terça-feira, novembro 16

Mimo blogosférico

[chamam-lhe selos ou prémios tanto faz. eu chamo-lhe mimo. e este chegou-me via Pequenos Barulhos Internos e, logo a seguir, pelo blog No Vazio da Onda]




A poesia é de quem precisa dela...

segunda-feira, novembro 15

Prémios Gazeta entregues hoje

[Miguel Carvalho]

«Reunido na sede do Clube de Jornalistas, o Júri dos Prémios Gazeta decidiu atribuir o Grande Prémio Gazeta 2009 a Miguel Carvalho, da revista Visão, pelo seu trabalho “Os segredos do Barro Branco”, centrado em Joaquim Ferreira Torres, controversa figura ligada à oposição violenta ao 25 de Abril e assassinado em Agosto de 1979.
Com base numa investigação em que aos testemunhos actuais de pessoas que de algum modo estiveram ligadas a Joaquim Ferreira Torres se junta um aprofundado trabalho de recuperação de variada documentação, parte da qual inédita ou pouco explorada, Miguel Carvalho traça o perfil, o percurso, os relacionamentos e os contextos que acabaram por conduzir o protagonista ao trágico desenlace final. Numa linguagem concisa e num estilo fluido, Miguel Carvalho devolve-nos, reconstrói e enriquece a memória de um passado demasiado recente para poder ser esquecido ou ignorado, o que reveste “Os segredos do Barro Branco” de uma inegável actualidade.
Fonte: AQUI
Também pode espreitar aqui

domingo, novembro 14

a noite pede música

Como hei-de segurar a minha alma


Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.

Rainer Maria Rilke
imagem: Filipe Barcelos de Faria

porque sim

Parabéns...

...Filipe... um dia excelente!
[...só porque não encontrei uma fotografia de conjunto! reunir todas as musas que o inspiram era missão impossível... para mim :)]

O que Bach não escreveu

Como são os teus dias, a tua respiração no silêncio?
Agora, na memória despovoada, o teu sorriso é uma planície sem fim. Sem ti. Sem ti, está esta tarde de sol, como se os dias fossem todos contigo e eu não soubesse encher de música o espaço entre os dedos.
Como são os teus dias, o teu olhar no meu?
Sei que o fogo acende noites claras como luas, o fogo acorda sonhos altos, como plátanos e tudo acontece sem ti, tão perto do teu coração sem som, tão longe dos teus sentidos sem nome. Gostava de te sentir e que a luz inteira do teu corpo me ficasse na ponta dos dedos, para te ver sempre assim, mesmo quando não souber a cor exacta dos teus olhos demorados.
Corre um tempo imperfeito – de pérolas imperfeitas – como os meus dias sem ti; corre por ti um tempo, um compasso, qualquer coisa extraordinária que quase não vejo, mas guardo.
Como são os teus dias, as tuas mãos sem rosto?
Essa pauta em branco, essa partitura sem voz; esse dó transcrito, cadente.
Como são os teus dias, a tua paz sem regresso?
Sei a clareza dos teus gestos, a eternidade do indizível, mas não te sei inventar sem ritmo, sem pulso, sem toque. Para saber se o mundo se acende; para saber se o desejo é breve, preciso de saber como são os teus dias.
Como são os teus dias, a tua dor contra o meu peito?
A música, meu amor, é a fuga do silêncio que pouso nos teus lábios.

sábado, novembro 13

Play it, Sam

Verdade

[wish you were here. em todas as versões. até as que desconheço]
imagem: Tom Rosss

Por aqui chove

[Por aqui chove. Sou eu a falar do tempo, fingindo que não tenho mais nada para dizer]

porque sim

[vontade de rever...]

sexta-feira, novembro 12

Nós, o lugar mais acolhedor

[para ti. para nós. outra vez]

Quando o nosso olhar se encontra e eu só preciso de estar como sou;

Quando estou longe e a minha voz, à primeira sílaba, te dá as coordenadas do meu coração;

Quando - choras antes aqui. estou à tua espera, faço-te um chá;

Quando - vou ter contigo, temos de brindar, o momento é único;

Quando no meio da conversa me dizes - ah, é verdade, tens de ler isto, vais adorar;

Quando me trazes um doce, de qualquer lugar - esquece a dieta;

Quando me escreves uma carta [de envelope e selo] a contar as férias e a contar-te a ti;

Quando - estou apaixonado, ela é linda, estás a ver... assim como... lembras-te...;

Quando - anda daí, vamos às compras;

Quando - vais lá cozinhar, divides a cozinha com o João;

Quando vais viajar e - dá de comer ao gato; olha a água, a porta, o alarme;

