quinta-feira, abril 23
E se me recomendassem um livro?
Escrito/editado por Marta 29 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, livros que ando a ler
Obras no planeta
Pedimos desculpa por qualquer incómodo causado! Este planeta está em obras! O antigo layout era de Inverno! Chovia, quase todos os dias! Agora, andamos a tentar arranjar um mais primaveril! Andamos, é uma forma de dizer...porque, na realidade, a minha querida Paula, anda a...eu sou, confesso, uma perfeita aselha [eu acho que escrivi esta palavra com um z, hoje!!!] nas andanças informáticas. Ela, a minha querida Paula, é que põe e dispõe. Tem as chaves cá de casa! Alguma sugestão...pois agradecemos!
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: pois não imagino
Ver, ouvir e sentir Lhasa
Lhasa de Sela - a musa - tem um novo disco! E é com esta música e com este vídeo fantástico que, aqui, ao final do dia, celébro o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor!
Eu eu amo esta pequena, linda, frágil, genial, forte, absolutamente fantástica mulher! Um dia destes, conto como a conheci e o que senti a primeira vez que a vi, ao vivo! Se conseguir atinar palavras e sentimentos. Fechem os olhos e ouçam. Não! Abram os olhos e vejam e ouçam e sintam! [obrigada WOAB. um sorriso para ti.].
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Lhasa de Sela, Músicas que ouço
quarta-feira, abril 22
António Gedeão e Herberto Helder
Eu não gosto de Herberto Helder como gosto de António Gedeão.
Descobri Herberto Helder numa livraria. Num livro. Num poema.
Num não sei como dizer-te que a minha voz te procura.
E foram muitas descobertas numa.
Já antes tinha lido poemas. Nos livros, em minha casa. Nos livros das livrarias.
No meu livro de quinhentas e setenta e uma página de poemas, há um poema que me faz emudecer.Por isso, eu nunca o vou poder ler em voz alta. Só sentir.
É um poema que acontece, que teima em acontecer até ao milagre.
Daqueles poemas que mantêm segredos. Secretos, seguros.
Poemas com guelras. Poemas que adivinhavam coisas nossas.
Poemas raros de carne e rosa.
Poemas de muitas palavras, a fazer sentir coisas únicas.
Mas eu regresso sempre ao não sei como dizer-te que a minha voz te procura.
Foi com Herberto Helder que descobri a poesia toda.
E achei aquilo tudo. Terno. Eterno. Violento e voraz.
Mas nunca um poema, por aquela idade, me soube tanto a suor.
Dei conta que as palavras faziam amor.
Depois de ler não sei como dizer-te que a minha voz te procura,
eu achei que quem não o lesse, seria certamente infeliz.
Mas, depois, dei conta que isso de ser feliz ou infeliz é patético,
quando o assunto é aquele poema. E outros.
Foram muitas as descobertas. Tinha talvez vinte anos.
Escrito/editado por Marta 20 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar, António Gedeão, Escritores, Herberto Helder, livros da minha vida, Poemas que sinto
À procura de um certo tom de azul
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, James Runcie, Livros que li
Voltar a Volver
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: Cinema, filmes, Pedro Almodovar
terça-feira, abril 21
Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi
[...] Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem nos meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi. [...]
[excerto Canção da Saudade]
Almada Negreiros in Obras Completas, Vol. I, pag. 71, Imprensa Nacional Casa da Moeda
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: livros da minha vida; Almada Negreiros
Corrente de ar II
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: Corrente de ar, Rodrigo Santoro
Ilusão I
Nem tudo o que parece é! Ora, aí está! Tudo vai da forma...Depende. O certo é que, à primeira leitura é uma coisa e, depois, é outra! Rosto de mulher ou homem a tocar saxofone?
Escrito/editado por Marta 15 Terráqueos
Etiquetas: ilusões ópticas
segunda-feira, abril 20
Nuvens e Vento
Nuvens e vento.
