segunda-feira, outubro 3

Planeta Taron I

 
 
[...] foi como ter conversado com o Chapeleiro Louco. Em vez do chá, pedimos cerveja e amendoins. E ficamos ali sentados à mesa, invisíveis como as memórias de quem não sabe desenhar.

O muro não dividia só multiplicava. Emoções mais emoções e emoções, algumas em quadradinhos minúsculos, como seres unicelulares em reprodução até se formar um país ou um planeta. Em cada traço levantava-se uma história, como habitual. Só que agora foi possível tocar-lhe e, só por isso, foi verdade.
Havia, também, algumas palavras antigas e inquietas. Aconteciam no momento exacto em que se pronunciavam.

Desta vez, ver foi descansar. Sonhar muito perto do coração.

imagem: desenhos de Tiago Taron