Quando sonhamos alto - um dia os nossos filhos vão brincar juntos;

Quando palmilhamos a geografia das nossas infâncias, para que nada nos falte;

Quando tomamos café e são cinco minutos uma tarde inteira;

Quando partilhamos todas as histórias de que somos feitos e, ainda, a tarte de maça;

Quando filmes, livros, tupperwares e tabuleiros andam por nossas casas, como se fossem uma;

Quando descobrimos que, afinal, fomos separados à nascença e, por dentro, nem a mãe nos distingue;

Quando ligas a banda sonora das nossas viagens, estrada fora, noite adentro;

Quando se faz mais um silêncio cúmplice ou inventamos um sorriso novo;

Quando a paz de nos termos é o cordão umbilical que nunca cortamos;

Quando se me esquecer, poderás dizer quem sou - o bom e o mau;

Quando dentro do nosso abraço estamos para sempre;

...sinto-me em casa.

É aí, exactamente aí, nesse pilar monossilábico que assenta o lugar mais acolhedor da minha gramática de afectos. Nós, é o pilar e o lugar. O pronome pessoal tónico que me faz sentir em casa. Que me fará chegar sem nunca partir. Partir, sem nunca me afastar.

[o dia 25 está a chegar, mano! e, hoje, mais do que ontem, ando às voltas connosco...]

Vice - Versa


Tenho medo de ver-te
necessidade de ver-te
esperança de ver-te
insipidezes de ver-te
tenho ganas de encontrar-te
preocupação de encontrar-te
certeza de encontrar-te
pobres dúvidas de encontrar-te
tenho urgência de ouvir-te
alegria de ouvir-te
boa sorte de ouvir-te
e temores de ouvir-te
ou seja
resumindo
estou danado
e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
e também
vice-versa

Mario Benedetti

[Tradução de Maria Teresa Almeida Pina]

As tuas mãos cor de Outono

Estava a olhar para a fotografia e lembrei-me de ti, como se nela visse o teu rosto ou
o teu sorriso, até mesmo as tuas mãos cor de Outono.
Lembrei-me de ti a fazer um castelo com as claras de ovo. Naquela tarde, na cozinha, eu havia de aprender contigo o que eram árvores de folha caduca enquanto fazias o bolo que só tu sabias fazer de cor e salteado. Havia de ficar para sempre, na minha memória olfactiva, aquele cheirinho a bolo da avó Clotilde que, ainda hoje, me faz respirar fundo.
Era um bolo sem nome, enquanto não lhe demos o teu.
- Tenho de fazer uma redacção sobre o Outono, avó. Podias dizer-me coisas sobre o Outono.
E tu começaste a bater o bolo mais devagar, enquanto eu brincava com a lata pequenina do fermento Royal, fazendo-a rolar sobre a mesa.
Uma lata pequenina vermelha que tu abrias com a ajuda de uma colher de café.
-Deixas-me pôr o fermento, avó?
E tu disseste que sim, sem dizer que sim. Tu eras a pessoa que mais falava, sem falar.
- No Outono as árvores de folha caduca ficam sem folhas. Se fores ao quintal, reparas que há folhas na relva, no lago, nos canteiros. As árvores à volta do lago, são árvores de folha caduca, ao contrário das laranjeiras ou dos limoeiros.
No Outono, depois das vindimas, os dias ficam mais pequenos. E faz-se marmelada, porque os marmelos chegam com o Outono, assim como as castanhas. Cada estação do ano tem os seus frutos...
- E o que são árvores de folha caduca, avó?
- Ora vai ao quintal ver as árvores junto ao lago.
E eu saí a correr da cozinha, para ir ver a árvores como se nunca as tivesse visto. Como se não tivesse crescido com elas.
- Avó, junto ao lago tem pereiras e o pessegueiro mais ao lado.
- Exactamente. A pereira, o pessegueiro, o diospireiro, a macieira, a figueira, são árvores de folha caduca. Árvores que no Outono e no Inverno ficam sem folhas.