O que disse? Ai de mim, ai de mim. Nuvens? Vento? E não lhe parece que é tudo, olhar e reconhecer que aquilo que paira no azul interminável e vazio são nuvens? A nuvem sabe por ventura que existe? Nem a árvore nem a pedra, que se ignoram até a si mesmas, sabem que a nuvem existe; e estão sós.
Meus caros, olhando e reconhecendo a nuvem, podem pensar até na vivência da água (e porque não?) que se torna nuvem para depois se tornar de novo água. Bela coisa, sim. Para lhes explicar isso, basta um professorzeco de Física. E para lhes explicar o porquê dos porquês?
Luigi Pirandello in Um, Ninguém e cem Mil, pag. 38 e 39, 2003
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Livros que li, Luigi Pirandello
a verdadeira história dos pássaros...
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, valter hugo mãe
E se fossemos lá, num instante?
Pois é já daqui a dois dias! O concerto! Na "minha" cidade eterna. Dia 22. De Abril. E como não posso meter-me já no avião - porque o fazia, já, já - deixo-vos com Vanessa da Mata e Ben Harpar! Boa sorte!
Fica também a notícia, tal como me chegou! Em italiano [suspiro] Tão bonito! Enfim...
«Vanessa da Mata è una delle voci più importanti della musica popolare brasiliana. Autrice per Maria Bethania, Daniela Mercury e Caetano Veloso, nel 2008 ha vinto il Grammy Award per il miglior album contemporaneo brasiliano. Consacrata dalla stampa mondiale come la nuova diva dell'attuale scena brasiliana, con il terzo album SIM e il singolo Boa Sorte/Good Luck (in duetto con BEN HARPER), Vanessa balza alle vette delle classifiche mondiali, riscuotendo un successo planetario. Vanessa Da Mata e' senza dubbio uno degli artisti più interessanti, eclettici e straordinari che il grande patrimonio musicale del Brasile abbia mai prodotto».
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: concertos, Itália, musicas que ouço
Mais assim...
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
domingo, abril 19
Diz o que viu
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: Poemas que sinto; Escritores, Sophia de Mello Breyner Andresen
Foi assim que comecei a amar Sophia
Depois, foram as histórias mais compridas. Não rimavam. Mas a sensação de poema ficava cá dentro. Quando gostava muito delas. Até que, um dia, chegou a Menina do Mar. E eu percebi que os poemas e as estórias eram feitas por pessoas que conheciam outras pessoas, coisas e lugares que um dia, eu também queria conhecer. E pensei na sorte de Sophia! Por conhecer uma menina “de cabelos verdes, olhos roxos, com um vestido de algas encarnadas”. E um Rapaz de Bronze e uma Fada Oriana e um Cavaleiro da Dinamarca. E, depois, por Sophia, descobri que as estórias podiam ter poemas dentro. [Como os filhos, dentro dos abraços dos pais]. Como na estória A árvore, que tanto gostei de ler. E percebi, com clareza, que uma árvore pode transformar-se numa barca. E que, deste modo, uma árvore pode viver no mar. E descobri como um mastro se pode transformar numa guitarra e como essa guitarra pode ter voz. E como essa voz pode ser uma canção e como uma canção pode ser um poema. E como um poema pode ser a memória de uma árvore ou de um povo.
Ensinou-me o espanto. Foi assim que comecei a amar Sophia. Desde muito cedo. Ela cresceu em todos os meus sentidos. Em todo o meu sentir. E percebi, com ela, que não podia viver sem livros. Porque os livros dela me tinham ensinado a olhar para além do aparente. E foi, assim, que a fui procurar às livrarias. Pelo nome. E foi dela, o primeiro livro que eu comprei. Histórias da Terra e do Mar. E, depois, todos os outros que me chegaram. Até toda a sua poesia me entrar, letra a letra, nas veias. E circular como seiva. Até perceber a raiz do “inteiro” e do “original”. Até compreender todas as ilhas que habitam o mundo. Até me apaixonar pela Grécia. Até o mundo, não respirar sem ela. Sem a sua poesia.
