domingo, fevereiro 6
Sobre o Poema
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Herberto Helder, Poesia
queria ver Black Swan...
[... mas estava esgotado e, então, sobrou este...uma comédia romântica... que se vê muito bem :)]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
...pois claro que quero...
«Desde 1993, ano que viu surgir três trabalhos de referência sobre a obra de Jorge de Sena, na Universidade do Porto e na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, que não havia uma tese universitária com a importância desta. Mécia de Sena, com a habitual economia de expressão que a caracteriza, definiu-ma como “um monumento”. Com efeito, a partir de agora, não é mais possível ler e estudar Sinais de Fogo, ou mesmo abordar alguns aspectos da obra multímoda de Jorge de Sena, e em especial a questão fulcral do erotismo, sem fazer referência a esta investigação de Jorge Vaz de Carvalho, que veio suprir uma lacuna imensa no estudo e na recepção de um dos romances fundamentais do século XX.»
Do Prefácio, de Jorge Fazenda Lourenço
«De toda a criação literária de Sena, a menos favorecida comparativamente pela investigação é o romance único e inacabado Sinais de Fogo. Embora haja sobre ele estudos parciais, faltava, sem dúvida, um trabalho mais volumoso e profundo sobre este que consideramos um dos mais notáveis romances da literatura em língua portuguesa.»
Da Introdução, de Jorge Vaz de Carvalho
Jorge Vaz de Carvalho, além de músico de carreira internacional, é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Clássica de Lisboa, Mestre em Literaturas Comparadas pela Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em Estudos de Cultura pela Universidade Católica de Lisboa. O seu trabalho literário inclui obras de poesia (A Lenta Rendição da Luz, Relógio d’Água, 1992) conto, ensaio e tradução (Ciência Nova de Giambattista Vico, Fundação Calouste Gulbenkian, Prémio de Tradução Científica e Técnica FCT/União Latina 2006; Canções de Inocência e de Experiência de William Blake, Assírio & Alvim, 2009; Vida Nova de Dante Alighieri, Relógio d’Água, 2010). Exerce constante actividade de articulista e de conferencista, no país e no estrangeiro. Foi Director da Orquestra Nacional do Porto e Director do Instituto das Artes. É professor e coordenador científico da área de Estudos Artísticos da Universidade Católica Portuguesa.
Desviado daqui
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, Jorge de Sena, livros
sábado, fevereiro 5
porque sim
[...porque me dizem muitíssimo...tanto tanto destes desenhos...]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
sexta-feira, fevereiro 4
quarta-feira, fevereiro 2
A Arcádia em Lisboa
A Arcádia no Porto é a Arcádia no Porto. Todos sabemos. Bombons, línguas de gato e, diz a Xana, bolo de chocolate...que eu ainda, estranhamente, não provei. Agora, a Arcádia abre portas em Lisboa. A um chá de inverno, na Arcádia de Lisboa, só lhe faltará o nevoeiro do Porto e um frio, mesmo frio que vem do Douro. Na corrente. De resto, as línguas de gato cobertas com chocolate negro serão igualmente deliciosas. Mas uma Arcádia em Lisboa é assim algo que me baralha um bocadinho. É assim tipo levar a Torre dos Clérigos para o Terreiro do Paço ou a Lello para a Duque de Loulé. Eu sei, eu sei são os mercados, a economia e a sua mão invisível. Pois é, tem de ser. A bem da nação! E da dieta dos lisboetas, agora, muito mais rica. Em doces calorias.
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: coisas que combinam comigo
Quadrado
Pensada na parede
Deixai-me com a luz
Medida no meu ombro
Em frente do quadrado
Nocturno da janela
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: poemas, Sophia de Mello Breyner Andresen
a noite pede música
[sabem quando acordamos com uma música e ela não nos larga o dia todo? pois é! e com ela saudades fora de época, como cerejas no inverno e tal. as saudades deviam ser calibradas, pelas normas da UE! escolhia umas bem pequeninas, quase, quase que não se sentissem.
vou mas é fazer a mala...]
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
eu e o Quasimodo ou o Quasimodo e eu. tanto faz.
[...na verdade, fiquei com a certeza de que somos muito parecidos. eu e o Quasimodo! não tenho nada de Esmeralda. nem a cor... de que tanto gosto!]
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
terça-feira, fevereiro 1
...uma imagem...
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: coisas [que passaram a ser] minhas
...a literatura viverá enquanto alguém...
«a verdade é que se olharmos bem, a literatura viverá enquanto alguém que se dispuser a escrever uma simples carta duvide uns instantes da maneira de tornar verosímil o que nela se propõe dizer. e no pior dos casos, embora supondo que as pessoas deixem de escrever cartas, a literatura não morrerá se entretanto os poetas, para além de escrever, saibam ler. quer dizer, senhoras e senhores: os poetas não morrerão, precisamente porque morrem.»
Enrique Vila-Matas in História abreviada da Literatura Portátil
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Enrique Vila-Matas
o "meu" alfa pendular
[...e se eu não gostasse tanto de andar de comboio, de comboios, de estações de comboio e de ler no comboio ... já me teria cansado ...]
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
E quando agora levantar os olhos deste livro...
[...] E quando agora levantar os olhos deste livro,nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.
Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens" , tradução de Maria João Costa Pereira
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: poemas, Rainer Maria Rilke
Certos amores...
(...)
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima».
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Fernando Assis Pacheco


Em Portugal, arrancou hoje, no Fórum Picoas, em Lisboa. Até dia 9.



