segunda-feira, abril 30

a noite pede música

...você precisa de vento para tocar trompete.


Uma das coisas que sei é que no ano depois de eu ter nascido um tornado atingiu St. Louis e rasgou tudo. (...) Talvez por isso eu tenha um temperamento ruim... às vezes os furacões deixam alguma coisa criativa e violenta em mim. Talvez aquele tenha deixado comigo o seu vento forte. Você sabe, você precisa de vento para tocar trompete.


Miles Davis



Life is a lot like jazz...


Life is a lot like jazz... it's best when you improvise.



George Gershwin

Dia Internacional do Jazz celebrado hoje


Dia Internacional do Jazz celebrado hoje

UNESCO assinala pela primeira vez a data dedicada ao estilo musical que pode «derrubar barreiras e simbolizar a paz e a unidade» :)

Notícia aqui



domingo, abril 29

Eu quero...

...em português.

Parem...


...o mundo...que eu tenho de voltar...a entrar...

Por vezes ficava maravilhado...


...Por vezes ficava maravilhado ao ver que o mundo inteiro surgia sob uma luz totalmente diferente, desconhecida. Outras vezes ainda o crepúsculo prevalecia e cobria tudo, o universo inteiro concentrava-se numa única emoção e num único estilo, e isso agradava-me e sentia então que estava a ler avidamente o livro devido a essa atmosfera especial. À medida... em que penetrava lentamente no universo do romance que estava a ler, apercebia-me de que as sombras daquilo que tinha feito antes de abrir as páginas do romance, instalado em casa da minha família em Besiktas, Istambul - beber um copo de água, conversar com a minha mãe,pensamentos que me tinham passado pela mente, ressentimentos que tinha guardado em mim - desapareciam pouco a pouco.

Orahan Pamuk in O Romancista Ingénuo e o Sentimental, pag. 13, Editorial Presença, 2012

Leer...

quinta-feira, abril 19

Caligrafia dos Sonhos


« O escritor espanhol Juan Marsé, que visitará Lisboa nos dias 26, 27 e 28 de Abril, para promover o seu mais recente livro, Caligrafia dos Sonhos, que chega às livrarias segunda-feira, dia 23, estará, quinta-feira, dia 26, às 18h30, na livraria Buccholz, juntamente com António Lobo Antunes, para, em conjunto, conversarem sobre a vida e obra do autor catalão».

E voluntariado, faz?


Chama-se Patrícia Reis, é escritora e editora de uma revista ímpar: a Egoísta. Por Este Mundo Acima (Dom Quixote) é o título do seu mais recente livro, «onde nos é descrito um cenário de terrível desastre que assola a cidade de Lisboa, sendo que, entre os sobreviventes, há um velho editor que procura amigos e amores desaparecidos. Acaba por encontrar um manuscrito e um rapaz e, neles, a porta para uma outra dimensão da vida. Sem dúvida um livro que consagra a amizade como forma de amor e que descreve e realça a importância redentora dos livros».
A resposta aqui

imagem: Daniel Mordzinski

quarta-feira, abril 18

...amanhã, será preciso...

imagem: Constantin Joffe

Helena Sarmento na homenagem a Zeca Afonso


A  Helena Sarmento tem site novo. aqui . e, no próximo sábado, actua em Lisboa, no âmbito do Festival Cravos de Abril, num concerto de homenagem a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, integrado no projecto "Amigos Maiores que o Pensamento". Se estiver por Lisboa, não falte...

go away


[ vou ter exame! mais um. e tanto para ler...]

a noite pede música

Sim! que é preciso caminhar avante!





Sim! que é preciso caminhar avante!


Andar! passar por cima dos soluços!

Como quem numa mina vai de bruços

Olhar apenas uma luz distante!



... É preciso passar sobre ruínas,

Como quem vai pisando um chão de flores!

Ouvir as maldições, ais e clamores,

Como quem ouve músicas divinas!



Beber, em taça túrbida, o veneno,

Sem contrair o lábio palpitante!

Atravessar os círculos do Dante,

E trazer desse inferno o olhar sereno!



Ter um manto da casta luz das crenças,

Para cobrir as trevas da miséria!

Ter a vara, o condão da fada aérea,

Que em ouro torne estas areias densas!



É, quando, tem temor e sem saudade,

Puderdes, dentre o pó dessa ruína,

Erguei o olhar à cúpula divina,

Heis-de então ver a nova-claridade!



Heis-de então ver, ao descerrar do escuro,

Bem como o cumprimento de um agouro,

Abrir-se, como grandes portas de ouro,

As imensas auroras do Futuro!


Antero de Quental

...vamos falar do tempo...


...como se não tivessemos mais nada para dizer.

Carta de um elefante ao rei de Espanha


obrigatório ler, aqui

terça-feira, abril 17

São duas ou três coisas




São duas ou três coisas que eu sei dela,

e nada mais além de seu perfume.

Sei que nas noites ermas ela assume

esse ar de quem flutua na janela,

como o duende fugaz que em si resume

um tempo que a ampulheta não revela:

o tempo além do tempo que só nela

navega mais que o peixe no cardume.


Sei que ela traz nos olhos esse lume

de quem sofreu e a dor tornou mais bela,

pois o naufrágio lhe infundiu aquela

vertigem que do alfange é o próprio gume.

Sei que ela vive no halo de uma vela

e queima, sem consolo, em minha cela.



Ivan Junqueira in O Tempo além do Tempo, Edições Quasi