E depois, ia-lhe escrevendo cartas. Até que um dia, em Viana do Castelo, durante uma Presidência Aberta, dei conta de nós, no mesmo lugar. Do lado de fora dos poemas. Peguei nas minhas cartas e nos seus livros. Na convicção mais funda do nosso encontro. E nas palavras iniciais que lhe queria dizer. Quando cheguei à Pousada de Santa Luzia, não havia santa que valesse a tanta ansiedade. Não sabia onde por as mãos e, muito menos, o coração. Não sabia nada. O seus poemas todos cá dentro. Como se fossem um só. As palavras apertadas na garganta. Os lábios colados. Quase não respirava. E acho que, mesmo assim, rezei. Para aquela gente ir toda embora. Mas não aconteceu. Até que ela se levantou e eu paralisei. Mas consegui ouvir e ver. E vi-a tão extraordinariamente bela. Tão extraordinariamente sábia. Tão extraordinariamente serena. Que não consegui fazer nada. Nem tão pouco aproximar-me. Admirei-a de longe. Como tinha de ser. Numa afasia total. Numa epifania absoluta. Dentro dos livros. No nosso lugar. Até ao dia da sua morte. Doze anos, depois, daquele dia, em que a vi. Sem a imaginar. Nessa noite de Julho, li-lhe as minhas cartas. Em voz alta. Só lá estava eu. E ela.
De uma praia
E em sua humana carne brilharia
A luz sem mancha do primeiro dia»
Escrito/editado por Marta 21 Terráqueos
Etiquetas: Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, abril 18
Animal olhar
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
Etiquetas: Antonio Ramos Rosa, Escritores, livros da minha vida, poemas
Pudesse eu
Pudesse eu morrer hoje como tu me morreste nessa noite —
e deitar-me na terra; e ter uma cama de pedra branca e
um cobertor de estrelas; e não ouvir senão o rumor das ervas
que despontam de noite, e os passos diminutos dos insectos,
e o canto do vento nos ciprestes; e não ter medo das sombras,
nem das aves negras nos meus braços de mármore,
nem de te ter perdido — não ter medo de nada. Pudesse
eu fechar os olhos neste instante e esquecer-me de tudo —
das tuas mãos tão frias quando estendi as minhas nessa noite;
de não teres dito a única palavra que me faria salvar-te, mesmo
deixando que eu perguntasse tudo; de teres insultado a vida
e chamado pela morte para me mostrares que o teu corpo
já tinha desistido, que ias matar-te em mim e que era tarde
para eu pensar em devolver-te os dias que roubara. Pudesse
eu cair num sono gelado como o teu e deixar de sentir a dor,
a dor incomparável de te ver acordado em tudo o que escrevi —
porque foi pelo poema que me amaste, o poema foi sempre
o que valeu a pena (o mais eram os gestos que não cabiam
nas mãos, os morangos a que o verão obrigou); e pudesse
eu deixar de escrever nesta manhã, o dia treme na linha
dos telhados, a vida hesita tanto, e pudesse
eu morrer,mas ouço-te a respirar no meu poema.
Maria do Rosário Pedreira In O CANTO DO VENTO NOS CIPRESTES, Lisboa, Gótica, 2001
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Maria do Rosário Pedreira
sexta-feira, abril 17
A noite pede música...
...e eu só pedia para já dançar assim...mas eu chego lá :) Se, não, não vale a pena...
Escrito/editado por Marta 8 Terráqueos
Etiquetas: Gotan Project, musicas que ouço, tango
A respiração das coisas
Na minha infância, antes de saber ler, ouvi recitar e aprendi de cor um antigo poema tradicional português, chamado Nau Catrineta. Tive assim a sorte de começar pela tradição oral, a sorte de conhecer o poema antes de conhecer a literatura.
Eu era de facto tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio.
Pensava também que, se conseguisse ficar completamente imóvel e muda em certos lugares mágicos do jardim, eu conseguiria ouvir um desses poemas que o próprio ar continha em si.
