sábado, dezembro 19
Casa das Histórias
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Casa das Histórias, memórias, Paula Rego
quarta-feira, agosto 26
Um Mini azul escuro e um casaco vermelho
fico sempre num sobressalto a pensar se será o meu ou não. Adiante.
Na hora do almoço fui a um dos tasquinhos onde costumo comer qualquer coisa e apanhei o final do noticiário da RTP. Fechou com a notícia de que o Mini faz 50 anos. Acho que era isso. A dado momento deixei de ouvir. Não só porque o som estava estranhamente muito baixo mas porque, num ápice, fui remetida para a minha infância.
A minha mãe tinha um Mini. Azul escuro, de estofos claros. E dizia-nos a mim e ao meu irmão [os mais novos ainda não tinham chegado] que não podíamos comer gelados lá dentro, por causa dos estofos. No dia em que o carro chegou – lembro-me perfeitamente – novinho em folha, eu e a minha mãe fomos à costureira. Às vezes a costureira ia lá casa. Aliás, a penúltima prova do meu casaco vermelho, de pelo, quentinho, tinha sido feita num dos quartos que tinha um espelho enorme, o do guarda-vestidos. Estávamos no mês de Setembro e as aulas começariam, em breve, no colégio. Aquele colégio do baloiço azul todo debruado a ciprestes verdes.
Nesse dia, em que o Mini da minha mãe chegou, ela estava mesmo contente e fomos à Candidinha. Acho que fomos fazer tudo o que a minha mãe podia fazer naquele fim de tarde ao volante do seu Mini.
Estacionou e lá fomos nós, de mão dada, à costureira mais faladora do mundo. A minha mãe fez mais uma prova do seu saia-casaco e eu vesti o meu casaco vermelho, a três quartos, já pronto a levar para casa. Vesti-o sob o olhar de ternura da minha mãe e o olhar atento da Candidinha.
A Candidinha, feliz, a abotoar-me o casaco, até à golinha, enquanto dizia: quem é que vai ficar tão linda, tão linda, quem é? O casaco tinha uns botões vermelhos, redondos como cerejas e eu a olhar ora para o espelho ora para o casaco, com uma imensa vontade de chorar.
A minha mãe, agora da minha altura, a procurar os meus olhos e eu com eles rasos de água e a minha mãe a perceber, a perceber, até que as lágrimas me caíram cara a baixo e, num instante, já soluçava.
A Candidinha a perguntar e, então Martinha, dói-te alguma coisa, filhinha? Tas tão bonita, de casaco novo, o que é que te dói? O que é que a menina tem?
E eu, ainda cheia de soluços, dentro do meu casaco de pelinho vermelho, cheia de calor, disse à minha mãe, muito baixinho, que não queria aquele casaco. E a minha mãe, a perguntar-me porquê, se era tão lindo e me ficava tão bem. E eu, ainda mais baixinho, disse-lhe que não gostava dos bolsos, que os bolsos não eram assim, eram de papel. A última vez que eu tinha vestido o casaco, os bolsos eram de papel, presos com alfinetes a toda a volta e, agora, nem bolsos de papel nem alfinetes e eu tinha sonhado com o casaco, assim, com bolsos feitos de papel de jornal, onde com jeitinho, haveria de conseguir meter as mãos.
Escrito/editado por Marta 15 Terráqueos
Etiquetas: Crónicas de uma marta anunciada, memórias, Mini
terça-feira, maio 5
Vasco Granja - Uma vida mil imagens
Claro que estou triste! Ainda me recordo bem dele! Para mim, todos os desenhos animados do mundo, viviam em sua casa. Os dos países de Leste, Oeste, Norte e Sul. Todos, na casa do Vasco Granja. E quando ele aparecia era certo de que, com ele, apareciam imensos personagens afáveis como o seu sorriso. Tantas vezes o imaginei a ter grandes conversas com a Pantera Cor-de-Rosa, a minha preferida.
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: Cinema de animação, Desenhos animados, memórias, Vasco Granja
domingo, maio 3
Lisboa, a minha mãe e o Sporting
Esta música é para a minha mãe. Ela adora Carlos do Carmo. E suspira, de vez em quando, por Lisboa. Viveu lá. Estudou lá e, foi por lá, que se fez sportinguista! É verdade! Gosto de a ouvir contar histórias. Tanto! Há uma, de Lisboa, de que gosto especialmente por me parecer surreal! A minha mãe foi muitas vezes a Alvalade. Ela e os primos. Levados por um tio - padre - que era Deus no céu e o Sporting na terra! Tanto que - agora sentem-se, por favor, porque é verdade - quando o Sporting perdia, o tio Zé Luís, mandava retirar as cortinas das janelas, substituindo-as por panos pretos! A casa, diz a minha mãe, ficava um mausoléu. Já quando o Sporting ganhava ninguém lhe conseguia estancar a felicidade. Era o céu. A verde e branco! E é por isso que, ainda hoje, a minha mãe segue com devoção discreta e afincada o clube dos leões! Mas, graças a Deus, não muda as cortinas, sempre que o seu clube perde!
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: Carlos do Carmo, Mãe, memórias, Sporting
quinta-feira, abril 9
A Páscoa pelos rituais
do seu sorriso.
Escrito/editado por Marta 18 Terráqueos
segunda-feira, março 9
Comboios: uma viagem a fazer; outra que fiz
Ainda hoje uma linha de ferro me faz sonhar. E procuro uma estação de comboios, como quem procura um santuário. Sempre que visito uma nova cidade.
Partíamos. Ainda não sabíamos mas partíamos juntos.
Conhecemos tão bem o mesmo calor seco e apertado que se renova com as searas.
Ambos sabemos como é sagrada a sombra da figueira. O corso do rio. A vindima.
É inevitável. À porta dos dias dez de Março da minha vida, tu sais do museu vivo que tenho cá dentro. E nem os milhares de letras que nos escrevemos, em cartas de papel,
Exactamente como naquele dia em que comemoramos o centenário da linha-férrea do Vale do Tua. Com palavras, sonhos, a mesma paixão. A mesma linha a ligar-nos os dias.
O coração sibila e dele sai um cavalo de ferro.
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
sexta-feira, fevereiro 20
O nome das maças
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar, memórias








