
« O
projecto "Os Poetas", de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, está de volta e estão já
agendados três concertos, o primeiro deles no Porto, já no próximo dia 3 de
Março, na Casa da Música. Um espectáculo a não perder!
Para além dos
concertos, que darão origem a um novo CD com faixas inéditas gravadas em 2012, é
com orgulho que se comunica a reedição do álbum «Entre nós e as palavras»,
publicado originalmente em 1997 e desde há muito esgotado, um projecto ímpar na
história da discografia nacional, onde alguma da melhor poesia
portuguesa das últimas décadas do século XX se faz ouvir, pela voz dos seus
autores, ao som de composições criadas por Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e
Francisco Ribeiro.
Dizer-se que a música acompanha a enunciação dos
textos não basta, pois a ambição foi maior. Com efeito, neste álbum os
compositores criaram um ambiente ou universo sonoro em que a palavra dos poetas
actua, com o seu tempo e ritmos próprios – mas nesse universo também se
encontram diversos temas exclusivamente instrumentais; momentos em que só a
palavra domina, como os de António Franco Alexandre, ou de Mário Cesariny em
«Pastelaria» e «You Are Welcome to Elsinore»; e ainda o belíssimo «Quem Me Dera
(Amanhã)», composto por Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro e cantado por este
último. Do conjunto destes 16 temas ressalta a noção de uma viagem por uma
paisagem sonora onde a arte e a poesia predominam.
Este álbum, que é um
autêntico e intenso exercício sobre a arte poética, nasceu de circunstâncias e
encontros felizes. Rodrigo Leão abandonara os Madredeus em 1994 para prosseguir
uma carreira a solo. Dois anos depois, também o acordeonista Gabriel Gomes e o
violoncelista Francisco Ribeiro saíram do grupo. Manuel Hermínio Monteiro,
responsável editorial da Assírio e Alvim, que tinha a seu cargo o espólio de
diversos poetas portugueses, preparava as comemorações do 25º aniversário desta
editora e localizara diversos registos sonoros dos seus autores. Rodrigo Leão
teve conhecimento disso e convocou os companheiros para este projecto, que desde
logo encontrou bom acolhimento junto de Tiago Faden, da Sony Music.
A
maioria das composições e arranjos foram criados na Primavera de 1997, durante
algumas semanas de recolhimento numa casa da Ericeira em companhia da violetista
Margarida Araújo. As sessões de gravação tiveram lugar no estúdio Tcha Tcha Tcha
no início do Outono, sob a direcção de António Pinheiro da Silva; Carlos Jorge
Vales recuperou digitalmente as gravações originais dos poetas; e o disco foi
publicado antes do Natal desse ano, numa embalagem com concepção gráfica de
Manuel Rosa e ilustrações de Ilda David', que incluiu também a reprodução dos
poemas.
Como escreveu Manuel Hermínio Monteiro, «o processo desenvolve-se
por uma disfarçada humildade dos compositores que tudo fazem para acentuar os
sentidos da palavra e da voz (...). Resulta assim um encontro inédito e feliz
entre a música e a poesia, revelando, simultaneamente, a diversidade da lírica
portuguesa desta última metade do século».
Fonte: Assírio & Alvim