quarta-feira, julho 1

E se a Terra tivesse um condomínio?

Se a Terra tivesse um condomínio, juro que mudava para Marte! Vai daí que o administrador do do meu prédio mandava o CV e chamavam-no! Arre! Que pesadelo! Eu que sonho com o dia em que vou virar excêntrica e a primeira coisa que faço é deixar de ser condómina! É que não há pior coisa para ser ser!!
Agora a sério. Aliás, mais a sério: espreitem aqui!
Nos dias 4 e 5 de Julho a questão - como organizar a vizinhança global? - será debatida.

Brindo!

[Como sempre, contigo, brindo com este! Estou muito FELIZ - sim, feliz - com a notícia. Com mais uma partilha. Com o novo caminho que se abre na tua vida. Na vossa vida.
ps. adoro.vos. eu sei que sabem!]

Corrente de ar

De Lopes ou de Bocage! Tanto faz! Grande, grande, muitíssimo grande actor!
imagem: apc

terça-feira, junho 30

O que o dia deve à noite


Foi o título que me agarrou ao livro. Não gosto da capa. Não conhecia o autor. Peguei nele, sem sentir o peso da grande história que tem dentro. Paguei e saí da livraria. Juntei-o aos outros dois que levei para férias. Li este e outro. E já há muito tempo que não tinha a sensação de ter efectuado duas viagens tão fantásticas. Seguidas. Uma massagem, duas refeições e umas braçadas na piscina foram a escala para sair de um livro e entrar noutro. Para sair da Colômbia e entrar na Argélia colonial [1936/1962]. Para conhecer a escrita poderosa de Yasmina Khadra. No fim do livro senti que tinha vivido intensamente aquelas vidas todas. Estava cansada, muito cansada mas muitíssimo satisfeita e triste e feliz. E então pensei que se quando morresse, [velha, sábia e serena] sentisse algo semelhante relativo à vida que vivi, era bom. Muito.
E, claro, no meio de toda a história política, contendas violentíssimas, desolação e paixão, religiões e culturas, desenrola-se a história de amor de Younes ou Jonas e Émilie. Tão incrível que ninguém - nem o próprio autor - me demoveria de acreditar que tudo o que li aconteceu. Aconteceu e Yasmina Khadra teve o dom de o converter em literatura. Pura.
Não consigo dizer mais. Só lendo. Só sentindo. E senti tanto que ainda me dói aqui. No peito. Tamanha foi a sofreguidão com que o li.

mais montanhas de mimo blogosférico



Oferecido por Sight Xperience

E, como sempre, não cumpro as regras e ofereço os meus selos a todos os blogs que leio/linko. Podem levar, porque merecem :) Quanto a escolher 5 situações da vida para passar em câmara lenta - Maggie, Maggie - vou pensar e venho aqui dizer! Está bem? Desafio aceite!
A todos muito obrigada! é só mimo...um dia destes, ninguém me atura ;)

Pedaço de céu I



O que é nacional é bom! Vá pra fora, cá dentro! Foi o que fiz!

segunda-feira, junho 29

Benuron party

Mesmo no fim das férias, fazem-se descobertas extraordinárias!
Eu conheço uma pessoa que toma Benuron como quem dá cá um halls! Um Benuron para quando não dói, um Benurom para quando há a possibilidade de doer, dois Benurons para quando dói efectivamente. A cabeça! O braço, a perna, a alma! Não importa! O importante é ter Benuron sempre à mão. Eu conheço uma pessoa que não se desloca sem Benurons no bolso, na mochila e numa terça parte da mala de viagem! Uma pessoa que inclui os Benurons na lista de super-mercado e/ou em qualquer lista que faça! Uma pessoa que oferece Benurons, como quem oferece pipocas! Uma pessoa que louva o Benuron como se fosse o deus do está resolvido! Melhor: a senhora dos remédios! Conheço uma pessoa que não precisa de médicos porque existem bulas médicas! Pessoas sui generis, digo eu, que tomo um BenuroN por ano!
Agora não conheço só uma pessoa. Conheço duas! O Pedro e o João gostam tanto, mas tanto de Benuron que resolveram organizar a Benuron party! Pelo sim e pelo não. Para prevenir! Não nos faltem noites temáticas.[Nem Benurons!] Verão adentro. Noite fora!
[as inscrições estão abertas] ENTRADA: uma caixita! Dentro da validade, claro!