No fundo, toda a minha vida tentei escrever esse poema imanente. E aqueles momentos de silêncio no fundo do jardim ensinaram-me, muito tempo mais tarde, que não há poesia sem silêncio, sem que se tenha criado o vazio e a despersonalização.
Um dia em Epidauro – aproveitando o sossego deixado pelo horário do almoço dos turistas – coloquei-me no centro do teatro e disse em voz alta o princípio de um poema. E ouvi, no instante seguinte, lá no alto, a minha própria voz, livre, desligada de mim.
Tempos mais tarde, escrevi estes versos:
A voz sobe os últimos degraus
Ouço a palavra alada impessoal
Que reconheço por não ser já minha
imagem: daqui
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: livros da minha vida, Sophia de Mello Breyner Andresen
Porque há músicas e palavras...
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: amigos, amizade, cumplicidades
Coisas que combinam comigo...
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
quinta-feira, abril 16
Do desemprego
Escrito/editado por Marta 15 Terráqueos
Etiquetas: desemprego, sociedade
O espaço com Helena Almeida dentro
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: fotografia, Helena Almeida
quarta-feira, abril 15
Guardar uma coisa
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: Antonio Cícero, Poemas que sinto; Escritores
Poemas de jantar

+
a mesa posta de um verso
onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.
Ora aí está: uma francesinha, uma stout [a minha cerveja preferida], e um excerto de A defesa do Poeta, de Natália Correia! Tão pouco! Para ser feliz! [por favor, ala privada, não perguntem pelos bróculos :)]
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, francesinha, jantares, Natália Correia, stout
Contigo é isso tudo
Se eu te mandasse atirar de uma ponte
atiravas-te?
claro
porque a água era límpida e tinha um tesouro no fundo
mas se fosse um viaduto?
é evidente que caía no colo de uma bruxa que me raptava
e tu ias
[buscar-me e tiravas-me do caldeirão e isso tudo
isso tudo?
pois
isso tudo
contigo é isso tudo
se me mandas morrer
vivo
se me fazes sofrer
é sem dor
se me traíres
vai ser contigo
se me amares
é com outro
dás-me um chuto
e vou de ioió
e se o cordel sair
volto num pião
não há maneira
não há forma
não há jeito
vou voltar para ti mesmo que não queiras
mesmo que não gostes
mesmo que não existas
mesmo que me finem as forças
mesmo que sejas a imagem de um filme a preto e branco em que eras o cinzento]
e não te conheço
e não te mereço
mas amo-te e isso basta
não basta?
basta
não basta?
o amor chega
não chega?
ou queres que leve flores?
João Negreiros, in O Cheiro da Sombra das Flores, pag.71 e 72, 2007
imagem: autor desconhecido
Escrito/editado por Marta 17 Terráqueos
Etiquetas: João Negreiros, Poemas que sinto; Escritores
terça-feira, abril 14
O lado esquerdo de uma mulher
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar
Mimos, blogs e selos
Já o leio desde 2005! É verdade! É meu desde essa altura. E tenho aprendido por lá. Feito muitas descobertas! E, agora, recebo um selo, como se fosse uma carta :) Obrigada querida menina que já foi pássaro! Das tuas asas - digo - mãos, é uma honra! Nem todos os dias penso, é certo! Mas agradeço-te o gesto. Muito. E dizem-me para nomear mais dez. E eu nomeio os seguintes jovens pensantes :) Assim, por ordem de chegada ao meu pensamento:
Miguel; Diva, Sonja; Claudia; Eduardo; Dalaila; Eduardo; Miguel; Paulo; Filipe
[Agora, as regras mandam que os meus nomeados utilizem o selo para me escreverem uma carta, combinado?!] Tou a brincar :) Mas bem que podia ser a sério, uma vez que eu adoro ler cartas!] Quem recebeu o selo deve passá-lo a mais dez. Ou então, fazer de conta! Ou, ou...ou! O que quiserem e como quiserem, para mim está bem!