Quando cheguei à cozinha pousei algumas folhas sobre a mesa.
- Se escolheres as mais bonitas, podes po-las dentro de um livro. Secam protegidas. E vais poder guardá-las, como se guardasses as cores do Outono.
No dia seguinte, na escola, fiz uma redacção sobre folhas que caem e folhas que ficam para sempre nas árvores. Escrevi sobre frutos que chegam com o Outono, sobre dias pequenos que, afinal, ficam imensos. Escrevi sobre folhas que ficam dentro das folhas dos livros.
Como essa tarde de Outono ficou dentro de mim.
[porque , agora, me deu saudades da avó Clotilde lembrei-me deste texto que já havia publicado]

a noite pede música

Guimarães Jazz

[...] «No primeiro sábado do festival (13 de Novembro) propõe-se a reunião em palco de três dos grandes saxofonistas vivos numa formação denominada “Saxophone Summit”: Dave Liebman, Joe Lovano e Ravi Coltrane. Estamos perante músicos representativos de, simultaneamente, três gerações e três diferentes escolas e formas de abordagem do saxofone, algo que permite a exploração de contrastes e diferenças de sonoridade que coexistem num mesmo instrumento.
No dia seguinte (14 de Novembro) apresenta-se, numa linha de continuidade em relação às edições anteriores e pelo quinto ano consecutivo, o Projecto Guimarães Jazz/TOAP 2010, que desta vez é constituído por Julian Argüelles (saxofone), Mário Laginha (piano), André Fernandes (guitarra), Nelson Cascais (contrabaixo) e Marco Cavaleiro (bateria). Seguindo o modelo adoptado, esta formação preparará um concerto com composições originais que será gravado e posteriormente registado numa edição discográfica, estando previsto, como habitualmente, o seu lançamento na edição do Guimarães Jazz de 2011.
As jam sessions e a semana de workshops serão dirigidas pelo importante grupo “The Story”, que se apresentarão também em concerto do dia 17 de Novembro. Este é um quinteto formado por jovens músicos em ascensão de Nova Iorque (Samir Zarif e Lars Dietrich no saxofone, John Escreet no piano, Zack Lober no contrabaixo e Greg Ritchie na bateria) com carreiras individuais relevantes acompanhando músicos reconhecidos e que mantém este colectivo no qual desenvolvem um jazz muito actual com influências muito diversificadas, desde as correntes mais tradicionais do jazz ao minimalismo e à música erudita contemporânea.
Para o dia 18 de Novembro está reservado um dos momentos mais intensos deste festival, com a apresentação do “New Quartet” do saxofonista Charles Lloyd, um músico que dispensa qualquer apresentação e cuja obra e percurso se afirmam e distinguem por si próprios. Neste concerto faz-se acompanhar de uma formação que o acompanha há já algum tempo, destacando-se pela suprema qualidade dos seus intervenientes: Jason Moran (piano), Reuben Rogers (contrabaixo) e Eric Harland (bateria).»
Fonte: AQUI

Alguém sabe?

Alguém sabe qual é o antídoto contra a coexistência da fúria e do encanto na mesma zona de conflito?

à volta

[...mas nem assim...]

porque sim

[Tom Traubert's Blues - tributo a Tom Waits por Maria João]

Gene do sono finalmente identificado

«Muitos de nós sentem-se como ‘zombies’ sem oito horas de sono, enquanto outros ficam perfeitamente bem e recuperados do cansaço com menos. Agora, os geneticistas parecem ter descoberto, na população em geral, o gene que influencia a quantidade de sono de que necessitamos.

Em parte, este estudo também interessa aos biólogos por variar segundo diferentes factores, como o peso, que pode fazer com que determinadas pessoas tenham uma maior inclinação para desenvolver diabetes e doenças cardíacas. Além disso, quanto maior for a massa corporal de um indivíduo, menos este precisa de dormir.

Na tentativa de encontrar o gene do sono, uma equipa europeia estudou as populações de sete países, desde a Estónia até Itália, com 4260 voluntários. Cada um dos participantes preencheu um questionário relativo a hábitos de sono e deu uma amostra de DNA – que posteriormente foi varrido por milhares de marcadores genéticos, para conseguir identificar aquele que seria mais comum nas pessoas que dormem mais.

A duração do período de descanso nocturno parece estar fortemente relacionado com um dos marcadores no gene ABCC9. Quando lhes é permitido dormir o quanto quiserem, os que têm duas cópias da versão deste marcador dormem seis por cento menos do que os que têm a outra versão, segundo o estudo apresentado esta semana, por investigadores da Universidade de Munique (Alemanha), na reunião anual da Sociedade Americana de Genética Humana, em Washington, D.C.

O gene ABCC9 codifica uma proteína chamaram SUR2 que é parte de um canal de potássio, uma estrutura que canaliza iões de potássio para dentro e fora das células. Os investigadores fizeram uma experiência em duas espécies de moscas da fruta e quando modificaram a expressão do gene, estas dormiram significativamente menos, comparando com os grupos de controlo, refere o estudo.

Entretanto, um novo gene, Dec2, foi igualmente identificado e relacionado com a duração do sono, mas encontrado apenas nalgumas pessoas. O ABCC9 é o primeiro que estabelece uma forte relação com o tempo de sono e que é detectado na população em geral.

