segunda-feira, maio 31
poema de Cecília Meireles
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Cecília Meireles, Poemas que sinto; Escritores
domingo, maio 30
sexta-feira, maio 28
um poema Hilda Hilst
Ama-me.
É tempo ainda.
Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ternura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me.
Embora eu te pareça
Demasiado intensa.
E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.
E tu, lúcido, fazedor da palavra,
Inconsentido, nítido
Nós dois passamos porque assim é sempre
É singular e raro este tempo inventivo
Circundando a palavra.
Trevo escuro
Desmemoriado, coincidido e ardente
No meu tempo de vida tão maduro.
Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos ventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?
A memória de nós. É mais. É como um sopro
De fogo, é fraterno e leal, é ardoroso
É como se a despedida se fizesse o gozo
De saber
Que há no teu todo e no meu, um espaço
Oloroso, onde não vive o adeus.
Hilda Hilst, Noviciado da Paixão
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Hilda Hilst, poemas
Comunidade de Leitores Almedina
«É já este sábado, dia 29, pelas 17 horas que Alexandra Lucas Coelho se desloca à Comunidade de Leitores da Almedina, do Arrábida Shopping. Habituada a trabalhos em zonas de conflito (escreveu também a obra Oriente Próximo), a jornalista do Público, convidada da nossa tertúlia, vem conversar sobre o seu livro Caderno Afegão (Tinta da China) e o papel do grande jornalismo e da reportagem numa sociedade cada vez mais «internética». Não faltem!»
(a imagem é de Rabiscos Vieira)
[copiado daqui]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: eventos
Duas Contas
[lindddddddddddddddddoooooooooooooooooooo. obrigada.]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: coisas [que passaram a ser] minhas
quarta-feira, maio 26
As velas da memória

Há nos silvos que as manhãs me trazem
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder
Ruy Belo in Aquele Grande Rio Eufrates
[logo às 21.30 horas no labirintho]
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
terça-feira, maio 25
Porque toda a relação com o mundo se funda na sensibilidade
Vergílio Ferreira, in "Pensar"
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Vergilio Ferreira
segunda-feira, maio 24
Declaração de amor à Pantera-Cor-de- Rosa II
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: banda desenhada
Declaração de amor à Pantera Cor-de-Rosa
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: musicas que ouço
domingo, maio 23
domingo também pode ser...
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
sexta-feira, maio 21
Não te rendas
De alcançar e começar de novo,
Aceitar as tuas sombras,
Enterrar os teus medos,
Libertar o lastro,
Retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem
Perseguir os teus sonhos,
Destravar o tempo,
Remover os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se esconda,
E se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma
Ainda há vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o quiseste e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não há feridas que não cure o tempo.
Abrir as portas,
Tirar os ferrolhos,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o repto,
Recuperar o riso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo,
Celebrar a vida e retomar os céus.
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma,
Ainda há vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um começo novo,
Porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.
MARIO BENEDETTI traduzido por Inês Pedrosa
[gentilmente roubado à Patrícia Reis]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Mario Benedetti, poemas
22 de Maio
hoje é um dia muito importante. para uma das estrelas da minha vida, a Francisca. hoje é, ainda, o dia da minha Santa Rita :) e, também, o aniversário de uma amiga de longa data e de infinitas cumplicidades. hoje é um dia feliz. muito feliz. um dia tanto tudo íssimo.
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
Neologismo

Neologismo: Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
...Intransitivo:
Teadoro, Teodora.
Manuel Bandeira
imagem: Almada Negreiros
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Manuel Bandeira, poemas
amigo a gente sente

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.
Machado de Assis
[para todos os amigos que passam aqui e também para os que não passam. saudades. a vida é tão louca.
hoje, especialmente hoje, para a minha amiga mais recente: a Mafalda.
só para dizer que estou aí. contigo. de manhã :( e de tarde :) e pela vida toda, se quisermos.]
imagem: Mafalda Branco/ rosa albardeira
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Macha de Assis, poemas
quarta-feira, maio 19
Como se filma?

«Façam luto à literatura!»
[lembras-te?]
E o nosso olhar voltou a sintonizar-se num espanto.
Foi no tempo em que fomos aprender a escrever guiões, como se não os tivéssemos todos cá dentro.
O problema é que estão cheios de literatura ou lá o que é.
Tu, com «aquele chão conhecia-lhe os passos», deste a deixa ao professor.
E como se filma? Como é que se filma um chão assim? [lembras-te?]
Ele a perguntar e a dizer que não se escrevem essas coisas. [para os filmes]
É de madeira? É de pedra, de terra?
Toda a gente sabe como é um chão que conhece os passos de alguém. Mas, pronto!
[ainda não tenho o fim. ainda não sei como vai acabar, não é bom, pois, não? desde que me
ensinaste o que aprendeste, tenho desvalorizado os princípios. estou concentrada no fim, mas ainda não o vejo. tem de ser o mais importante. o fim.]
Aprendemos tanta coisa, enquanto nos prendemos. Enquanto nos ligamos.
Ou estaríamos só a restabelecer filamentos ancestrais. Arquétipos de sonhos comuns?
«Frágil, viva, sempre em mudança, o guião é a crisálida». Ou serias tu?
Não me demorei a ver-te as asas. Mas, a tua aparência era assim: frágil, viva, em mudança. [como os guiões. como a vida.]
Queres vir? «Eu vou. Não sei se vá…Não sei se fique...»
Como se filma a hesitação de uma borboleta decidida?
[longe da literatura. foi o que anotei. porque luto, luto não fui capaz].
O signo, o fonema, o grafema. É cinema. [lembras-te?]
Técnica. Line-up. Out-line. Aprendemos muitas coisas. Planificações. Story-board.
Escrever cenas. Ordenar cenas. Inventar elipses. Alternar o dia e a noite.
[como se na vida real não fosse assim!]
Desejo + obstáculos = emoção.
Matemáticas de aparente equação fácil.
[talvez tenha começado a fazer estas contas muito cedo!]
Agora, vão para casa, leiam o jornal e inventem uma personagem. [queria dizer vida, mas disse jornal; lembras-te?]
A partir da notícia, inventem uma personagem e tragam-na já construída. [ele queria dizer vida. mas enganou-se, novamente e disse notícia. lembras-te?]
Única, com coerência, profundidade, acção. Narrativa. Transformação. Tensão.
Não se esqueçam que a personagem é mais do que aquilo que está ali, na história.
[se é! Se és. Muito mais do que nas nossas histórias. Agora ele acertou, o professor.]
E nós a aprender como se faz, como se filma.
E eu cada vez mais convicta de que os filmes são exactamente como na vida.
[menos quando precisas de um táxi com urgência, e esticas a mão...]
Nunca nada me parece de filme. Parece-me sempre tudo de vida!
E tenho motivos. Tantos motivos. A vida tem milagres. Milagres e assaltos.
Como se filma a minha vida sem esse dia de Janeiro?
Como se filma o nosso olhar a sintonizar-se num espanto?
Como se filmam as tuas asas a percorrer as nossas vidas?
Como se filma toda a ternura que pousas sobre nós?
Como se filma a minha vida sem os teus passos?
Diz-me.
Como se filma?
Escrito/editado por Marta 8 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar







