmente, nunca verei. Mas também me aproximei de pessoas que amo. Muitíssimo.
[Tanto que tinha para dizer. Aqui.
-Olá Nina! Gosto tanto da nossa história. E é tão bom sabê-la tão perto.
Por exemplo.]
Estou louca, pois claro! Agora, «o meu coração [também] pertence a estranhos», como escreveu Alexandre Gamela.[
- Olá Catarina! Correu bem o doutoramento? Tenho pensado nisso. E no teu e-mail.
Por exemplo.]
Só não me interno, porque este blog mudou a minha vida! E isso é um facto. E contra factos... Mudou, como quem muda o trilho do comboio. Mudou, como quem contribuiu para tomar decisões. Profissionais. [agradeço especialmente a três pessoas. Muito. Uma conheço-a; as outras duas não! Um dia falarei disso.]
Podia fazer de conta e deixar-me deste arrazoado todo. Deste pôr o coração em cima da mesa como se fosse uma carta de jogar, cheia de razão, na sua simbologia.
[se o Prof. Funes conseguir ler até aqui, deve estar como um vendaval…]
E, agora, faço -vos um convite, através das palavras do enorme Virgílio Ferreira.
"Quais são as tuas palavras essenciais? (…) As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. (…). As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha".
[deixem-me palavras essenciais, sim? as vossas.
dia 28, editarei tudo.
de assinalar que faz um ano que estou aqui . que me encontro. convosco. e comigo.
e foi bom, muito bom. boníssimo :) bom e importante. mesmo muito importante.
obrigada. muito obrigada]
imagem: Leila Pugnaloni
Escrito/editado por Marta 28 Terráqueos
Etiquetas: afectos, aniversários, blogs
Sugestões de leitura em 1885
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: António Nobre, livros que ando a ler
sexta-feira, janeiro 22
Paula Rego em Évora
Uma exposição com 39 obras de Paula Rego [da colecção de Manuel de Brito] inaugurou, ontem, no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora. Pode ver-se até ao dia 23 de Maio.
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Paula Rego
Estante Acidental

Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio




