Fonte AQUI

Lê comigo...


[melhor: lê para mim]

Pergunta ao Pó


«E o milagre aconteceu. Foi assim: eu estava diante da janela do meu quarto, a observar um insecto que rastejava pelo parapeito. Eram três e um quarto de uma tarde de quinta-feira. Bateram à porta. Atendi e dei de caras com um dos estafetas da estação telegráfica. Assinei o recibo e sentei-me na cama, perguntado-me se o vinho teria finalmente levado o meu velho desta para melhor. O telegrama dizia o seguinte: Livro aceite contrato segue hoje. Hackmuth. E era tudo. Larguei a folha de papel, que caiu sobre o tapete. Estava estupefacto. Depois estendi-me no chão e comecei a beijar o telegrama. Rastejei para debaixo da cama e fiquei ali deitado. Já não precisava da luz do sol. Nem da terra, nem do céu. Deixei-me ficar ali simplesmente, tão feliz que nem me importaria de morrer. Nada mais me poderia acontecer. A minha vida estava completa.» (pp. 188)

Pergunta ao Pó [Ask the Dust], John Fante (Tradução de Rui Pires Cabral, Ed. Ahab)

Desviado daqui

íssimo livro

Ask the dust

[via No vazio da Onda]

Reportagens premiadas


«O jornalista do PÚBLICO Luís Villalobos e a jornalista da Rádio Renascença (RR) Filomena Barros foram os vencedores da edição deste ano do Prémio de Jornalismo do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, promovido pela Comissão Europeia. Luís Villalobos foi premiado pelo artigo Há 243 mil famílias em Portugal sem acesso a contas bancárias, publicado na edição impressa e online do PÚBLICO. Filomena Barros venceu com o trabalho Comboio dos Direitos, transmitido na RR.»
Fonte: aqui

A lua tem água


«Segundo o Público, a “Lua tem água, muita água escondida nas suas crateras mais escuras, onde a luz do Sol nunca chega, suficiente para sustentar uma colónia humana – se alguma vez ela existir”. Ainda assim, o dia em que um sociólogo poderá estudar as interacções sociais, certamente peculiares, numa tal colónia não parece próximo.

Por isso, o interesse da Lua para a Sociologia continuará, provavelmente durante muito tempo, a ser o seu significado – literal e simbólico - para as diversas sociedades humanas. Como veremos em breve, quando chegarmos ao capítulo da Cultura, a Lua é representada de maneiras muito diferentes pelo mundo fora, tanto no presente como no passado.»
Retirado daqui.

quinta-feira, novembro 11

à beira de um ataque de nervos


mulheres:
- alteradas
- com os nervos em franja
- à beira de um ataque de nervos...
tanto faz!
[hoje não há nada que não me aconteça... e se eu não me mexer mais... até o ponteiro passar para amanhã...
...outro dia, p.f. urgente]

quarta-feira, novembro 10

O estranho em relação à vida


O estranho em relação à vida é que, embora sua natureza deva ter sido evidente para todo mundo há centenas de anos, ninguém deixou o registro adequado. As ruas de Londres estão mapeadas; nossas paixões não. O que vamos encontrar ao dobrar essa esquina?

Virginia Woolf in O Quarto de Jacob

a noite pede música

Há que encontrar uma escada para subir


Há que encostar uma escada para subir. Falta-lhe um degrau.
O que podemos procurar no alto
Senão o que a desordem amontoa?
...Há o cheiro a humidade.
O entardecer entra pela casa em lâminas de luz.
As vigas do céu raso estão próximas e o piso está vencido.
Ninguém ousa pôr-se de pé.
Há um velho divã desengonçado.
Há umas ferramentas inúteis.
Ali está a cadeira de rodas do morto.
Há um pé de candeeiro.
Há uma rede de dormir paraguaia, com borlas, a desfiar-se.
Há utensílios e papéis.
Há uma estampa do estado-maior de Aparicio Saravia.
Há um velho grelhador a carvão.
Há um relógio de tempo parado, com o pêndulo partido.
Há uma moldura desdourada, sem tela.
Há um tabuleiro de cartão e umas peças desemparelhadas.
Há uma braseira de dois pés.
Há uma arca de cabedal.
Há um exemplar bolorento do Livro dos Mártires de Foxe, em intrincada escrita gótica.
Há uma fotografia que já pode ser de qualquer pessoa.
Há uma pele já gasta que foi de tigre.
Há uma chave que perdeu a sua porta.
O que podemos procurar no alto
Senão o que a desordem amontoa?
Ao esquecimento, às coisas do esquecimento, acabo de erguer este monumento,
Sem dúvida menos duradouro que o bronze e que se confunde com elas.

