quarta-feira, fevereiro 9
Qualquer caminho leva a toda a parte
[...]
Qualquer caminho leva a toda a parte
Qualquer caminho
Em qualquer ponto seu em dois se parte
E um leva a onde indica a estrada
Outro é sozinho.
[...]
Fernando Pessoa
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Fernando Pessoa, fotografia, João Paulo Coutinho, Poesia
terça-feira, fevereiro 8
Falas de civilização
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!
Alberto Caeiro
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Alberto Caeiro, poemas
I am the escaped one
I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.
My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.
Fernando Pessoa
imagem: Jacob Porat
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Fernando Pessoa, Jacob Porat, pintura, poemas
Fernando Pessoa por Jacob Porat
"Homenagem a Fernando Pessoa" do pintor israelita Jacob Porat, que terá lugar entre os dias 3 e 18 de Fevereiro, das 10h00 às 20h00, no Átrio da Universidade Fernando Pessoa [sede].
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Exposições, Jacob Porat, pintura
Sobre as virtudes da esperança...
«Sobre as virtudes da esperança tem-se escrito muito e parolado muito mais. Tal como sucedeu e continuará a suceder com as utopias, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso sonhado dos cépticos. E não só dos cépticos. Crentes fervorosos, dos de missa e comunhão, desses que estão convencidos que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de Deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. Por isso, quem não está satisfeito com o que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, sobretudo os materiais, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e de que a riqueza lhe entrará um dia, antes cedo que tarde, pela janela dentro. Quem tudo perdeu, mas teve a sorte de conservar ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humaníssimo direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como o está sendo o dia de hoje. Supondo, claro, que haja justiça neste mundo. Ora, se nestes lugares e nestes tempos existisse algo que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que se iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, a embalá-la, ou embalados nós ao colo dela. A simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Pense que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias.»
[José Saramago, O Caderno; Caminho, Lisboa, Março 2009]
Desviado, com imagem e tudo, daqui
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, José Saramago
...é por estas e por outras...
Gonçalo M. Tavares, in Mil Folhas, Público, 2005
[...que o acho um grande Senhor. Tal e qual os Senhores que escreve...]
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Gonçalo M. Tavares
segunda-feira, fevereiro 7
Porto Book Stock Fair
23 euros = a 9 livros! Pois é!
Uma equação possível de fazer na Porto Book Stock Fair, a decorrer no Pavilhão Rosa Mota [Palácio de Cristal], no Porto. A organização é da Calendário de Letras em parceria com a edilidade local. Comprei alguns da Cavalo de Ferro. A este, em especial, estou com vontade de lhe pegar. E a um outro do Jorge Amado, com a chancela da D. Quixote. Depois, darei notícias. Entretanto, podem passar por lá até 28 de Fevereiro.
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
domingo, fevereiro 6
porque sim
[porque há pessoas que não conhecemos e nos dizem muiíssimo. até porque é mais ou menos assim...]
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
A ponto de nós termos sido música somente?
Se os sons, porém, não são de devaneio, e sim a inteligência que no abstracto busca ad infinitum combinações possíveis bem que ilimitadas; se tudo se organiza como a variada imagem de uma ideia despojada de sentido;
se tudo soa como a própria liberdade dos acasos lógicos que os grupos, e os grandes números, e as proporções conhecem necessários; se tudo se repercute como em cânones cada vez mais complexos que não desen- volvem um raciocínio mas o transformam de um si mesmo em si;
se tudo se acumula menos como som que como pedras esculpidas em volutas brancas e douradas cujos recantos de sombra são um trompe-l'oeil para que elas mais sejam em paredes curvas;
se uma alegria é força de viver e de inventar e de bater nas teclas em cascatas de ordem; e se tudo existiu na música para tal triunfo e dele descende tudo o que de arquitectura possa existir em notas sem sentido -COMO não proclamar que essa grandeza imensa não é não se comove com íntimos segredos ( mesmo implica que não haja segredo em nada que se faça a não ser o espanto de fazer-se aquilo), é como que uma cúpula de som dentro da qual possamos ter consciência de que o homem é, por vezes, maior do que si mesmo. E que nada no mundo, ainda que volte ao tema inicial, repete o que só foi proposto como tema para se transformar no tempo que contém. Quando, no fim, aquele tema torna não é para encerrar num círculo fechado uma odisseia em teclas, mas para colocar-nos ante a lucidez de que não há regresso após tanta invenção. Nem a música, nem nós, somos os mesmos já. Não porque o tempo passe, ou porque a cúpula se erga, para sempre, entre nós e nós próprios. Não. Mas sim porque o virtual de um pensamento se tornou ali uma evidência: se tornou concreto.
Um concreto de coisas exteriores -- e o espanto é esse -- igual ao que de abstracto têm as interiores que o sejam. Será que alguma vez, senão aqui, aconteceu tamanha suspensão da realidade a ponto de real e virtual serem idênticos, e de nós não sermos mais o quem que ouve, mas quem é? A ponto de nós termos sido música somente?»
Jorge de Sena, Bach: variações Goldberg, Arte de Música (1968)
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, Jorge de Sena
Clube dos escribas
Clube dos escribas no Porto, com a escritora Patrícia Reis
25 de fevereiro,sexta, 18h30 às 21h e
26 de fevereiro, sábado, das 9h30 às 13h
Investimento: 50 euros
Local: rua dos navegantes, 51, Porto
[ transversal da Fernão Magalhães entre a Praça Velasquez e o Campo 24 de Agosto]
MAIS INFORMAÇÕES:
http://vaocombate.blogs.sapo.pt
patricia_reis@netcabo.pt
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, Patricia Reis