faz de conta

Faz de conta que a minha secretária não está assim!
E faz de conta que o regresso não me está a custar nadinha!
Foram poucos - é certo - mas foram muito bons! E não é preciso fazer de conta quando fecho os olhos e me imagino, ainda, no pedaço de céu a que tive direito POR ESTES DIAS! Eu depois explico! Tudinho. Para já SAUDADES. Vossas. Que começarei a matar ainda hoje, ao anoitecer.

domingo, junho 21

Uma quadra popular, pró S. João festejar

Em muitos muitos anos, é a primeira vez que não vou estar no Porto em noite de S. João!
Vou de férias. Mas aqui dentro, só de pensar nessa noite
...ah...
[Grupo dos Guindais estou convosco!]
Agora, o que vos deixo é um desafio:
puxem pela vossa veia António Aleixo e - vá lá -
deixem aqui uma quadra popular
para celebrar o S. João, de longe,
quando vier cá espreitar :)
água na boca. sardinhas suculentas. no São João do "meu" Porto...

balões acesos. com muitos desejos dentro...

cascatas de manjericos. aroma de manjerico na palma da mão...


Ó Anjo da minha guarda
Quem vos varreu o terreiro?
As cachopas de Alpedrinha
C'um raminho de loureiro.


S. João adormeceu
Debaixo da laranjeira,
Cobriu-se todo de flores,
S. João que bem que cheira.


Na noite de S.João
Vou fazer uma fogueira
Com folhas de verde louro
Com rosmaninho que cheira.


Hei-de deixar ao relento
Uma folha de figueira
Se S. João a orvalhar
Hei-de encontrar quem me queira.

in Velhas Canções e Romances Populares Portuguesesde Pedro Fernandes Thomás,
Coimbra: F. França Amado Editor, 1913
imagens:
1) sardinhas [ Sonja Valentina ]
2) balão [Inês Cunha Salgueiro ]
3) manjericos [ Carlos Silva]

eu volto daqui a nada

este blog está a minutos de fazer uma!
para férias! mas sabem o que mais me está a custar nesta partida... algo a que nunca falto...

Queria tanto entender


« [...] No Santo Sepulcro não sentes nada. Eu não senti nada. As pessoas beijam uma lage que foi ali colocada no princípio do século XIX. Beijam a laje como se ela fosse o local exacto onde o corpo de Cristo foi depositado. Não acredito. As diferentes igrejas de índole cristã disputam o espaço do Santo Sepulcro, há uma custódia repartida, como se o espaço fosse uma criança e as igrejas os seus pais separados. Chamam-lhes Status Quo. Para que não haja lutas e desavenças as chaves do Santo Sepulcro, duas chaves, foram entregues a duas famílias muçulmanas há novecentos anos. Todos os dias, às cinco da manhã, abrem a porta velha e vão à sua vida, deixando os peregrinos e os padres fazerem a sua. Regressam às sete e fecham a igreja da discórdia.

É aqui também que se crê estar o Centro do Mundo, simbolizado por uma bacia com água. Olhei-a longamente e, aí sim, senti que perante aquela bacia tosca, de pedra velha, podia estar uma ideia maior que o Homem. O centro do mundo deveria concentrar tudo o que temos de melhor. Os turistas acotovelam-se para ver. Os franciscanos cantavam qualquer coisa. E eu fiquei ali. Queria tanto entender[...].Chegas ao Muro. Homens do lado esquerdo com os kippa na cabeça, mulheres do lado direito. As mulheres são muito novas. Andam de trás para a frente e enfiam o rosto no «Livro das Lamentações» e não lêem, debitam, e é um choro constante que impressiona e arrepia. Os cânticos fúnebres, kinot,enchem-me os olhos de lágrimas. Lembro-me da minha mãe. Saio da zona do Muro às arrecuas, para não ofender a Deus.

Deixo um recado no Muro. Trabalhei nele uma noite inteira. Não sabia o que dizer. Escrevi: Perdoa-me, devolve-me a paz que tinha quando estava no teu regaço, no seio da minha mãe. Deixa-me. Encontra-me. Não posso continuar assim. Ouve-me hoje. Ajuda.me amanhã. Não sei se acredito. Não te minto. Mas hoje ouve o meu coração e junta-o ao teu [...].