Jorge Luis Borges
imagem:Rodney Smith

A partir de 22 de Dezembro

[creio que a partir de 22 de Dezembro será muito mais fácil.
folhas por folhas...que venham encadernadas e escritas. para que eu não tenha de te inventar]

1º Annual Meeting of Forensic Sciences


1º Annual Meeting of Forensic Sciences "Theory and Practice"
22 e 23. Novembro 2010
«Este encontro estabelece o cruzamento de perspectivas teóricas e práticas (pesquisa/acção) no campo das Ciências Forenses e contará com a prestigiante presença de profissionais/investigadores nacionais, que através de palestras, debates (mesas redondas) e workshop partilharão o seu conhecimento e profunda experiência com profissionais e alunos pretendendo atrair cada vez mais potenciais investigadores para este campo de acção.
Organização - NISA: Núcleo de Investigação em Qualidade de Vida, Ambiente & Saúde»
Mais informação aqui

terça-feira, novembro 9

Momentos

Atravessou-lhe o coração como se fosse uma casa. Só não sabe se saiu ou se está lá dentro. Numa sala ou numa válvula, onde pulsa a imaginação. Não sabe.

a noite pede musica

Desigualdades sociais em colóquio

No Porto, dias 18 e 19 de Novembro


«Os níveis de riqueza e bem-estar das populações de grande parte dos países, incluindo Portugal, cresceram muito significativamente no último século.

A verdade é que, sobre este pano de fundo de crescimento económico e de melhoria de condições de vida de tantos cidadãos, não deixaram de se desenhar acentuadas assimetrias e desigualdades económicas, culturais e sociais, quer entre grandes regiões, quer, no interior destas, entre países e grupos diferentemente posicionados na estrutura social.

Mesmo nas economias consideradas mais desenvolvidas, a “questão social”, ainda que sob formas várias, nunca verdadeiramente deixou de estar presente, ao longo desse período de cem anos, no quotidiano e no imaginário das populações, nos projectos emancipatórios dos grupos mais desfavorecidos e no horizonte de preocupações dos responsáveis políticos. E se isso ajuda a explicar a circunstância de se ter consolidado entretanto um corpo de políticas e instituições voltadas justamente para melhorar os níveis de protecção e alargar o âmbito de direitos sociais das populações, a verdade é que as desigualdades (expressas em termos de amplitude dos leques salariais, de oportunidades reais de acesso à propriedade e ao crédito, aos cuidados de saúde, à habitação, à instrução e à cultura, para não falar nas próprias condições de participação política efectiva) estão longe de se desvanecer, com isso se perpetuando níveis surpreendentemente elevados de pobreza, de iliteracia e de retracção e exclusão social e cívica.

Ora, se é verdade que o aumento do esforço financeiro do Estado em matéria de protecção social, bem como o conjunto de aperfeiçoamentos introduzidos nas próprias metodologias de intervenção dos serviços públicos envolvidos, têm conseguido manter, dentro de limites toleráveis, a amplitude e o potencial de conflitualidade de tais desigualdades, certo é também que não se inverteram decisivamente os mecanismos sociais que as geram.

E aqui está por que razão a abordagem do problema das desigualdades sociais não pode deixar de apelar a uma análise crítica dos próprios modelos de desenvolvimento e dos paradigmas de gestão dominantes.»
Continua AQUI, onde também pode fazer a sua inscrição no colóquio.

Confissão automática

[já se riu, hoje?]

Afinal, não é generoso quem quer?


«Gosta de fazer bem a outras pessoas? Nesse caso, o gene da generosidade pode ser o responsável por essa vontade. Um grupo de investigadores da Universidade de Bonn (Alemanha), dirigido pelo catedrático de psicologia Martin Reuter, acredita ter descoberto o gene da generosidade, após ter feito um estudo com cem estudantes – os resultados foram publicados no «Journal Social Cognitive & Affective Neuroscience».

Segundo o investigador, a prova consistiu numa experiência de retenção de dados na qual tinham que aprender uma série de dígitos e depois repeti-los de memória. Posteriormente, cada um dos participantes recebia cinco euros e tinha a possibilidade de doar parte dessa quantidade para um fim caridoso. As doações eram anónimas – apenas o grupo de investigação sabia a quantia dada.

Para o teste de DNA, os cientistas centraram-se no gene chamado COMT, que contém as informações para a criação de uma enzima que desactiva determinadas substâncias no cérebro, entre elas a dopamina. Há já 15 anos que se sabe que existem duas variantes distintas do gene COMT: o COMT val e o COMT met, que estão distribuídos de forma bastante equitativa entre a população humana.