Escrito/editado por Marta 9 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio
Cotidiano nº 2
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: poemas, Vinicius de Moraes
domingo, abril 12
Dias de culto
imagem: Filipe Pereira
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
sábado, abril 11
Dádiva II
[a postar em condições adversas! depois conto! porque a rede falta a qualquer momento! deixo-vos com esta bela música que me acompanha em pleno parque natural do Douro Internacional...]
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Antony and the Johnsons;musicas que ouço
sexta-feira, abril 10
Deve ter 237 anos [II]
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: delírio agudo, estórias que escrevi
quinta-feira, abril 9
A Páscoa pelos rituais
do seu sorriso.
Escrito/editado por Marta 18 Terráqueos
quarta-feira, abril 8
Deixa-me ser
Deixa-me ser assim só/ Ser nuvem, ser dó/Ser vento, ser norte/ Ser alma, ser sorte/ Ser dia nenhum/ Deixa-me ser margem/ Do rio que sou/ Ser rua estreita/ De qualquer viela/Ser barco à vela/ Do mar que não vejo
Imagem: Armindo Moreira
Escrito/editado por Marta 14 Terráqueos
Etiquetas: poemas
Um coelho - anão...é verdade!
[A partir de hoje, tudo pode acontecer! Cedi e, agora, pronto! Mas como não ceder a um pedido da E.? Não tenho blog e tal... (um sem-blog é como um sem-terra, já repararam, claro!) e preciso Marta querida, querida Marta (aqui eu ainda não sabia o que ela ia pedir, mas já tinha decidido que sim) que publiques este texto, no teu blog, que escrevi para o Alfredo, (eu pensei, assim, tipo, é uma carta de amor, apaixonou-se...) o coelho da minha irmã!!!! Ganhou um prémio e ela está tão feliz e... pronto. Como não publicar o texto sobre o Alfi... (para os amigos ) e ...pelos amigos! Sim. A partir de hoje tudo pode acontecer. Neste blog! Deixo-vos, com o texto da E.]
Agora, confesso-me, até eu gosto do Alfredo. Eu, que resisti a todas as suas tentativas de aproximação. Eu, que só não o comi, porque me restam alguns princípios e algum (pouco) bom senso. Eu, que numa tentativa de o diminuir, sempre lhe chamei rato – ou ratazana – às vezes. O Alfredo é um coelho. Um senhor coelho. Agora, o mais medalhado elemento da família F. Discreto, com gostos muito próprios e vincados por cabos e carregadores de telemóveis. É um coelho receptivo às novas tecnologias. Propenso a saltar para os teclados dos computadores e com as suas patinhas (sim, agora já não são patorras), a escrever frases inteiras de carinhos coelheiros. Eu, comum mortal da raça humana, não poderei nunca entender os seus saltos mortais para trás do sofá, ou o porquê de insistir em comer folhas de papel, cartão e fichas eléctricas. Tão pouco, o seu descontrole intestinal que chega a ser assustador. Intrigam-me também as suas poses de múmia, quando entra em transe e nem um tufão o faz mexer. Aliás, foi num desses seus momentos Zen, que a máquina fotográfica captou o instante que viria a ser premiado. Tenho tido vários arrufos com o Alfredo. Verdadeiros braços/patas de ferro. Ele, às vezes, irrita-me solenemente. Faz barulhos estranhos enquanto tento escrever. Olho para ele, enfurecida, e ele cala-se. Volto a escrever, e ele recomeça... Salta que é uma coisa louca! E, diga-se, só estou com ele aos fins-de-semana. A primeira vez que o vi, não consegui perceber muito bem onde começava e onde acabava. Ou melhor, qual era a parte dianteira e traseira. Talvez o problema não seja dele. Não deve ser de certeza. Até porque ele já ganhou um prémio de beleza e eu não. Apesar disso, temos algumas características em comum: somos Sagitários, somos roda baixa, gostamos de cenouras, gostamos de escrever, e a mãe dele até tem o mesmo nome que eu. O pai chama-se Patusco, o que me leva a crer, que terá também algumas semelhanças com o que o futuro me reserva. De resto, o Alfredo é o Alfredo. Um coelho-anão, que ontem conseguiu fazer-me rir quando a tarde ameaçava dilúvios. Alfredo, estou contigo! E faço o apelo: vamos eleger este coelho como o melhor do ano! Todos juntos, em nome desse sentimentalismo coelheiro que nos une, nesta altura da Páscoa! Bem haja ao Alfredo e à P., a minha mais preciosa caixinha de surpresas. E.