Nota 1.[excertos do e-mail que Sara envia à sua amiga Madalena, dando-lhe conta das suas impressões sobre o que viu e sentiu em Israel]

Nota 2. [livro a ler até 11 de Julho, data agendada para o jantar-tertúlia-abrótea-com-maionese-de-toranja. Senhoras e senhores é favor lerem :) Gracinha, eu já sei que o tens...alguém ofereceu ;)]

Conheço o sal


Conheço o sal da tua pele seca

depois que o estio se volveu inverno

da carne repousando em suor nocturno.

Conheço o sal do leite que bebemos

quando das bocas se estreitavam lábios

e o coração no sexo palpitava.

Conheço o sal dos teus cabelos negros

ou louros ou cinzentos que se enrolam

neste dormir de brilhos azulados.

Conheço o sal que resta em minhas mãos

como nas praias o perfume fica

quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca,o sal

o sal da tua língua,o sal dos teus mamilos,

e o da cintura se encurvando das ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,

ou é de mim em ti,ou é de ti em mim,

um cristalino pó de amantes enlaçados.


Jorge de Sena
imagem: Google [desconheço o autor]

sexta-feira, junho 19

O solista - o poder redentor da música


Chama-se Steve Lopez, é jornalista. E como tantos jornalistas por esse mundo fora, escreve livros.Trabalha aqui. Eu leio-lhe as crónicas, desde o passado mês de Dezembro.
Ofereceram-me um livro dele no Natal e, num ápice, devoreio-o. Lopez escreveu O SOLISTA.
O filme vem aí. Dizem. Era para Fevereiro. Li algures. Depois, Abril. Não sei. Estou atenta.

Filme, filme, só mesmo o meu. O que fiz enquanto li o livro. É sempre assim, não é? Nós imaginamos aquilo tudo. Cada livro que lemos é um filme que realizamos. Acredito que é, só porque acontece assim comigo. E a maior parte das vezes não temos oportunidade de conhecer o personagem. As personagens. Os cenários. Com o Solista, temos. Nathaniel Ayres existe. E tudo o que tem para viver, cabe num carrinho de super-mercado. O seu génio é que não.

Gostei tanto tudo. Do livro. E eu não gosto muito de um livro sempre pela mesma razão emoção. Nem pouco mais ou menos. No caso, a veracidade da história, a força que tem, os sentimentos que provoca, contribuíram para a minha paixão. «Um sonho perdido, uma amizade improvável e o poder redentor da música». A história de dois homens que se cruzam. Um músico brilhante, ex-aluno da Juilliard cujos neurónios, um dia, queimam! Um jornalista que quase enlouquece, para o tirar da rua. Inteligente e com sentido de humor, Lopez narra uma história que dá a conhecer o lado interior das ruas de Los Angeles. E alerta para o problema das doenças mentais da população sem-abrigo. Que a sociedade tem e terá de enfrentar. Tantas vezes sem condições; outras tantas, sem conhecimento...


«Não precisava que ele me pedisse desculpa. Só precisava de saber que a nossa amizade continuava a ser importante para ele». pag.226

Tempo de cerveja

As cervejas estão a ficar como as águas!
Complexas. Diversas. Múltiplas.
De todas as cores e sabores. Imensas.
Só falta mesmo uma cerveja para emagrecer!
Eu que há muitos anos, aprendi a gostar de cerveja numa esplanada transmontana, onde a possibilidade era só uma – Super-Bock com tremoços – fico sempre surpresa com as novas invenções. Confesso, a de sabor a pêssego não me entusiasma.
Nunca a provei. Nem faço intenção.
Gosto muito de pêssegos. E gosto muito de certa cerveja. Numa garrafa, não me convencem.
Gosto de cerveja preta. Gosto da Stout. E gosto também da Bohemia. E, claro, sempre, da Super-Bock com tremoços. Em recipientes diferentes. Entenda-se. São sabores afectivos.
Como o da Bud - para os amigos - em certos-fins-de-tarde-mais-citadinos-da-minha-vida.
E com ela, contra o tempo, chegam-me as saudades das conversas com a Cláudia. Ali na Foz. Numa esplanada qualquer frente ao mar. Aromas invadem a memória. Fermentam num coração Atlântico. Muito fundo, ao sol. No teu sorriso, uma brisa muito quente.

Para a Malina

com saudades. das palavras. e das partilhas. só isso. ossos do ofício. [inquieto.] de blogger!

quinta-feira, junho 18

Confissões inconfessáveis

Estou viciada nestas. Exactamente nestas! Uma vergonha! Ando nisto. Mastiga e deita fora...e juro que não é nenhuma homenagem aos TAXI! podia ser. que eu - claro - gosto deles! muito. mas não é! é o sabor. mesmo! é viciante!