Nas pessoas com a primeira variante, a enzima trabalha de forma quatro vezes mais efectiva, de modo que a dopamina é tornada inactiva de forma muito mais rápida. O estudo da Universidade de Bonn demonstrou que isto tem efeitos no comportamento e as pessoas que participaram no teste e que tinham a variante COMT val doaram o dobro da quantidade daqueles que tinham a variante met.

Ficou provado que esta mini-mutação afecta o comportamento. É a primeira vez que uma investigação empírica mostra que existe de facto uma ligação entre um factor genético determinado e atitudes altruístas, apesar de estudos com gémeos já terem demonstrado que os genes influenciam no comportamento.

O grupo de Bonn concentrou sua análise no gene COMT por saber que a dopamina influencia no comportamento social dos seres humanos. Em conjunto, com outras substâncias, como a vasopressina, tem influência, por exemplo, no comportamento sexual e a disposição para criar vínculos. Além disso, dopamina está positivamente associada às emoções e mesmo a motivação tem uma ligação directa com este neurotransmissor.»
Fonte: AQUI

segunda-feira, novembro 8

a noite pede música

A estrada

Eu gosto de conduzir. E de viajar sozinha. Meia dúzia de discos eu e a estrada. Às vezes com destino certo, outras não. E gosto quando a mãe me diz: "vai devagar para chegares depressa" e quando chegares, telefona. E não te distraias pelo caminho, que és muito distraída. Diz-me sempre isto. Há coisas que eu gosto que me digam sempre. Como se nunca mo tivessem dito.
imagem: Reinfried Marass

domingo, novembro 7

O Haver


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes in o Jardim Noturno, 15/04/1962


[grata ao Eduardo Virmond]
imagem: Jagna Olejnikowska

Estão todos convidados

Amanhã, dia 8, às 21.30, na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto.
Lançamento do novo livro do professor Hélder Pacheco.
«Ao contrário do que possa parecer, não será um evento clubístico, nem oficialmente comprometido, mas sim uma ocasião para falarmos desses laços que unem a cidade, o clube e um certo grito de revolta que atravessa gerações e classes», escreve o jornalista Miguel Carvalho, convidado a apresentar-nos o livro. Não faltem!

a noite pede música

sábado, novembro 6

Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio
e nesse silêncio profundo se esconde
minha intensa vontade de gritar.

Clarice Lispector

imagem: Cile Bailey

sexta-feira, novembro 5

Folhas que não acabam

E depois há aquelas pessoas que nos enviam imagens assim, só porque se lembraram que leram "uma coisa linda sobre calcar ou chutar folhas no Outono...". E nos emocionam. Obrigada.

Escrita criativa já tem programa


Aqui fica o programa do curso de Escrita Criativa orientado pela Patrícia Reis. No Porto, acontece em Fevereiro. A ver a turma que se começa a organizar. Vamos lá!

Primeira Sessão:
Porque estamos aqui? Porque escrevemos? O que gostamos e o que não gostamos? Ler como função primordial de quem escreve. Exercitar a escrita como um pianista exercita todos os dias as teclas brancas e pretas. Talento sem técnica é como uma lâmpada fundida. Começar com uma descrição ficcionada de quem somos (texto de cada aluno, 20 minutos para o fazer). Partilha de textos. Um bom escritor será sempre um aprendiz. Seja auto-crítico (sem ser em excesso) e, ao mesmo tempo, capaz de perceber as criticas que lhe fazem. TPC: Com uma revista na mão escolher 8 personagens/imagens para que possam criar um texto.

Segunda Sessão:
Leitura dos TPC (todos os trabalhos são fotocopiados e entregues aos alunos). Discussão sobre cada texto numa vertente positiva: crítica construtiva. Recomendação de leituras. Exercício curto para fazer na aula a partir de um clássico, escolher um mito/conto infantil/ clássico e modernizá-lo. Observar e escrever assumindo a condição de larápio da vida, basicamente é isso que faz um escritor. O mercado editorial. As vantagens e desvantagens dos exercício da escrita partilhada em blogues e sites. TPC: procurar um texto curto de que se goste, trazer para leitura e discussão.

