sábado, novembro 17

Na lista dos livros que quero ler


Esse nome, António Gedeão, simultaneamente vulgar e também, de certo modo, estranho, aconteceu surgir-lhe no pensamento quando, em 1956, com cinquenta anos, se dispôs a revelar o seu primeiro livro, Movimento Perpétuo, publicado pela Atlântida editora, em Coimbra. Não queria que ninguém soubesse da sua identidade como poeta. Para isso, era necessário apresentar-se com um pseudónimo de tal modo vivo, de tal modo invulgar que ele próprio não se reconheceria às primeiras. Medo? Medo do público leitor? Medo de si próprio? As hesitações para esta primeira publicação foram imensas! E o livro foi publicado no mais completo segredo, tudo combinado com o editor. Ninguém saberia que António Gedeão era Rómulo e que Rómulo era António.» Cristina Carvalho

Fonte: aqui

2 Comments:

josé luís said...

saudades do professor rómulo...
como sou um rapaz antigo ainda tive a sorte de o conhecer no liceu pedro nunes. já não leccionava regularmente, mas creio que era metodólogo e orientador de estágios dos outros professores e julgo que ainda dirigia a biblioteca. pude ainda ouvi-lo em aulas ocasionais sobre a química e a vida (e sobre tudo, um pouco à maneira do prof. jorge calado) e fui estudar química muito por causa dele. era muito cioso do seu anonimato mas, de algum modo, sabia-se que ele ERA o poeta gedeão. nunca abordámos o assunto, mas sei que ele sabia que nós sabíamos. uma vez, em conversa após uma aula dessas, em que discutíamos a ida para humanidades ou para ciências, ele disse-nos que não havia problema nenhum em estudar ciência e GOSTAR de escrever. creio que foi o piscar de olho mais dissimulado de todos os tempos...

cs said...

adorava ler:)