terça-feira, novembro 22

As paredes têm ouvidos by Manuela Pimentel




Manuela Pimentel from Arte Institute on Vimeo.


Um querido terráqueo sabendo que aprecio muitíssimo o trabalho da Manuela Pimental, enviou-me este link que partilho convosco. "As paredes têm ouvidos" (Walls that tell stories)... espreitem e deliciem-se!

a noite pede música

domingo, novembro 20

...e a data apróxima-se...


[...pré-lançamento nacional, Vieira de Leiria, já no próximo dia 26...]

...sobre o livro pode ler-se aqui, por exemplo...

O que é cativar?



- Quem és tu? perguntou o principezinho.


Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.

Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços...

Antoine de Saint-Exupéry




[...para a Sininho...no dia de hoje... :)]

sábado, novembro 19

a noite pede música

...o meu melhor retrato...




comovida e grata. e, para já, sem mais palavras.

«há a lista dos dias, como o índice numa obra»


«há a lista dos dias, como o índice numa obra» [Maria Gabriela Llansol]

Eis os velhos e a sua ementa nostálgica: a lista dos dias com ligações habituais a determinados sentimentos.

A vida como obra individual que escapa ao controlo do artista alheio que vem esculpir a sua vontade efémera sobre o nosso percurso.

Obra individual que respira e não só. Eis estar vivo.



Gonçalo M. Tavares in Breves notas sobre as Ligações, pag.17, relógio d'água, 2009



imagem: Matisse por Robert Capa

porque sim

...alguém me pode ajudar, por favor?

De há dois meses para cá, na maior parte dos blogues, sempre que eu tento comentar,
aparece esta mensagem:

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...inviabilizando o comentário...só consigo comentar via anonimato!!!

Alguém sabe como fazer para que tudo volte à normalidade?

sexta-feira, novembro 18

a noite pede música

quinta-feira, novembro 17

Emigrados na terra, sem mar e sem espaço...


‎Preocupo-me com os deuses. O meu tridente não enxerga divindades. Mesmo no céu, no último reduto que julgava possível eles já o abandonaram. É novo mistério para explicar, para filósofos e religiosos penetrarem no poder das cogitações. Emigrados na terra, sem mar e sem espaço os deuses ficam mais limpos, mais puros, apeados da parafernália dos domingos e feriados.


Ruben A.

a noite pede música

«a corrida quieta da leitura» [Maria Filomena Molder]


Cada livro dá uma velocidade de leitura; como um carro; um livro deveria ter na capa ou na contracapa indicações de velocidade máxima e mínima de leitura: não ler a menos do que vinte páginas por hora, não ler a mais do que quarenta páginas por hora. ( ideia a desenvolver).

Claro que a velocidade engana: livros imbecis, mas também livros perfeitos, podem ser lidos à mesma velocidade, suponhamos: cem páginas por hora. Não é tanto a velocidade potencial de leitura de um livro que dá a sua qualidade, é mais o local aonde se chega com essa velocidade.

E que importa estar num carro que vai a um grande velocidade, se ele chega a um sítio que eu não desejo (rapidamente, é certo)?

E que importa estar num carro que vai a uma velocidade para que os seus passageiros possam apreciar a paisagem, se a paisagem não é relevante?

Contemplar quando estamos em viagem se a coisa contemplada for interessante.

Claro, dirão, ler é bom para os sentimentos, para os abanar: por favor, não introduza dados quantitativos no prazer da leitura.

Porém, não esquecer: o que fez cada um com o que leu à velocidade que leu?

Paisagens e sítios de chegada.

Contabilidade económica da leitura.

(Não podemos ler tudo. Somos mortais, meu caro.)


Gonçalo M. Tavares, in Breves notas sobre as Ligações, pag. 65,  relógio d'água, 2009

imagem: Novak

Traga_Mundos contra a corrente


Dei por eles no facebook! Fui espreitar e gostei muito ...de tudo o que vi e li. Hoje - ele há coincidências! - , recebi um simpático convite para a inauguração! Com pena minha, abre às 18! Pois amanhã estarei em Vila Real sim, mas muito mais cedo, às 9 horas em ponto!
De qualquer forma, desejo as maiores felicidades a este projecto tão interessante e tão contra a corrente...
Irei lá sim, um dia destes, com todo o tempo do mundo... tragar coisas e loisas!
Bem-hajam!
Fiquem a saber tudo, tim-tim por tim-tim... aqui :)

quarta-feira, novembro 16

...já está na agenda?