Terceira Sessão:
Ida à rua, para observar a rua, neste caso a praça Saldanha. A importância da pesquisa. Regresso para escrever em 20 minutos uma história. Leituras das histórias. Entrega das histórias que trouxeram para que os colegas levem para casa e possam ler. TPC: registar um sonho, recente ou antigo, dar-lhe uma roupagem de conto, encontrar o simbolismo. Dicas para bloqueios de escrita: reformular a ideia de ficção para uma ficção epistolar.
Discussão dos textos propostos pelos colegas. Exercício da aula, uma história sobre ou com o colega da frente em 20 minutos. Inspiração versus trabalho. Entrega de diplomas e de livros-prenda para todos os que participaram.
Materiais
Dicionário de sinónimos
De língua portuguesa
De mitologia
Gramática
Prontuário
Computador portátil
Folhas
Caneta

a noite pede música

Procura-se...

Um filme

[brilhante e comovente. Yuri Norstein é poesia feita animação]

Um segredo de um casamento feliz

[Miguel Esteves Cardoso]

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz não é nem um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente. É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento é um filho. É um filho inteiramente dependente de nós. Se nós nos separarmos, ele morre. Mas não deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados - que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também de amar o casamento que criaram.

O nosso casamento é uma cultura secreta de hábitos, métodos e sistemas de comunicação. Todos foram criados do zero, a partir do material do eu e do tu originais.

Foram concordados, são desenvolvidos, são revistos, são alterados, esquecidos e discutidos. Mas um casamento feliz com dez anos, tal como um filho de dez anos, tem uma personalidade mais rica e mais bem sustentada, expressa e divertida do que um bebé com um ano de idade.

Eu só vivo desta maneira - que é o nosso casamento - vivendo com a Maria João, da maneira como estamos um com o outro, casados. Nada é exportável. Não há bocados do nosso casamento que eu possa levar comigo, caso ele acabe.

O casamento é um filho carente que dá mais prazer do que trabalho. Dá-se de comer ao bebé mas, felizmente, o organismo do bebé é que faz o trabalho dificílimo, embora automático, de converter essa comida em saúde e crescimento.

Também o casamento precisa de ser alimentado mas faz sozinho o aproveitamento do que lhe damos. Às vezes adoece e tem de ser tratado com cuidados especiais. Às vezes os casamentos têm de ir às urgências. Mas quanto mais crescem, menos emergências há e melhor sabemos lidar com elas.

Se calhar, os casais apaixonados que têm filhos também ganhariam em pensar no primeiro filho que têm como sendo o segundo. O filho mais velho é o casamento deles. É irmão mais velho do que nasce e ajuda a tratar dele. O bebé idealmente é amado e cuidado pela mãe, pelo pai e pelo casamento feliz dos pais.

Miguel Esteves Cardoso
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a noite pede música

quinta-feira, novembro 4

Como diz o Carlos...

[...doces fraquezas. à colher...]

Me gusta leer... muito muito íssimo

A Graça...

[...está assim, a deixar que os sonhos voem. e eu admiro-a muito. também por isso]

imagem: Andrew Bella

porque sim

"Se existe outra dimensão
Em que você não é você
Quem é que sabe a direção
Pra encontrar quem não se vê?
Se o tempo sempre tem razão
E tudo sempre vai mudar
Pra que manter os pés no chão
Se todo mundo quer voar? "

Fraquezas


Na minha análise SWOT pessoal, na secção das fraquezas, surgem frascos assim, de Lemon Curd. E outros que não se encontram na internet: doce de amoras da minha querida amiga Helena.

Não sei o que me deu para confessar que sou menina para vender a alma por um frasquito de Lemon Curd. Meio frasco, no caso do doce de amoras da Helena. Não é bonito, mas é verdade! Fraquezas! Quem as não tem...
[obrigada pelo Lemon Curd, querida G.]

quarta-feira, novembro 3

Vais ver como telefono


Só ainda não tinha telefonado porque não tinha encontrado uma cabine vermelha. Os bolsos cheios de moedas e cada moeda ao ritmo de um sinal ténue capaz de interromper o mundo. A cabine cheia de ar, o dedo a desenhar arabescos nos vidros embaciados. Vais ver como telefono. É só encontrar uma cabine vermelha e telefono.

Europa Social

Pucaro´s de poesia

Quem, a uma quarta-feira, nunca esperou por mesa no Pucaros`s? Quem, numa quarta-feira, não saiu do Pucaros`s quase ao amanhecer? O lugar onde mora a poesia ficou sem alma. O Miguel Carvalho fala por nós.

imagem: daqui

Clarice por Betânia

terça-feira, novembro 2

Há uma tentativa, sempre renovada


«Há uma tentativa, sempre renovada, de esclarecer problemas e, no fundo, os problemas que me interessam são sempre os mesmos. O problema de como as emoções funcionam, de como os sentimentos se estabelecem. Isso prende-se com uma outra grande questão: como é que nasce a mente, como é que nasce o eu e como é que se constrói a mente consciente.»
António Damásio in excerto da entrevista ao jornal Público, 18.Out.2010


imagem: Gilbert Garcin

a noite pede música

Sophia


Colóquio internacional Sophia de Mello Breyner Andresen, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, nos dia 27 e 28 de Janeiro do próximo ano. Assinalando a entrega do espólio da escritora à Biblioteca Nacional de Portugal. Ver programa aqui.

