segunda-feira, março 26

É Primavera, agora, meu Amor!




É Primavera agora, meu Amor!

O campo despe a veste de estamenha;

Não há árvore nenhuma que não tenha

O coração aberto, todo em flor!




Florbela Espanca in Antologia Poética, *Kalandraka, 2011

imagem: Joana Rêgo



*para assinalar o Dia do Livro Português

segunda-feira, março 21

Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...


[...]
 
Pus rosas cor-de-rosa em em meus cabelos...

Parecem um rosal!

Vem desprendê-los!


Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...



Florbela Espanca


imagem: Carl Larsson

sexta-feira, novembro 19

Longe de ti

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Florbela Espanca
imagem: Vilhelm Hammershøi

domingo, outubro 24

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca



imagem: Amedeo Modigliani

sexta-feira, outubro 2

É ter cá dentro um astro que flameja


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
imagem: Google