Quando a criança era criança

Para a Mathilda

Quando a criança era criança

caminhava agitando os braços,

Queria que o riacho fosse um rio,

o rio uma torrente,

e esta poça, o mar.


Quando a criança era criança,

não sabia que era uma criança,

tudo lhe parecia ter alma,

e todas as almas eram uma só.


Quando a criança era criança,

não tinha opinião para nada,

não tinha costumes,

sentava-se com as pernas cruzadas,

corria sobre o solo,

tinha um redemoinho no cabelo,

e não saía mal nas fotografias.


Peter Handke


Nota 1.[tradução da querida Amazonas Stereo, uma mulher muito perspicaz, bonita e inteligente. digo eu, que não a conheço, mas sou dada a estas certezas...]


Nota 2.[poema lido pelo anjo Damiel no início do filme Nas Asas do Desejo, Wim Wenders. poema e filme, dizem-me muito. íssimo.]


Nota 3.[eu adoro a Carroça do Jguitar. lá, para meu espanto, acontecem coisas incríveis! "conhecem-se" pessoas lindas como a Mathilda e a Amazonas :) pois é... há quem lhe chame coincidências! eu e o João não nos conhecemos de agora! nem pouco mais ou menos! já nos cruzamos diversas vezes, em casa de amigos comuns. no entanto, o meu planeta nunca tinha chocado com a carroça dele. ou a carroça dele com o meu planeta! um de nós, anda na rota errada :) ou a carroça do João anda na lua; ou o meu planeta anda muito por terra! mas ainda bem :) ]
imagem: google [não sei o autor]

quarta-feira, junho 17

Agir. Agilizar. Não?

A adopção é uma questão que me diz sempre muito. Muitíssimo.
Li na Visão sobre o caso do Martim. E, depois, por coincidência, através de um blogger que deixou aqui um comentário, descobri este blog. Gostei muito. Gostei bastante. De ler. Tantas reflexões pertinentes. Tanta falta de acção. Agir. Agilizar. Amar. Pelas crianças. Por nós. Não?


«Em Março de 2009, a Segurança Social Registava:
11 mil crianças em instituições
2154 crianças em situação de adoptabilidade
2541 candidatos seleccionados para adopção
101 em vias de integração na família»
imagem: Google
números, fonte: Visão

terça-feira, junho 16

Abrótea com maionese de toranja

E entretanto ando às voltas com a maionese de toranja. E com a abrótea. Não me sai da cabeça. Eu numa reunião e abrótea com maionese de toranja, Eu no trânsito e abrótea com maionese de toranja. Eu no super-mercado e abrótea com maionese de toranja. Eu no cinema e abrótea com maionese de toranja... Uma obsessão!
E a culpa é da Patrícia Reis. Sim, que isto não é só escrever bem. Comover-nos. Fazer-nos rir. E sorrir. Encontrar identificações. E essas coisas que nos prendem. É preciso pensar nas papilas gustativas do leitor. «Coração, Cabeça e Estômago».
Sim, estou cansada, é certo! Mais frágil, portanto. Mas mesmo que não estivesse. Não é assim, caramba! Devia sair uma lei que obrigasse os escritores a indicarem, em nota de rodapé, a morada dos restaurantes que mencionam nos livros. Se existirem, claro. É preciso pensar nos leitores que adoram experimentar novos sabores! A Sara e o Manuel ainda por cima, nem um nem outro pediram o raio da abrótea com a maionese de toranja. Por isso, chuta para canto. Nem mais uma linha sobre o assunto. Não se faz! Juro que nas férias [para a semana], vou à procura de um restaurante que tenha na ementa abrótea com maionese de toranja. Para já, só encontrei a receita. Não é mau. Existe. Dado que um escritor tem o direito e o dever de inventar. Obviamente. E o restaurante pode nem existir de facto! Mas, no caso, o petisco não é inventado! E eu adoro peixe e maionese e toranja. E uma abrótea com maionese de toranja, já me está a saber deliciosamente. Como o livro. No Silêncio de Deus. Li-o em dois dias. Mas eu depois, digo-vos o quanto gostei. Ou o que mais gostei. Tem pérolas dentro. [Só falta mesmo o nome do restaurante]. Agora a prioridade...exactamente! Se souberem onde, é favor deixarem-me a morada. Obrigada!

Silêncio e tanta palavra