Regardez-moi dans les yeux...

Quem não se lembra da campanha publicitária Wonderbra, com Eva Herzigova, mega sexy, a pedir regardez moi dans les yeux !?
Decalcando essa ideia, uma belga portadora de deficiência, dá a cara e o corpo por uma campanha que visa chamar a atenção para as dificuldades diárias que os portadores de deficiência enfrentam. Conheça mais pormenores na associação que promove a campanha e defende os direitos do cidadão com deficiência.

"Aproximo-me apenas daquilo que admiro"


«As minhas aproximações são sempre amorosas, aproximo-me apenas daquilo que admiro.»

«O escritor tem uma responsabilidade, não apenas em relação ao momento presente e ao que aí vem, mas, antes de mais, em relação ao passado. As gerações passadas deixaram-nos muitos sinais. É responsabilidade do escritor contemporâneo estar atento aos sinais que os escritores clássicos nos deixaram...»

«"Os Lusíadas" é uma obra fabulosa, de uma grande riqueza; e ainda hoje dá enorme prazer ficar diante daquilo que percebemos que não envelhece. O meu prazer na leitura, ainda mais em relação aos clássicos, é, acima do mais, estético, e não ideológico...»


«"Uma Viagem à Índia" acompanha passo a passo, fragmento a fragmento, por vezes linha a linha, os conflitos físicos, os relatos sobre o passado, os tumultos, os enganos, as entradas em cena do narrador, etc, de "Os Lusíadas".»

«A experiência tem um forte valor moral e intelectual. Mas a modernidade alterou um pouco o valor e os termos dessa experiência. Classicamente a experiência pressupunha deslocação física. Se possível, a grande viagem. Na modernidade, a experiência é muitas vezes mental e, neste sentido, esta epopeia ou anti-epopeia é muito mais mental do que física.»

«Uma personagem sem qualidades, mas em queda. E o que parece é que é uma personagem que se entedia com a queda. Não tem medo, não fica desesperado, não faz um balanço último da sua vida. Não passa tanto por questões políticas, colectivas, por eventuais falhanços ideológicos ou do capitalismo. É muito mais uma questão centrada no indivíduo. O grande movimento do século XXI parece-me, é o da queda.»

«A tradição romântica do amor coloca-o numa espécie de círculo em redor de duas declarações - amo-te/eu também te amo ou amo-te/não te amo - e estas duas declarações impõem-se a tudo o resto: o mundo desaparece. Esta embriaguez não permite o desvio do olhar, nem a desatenção mínima. E estarmos obcecados por uma parte é estarmos desatentos a tudo o resto.»
Fonte: AQUI, uma entrevista de Pedro Mexia a Gonçalo M. Tavares

segunda-feira, novembro 1

a noite pede música

Dieta emocional II

Estão a ver aquela dieta emocional ali em baixo? Pois é! Não funciona. São imensas as contra-indicações. E, por estes dias, quase morri. A razão a cem por cento tem de ser recuperada de outra forma. É uma ideia muito romântica e muito bem intencionada. Mas nada prática para quem não vive sem jazz. Não podemos ir contra a nossa natureza. Essa é que é essa!

Escrita criativa

Em Lisboa só há mais duas vagas para a primeira sessão do curso de escrita criativa orientado pela Patrícia Reis. No Porto, o curso está previsto iniciar-se em Fevereiro, todas as sextas-feiras das 18h00 às 20h30. O contacto fica aqui [96 606 63 62] e o blog aqui.
A ver se a turma da Invicta se começa a desenhar...

A hora mudou

[a hora mudou mas, para já, não mudou mais nada]

[imagem: daqui obrigada, Alexandre]

Dame


Dame algo más que silencio o dulzura
Algo que tengas y no sepas
No quiero regalos exquisitos
Dame una piedra

No te quedes quieto mirándome
como si quisieras decirme
que hay demasiadas cosas mudas
debajo de lo que se dice

Dame algo lento y delgado
como un cuchillo por la espalda
Y si no tienes nada que darme
¡dame todo lo que te falta!

Carlos Edmundo de Ory


[com vénia ao José João que mo deu a conhecer]