segunda-feira, setembro 7

Os livros


em cada página, o teu olhar. em cada montanha,

a tua voz. deixa-me falar contigo. lembro-me

tão bem de tudo o que me disseste.


as palavras existem. eu quero encontrar-te

sempre, em cada noite, sobre a mesa de papéis

desarrumados onde desarrumo a nossa vida.


em cada página, os campos. em cada montanha,

tu a chamares-me. as páginas são, outra vez,

o dia em que nasci. lembro-me tão bem de tudo.


passam anos sobre as palavras. os dias existem.

seguro os livros como se segurasse a tua voz

e, quando alguém diz o teu nome, eu continuo a responder.


José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão, Temas e Debates
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