quinta-feira, março 28

O meu sonho habitual




Tenho às vezes um sonho estranho e penetrante
Com uma desconhecida, que amo e que me ama
E que, de cada vez, nunca é bem a mesma
Nem é bem qualquer outra, e me ama e compreende.

Porque me entende, e o meu coração, transparente
Só pra ela, ah!, deixa de ser um problema
Só pra ela, e os suores da minha testa pálida,
Só ela, quando chora, sabe refrescá-los.

Será morena, loira ou ruiva? — Ainda ignoro.
O seu nome? Recordo que é suave e sonoro
Como esses dos amantes que a vida exilou.

O olhar é semelhante ao olhar das estátuas
E quanto à voz, distante e calma e grave, guarda
Inflexões de outras vozes que o tempo calou.

Paul Verlaine, in "Melancolia"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral


4 Comments:

Luis Eme said...

não deixes de sonhar.

João Menéres said...

Quando retornas com regularidade, Marta ?

Um beijo num dia que se adivinha ventoso.

António Jesus Batalha said...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Alberto Quadros said...

Olá Marta! Que belo poema que transcreveu. Tem lido alguns da Gabriela Mistral? Vai gostar ainda mais. Um abraço

Porque dar um abraço a quem não conhecemos
É prova de afecto e consideração
Enviar-lhe alguns versos que fazemos
Só pode provir do coração
(Deste seu amigo Alberto Quadros)