Sábado, 19 de novembro, Palacete dos Viscondes de Balsemão (à Praça de Carlos Alberto), no Porto. Com Gonçalo M. Tavares.

é bom escrever...


É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão.

Cesare Pavese

a noite pede música

...sim, quero...


[e...está quase a chegar...]

Como quem, vindo de países distantes fora de / si, chega finalmente aonde sempre esteve /
e encontra tudo no seu lugar, / o passado no passado, o presente no presente, / assim chega o viajante à tardia idade / em que se confundem ele e o caminho. [...]


Manuel António Pina

terça-feira, novembro 15

a noite pede música

História dos dois que sonharam


O historiador árabe El Ixaqui narra este acontecimento:

Contam os homens dignos de fé (porém somente Alá é omnisciente e poderoso e misericordioso e não dorme) que existiu no Cairo um homem possuidor de riquezas, porém tão magnífico e liberal que perdeu-as todas, menos a casa de seu pai. Diante disso, viu-se forçado a trabalhar para ganhar seu pão.Trabalhou tanto que o sono venceu-o uma noite sob uma figueira de seu jardim, ele viu no sonho um homem empanturrado que tirou da boca uma moeda de ouro e lhe disse: "Tua fortuna está na Pérsia, em Ispahan, vai buscá-la". Na madrugada seguinte acordou e empreendeu a longa viagem, afrontando os perigos dos desertos, dos navios, dos piratas,dos idolatras, dos rios, das feras e dos homens.Chegou finalmente a Ispahan, e no centro da cidade, pátio de uma mesquita, deitou-se para dormir. Junto à mesquita havia uma casa,e, por vontade de Deus Todo-Poderoso, um bando de ladrões atravessou a mesquita,e meteu-se na casa, e as pessoas que ali dormiam, desesperando com o barulho, pediram socorro.

Os vizinhos também gritaram, até que o capitão dos guardas-nocturnos daquele distrito acudiu com seus homens e os bandoleiros fugiram pelo terraço.O capitão quis revistar a mesquita e lá deram com o homem do Cairo; açoitaram-no de tal maneira com varas de bambu que ele quase morreu. Dois dias depois recobrou os sentidos na cadeia. O capitão mandou buscá-lo e disse: "Quem és tu e qual tua pátria?
"O outro declarou: "Sou da famosa cidade do Cairo e meu nome é Mohamed el Magrebi".
O capitão perguntou-lhe: "O que o trouxe à Pérsia?" O outro optou pela verdade e disse: "Um homem ordenou-me,em sonho,que eu viesse a Ispahan porque aí estava a minha fortuna. Já estou em Ispahan e vejo que essa fortuna que me prometeu devem ser as vergastadas que tão generosamente me deste".

Diante de tais palavras o capitão riu tanto que se viam seus dentes do siso e, finalmente, lhe disse: Homem desajuizado e crédulo, eu já sonhei três vezes com uma casa no Cairo no fundo da qual há um jardim, e nesse jardim um relógio de sol, e depois do relógio uma figueira, e logo depois da figueira, uma fonte e sob a fonte um tesouro. Não dei o menor crédito a essa mentira e tu, produto de uma mula com um demônio, não obstante vens errando de cidade em cidade baseado unicamente na fé de teu sonho. Que eu não volte a ver-te em Ispahan.Toma estas moedas e desaparece.

O homem pegou as moedas e regressou a sua pátria. Sob a fonte do seu jardim (que era a mesma do sonho do capitão ) desenterrou o tesouro. Assim Deus lhe deu a bênção, recompensou-o e enalteceu-o.
Deus é o Generoso,o Oculto.

Jorge Luis Borgesin Livro das Mil e Uma Noites