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: amizade
Dedicada ao Homem do Leme, Funes, o memorioso...
...isto porque os ovos Kinder são para quem os merece!
«E mais que uma onda, mais que uma maré.../Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé.../Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,vai quem já nada teme, vai o homem do leme.../E uma vontade de rir nasce do fundo do ser./E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,/a vida é sempre a perder...
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: musicas que ouço
terça-feira, abril 7
E o camião quase a chegar e a estória por escrever
E eu, sempre a olhar para o relógio, disfarçadamente, claro.O tempo a passar e eu sem nenhuma estória! E o camião quase a chegar e ninguém arredava o pé dali! E eu sempre muito angustiada! Como ficarias desiludido, António, se entrasses ali, naquele momento! Até eu estava estranha. Sem sapatilhas! Estava com aqueles sapatos que tu não gostas, porque fazem barulho!
Para me abstrair pensei no Antonejo, o caranguejo, no Ouré, o ouriço do mar, no Guiminho, o lobo marinho, na Mariela, a estrela do mar, no Tubarel, o tubarão brincalhão e na Francibela, a sereia! Pensei, ainda, na Benedita, a bruxinha que veio de Praga, de avião, porque tinha a vassoura avariada! Pensei no quanto ela gosta de cerejas! [Lembras-te? Comeu as dela e as do José...]. E no quanto eu gosto de ti – tanto, tudo, íssimo António - e nas coisas que me ensinas.
E no que sinto, quando me ensinas a ver, com o rosto emoldurado entre as tuas mãos, a pedir em silêncio, olha para mim!
Penso em todas as estórias e personagens das nossas brincadeiras para ver se o tempo passa mais depressa! [É engraçado António! Quando estou contigo, o tempo passa depressa de mais e, aqui, à volta de uma mesa, onde nunca chegam bolos de aniversário, o tempo emaranha-se e demora demasiado].
Estou apreensiva, António! Daqui a pouco, ouvirei o motor do camião, junto ao rio e temo não ter a estória pronta! Porque eles não saem daqui, António! Devem ter-se enganado, estes senhores das estratégias, das campanhas, dos investimentos e dos retornos!
Não vêem como tu vês! Não descobrem, como tu descobres!
- Sabes tia, eu já sei o que fazes no teu trabalho! Escreves estórias com uma caneta mágica que tem sempre tinta! Depois, vai lá um camião, todos os dias, buscar as estórias para as lojas, para os pais comprarem e lerem à noite!
Pois é António! Mas só tu sabes, meu amor! Só tu descobriste!
[parabéns pais!]
Escrito/editado por Marta 13 Terráqueos
Etiquetas: amor, os meus sobrinhos são genias
Um hemisfério numa cabeleira
Deixa-me respirar por muito, muito tempo, o odor dos teus cabelos, mergulhar neles todo o meu rosto, como um homem sequioso na água de uma nascente,e agitá-los com a mão como um lenço perfumado, para sacudir as recordações no ar. Se tu pudesses saber tudo o que vejo! Tudo o que sinto! Tudo o que ouço nos teus cabelos! Minha alma viaja sobre o perfume como a alma dos outros homens viaja sobre a música. Os teus cabelos contêm um sonho inteiro, cheio de velas e de mastros; contêm grandes mares cujas monções me levam para climas adoráveis, onde o espaço é mais azul e mais profundo, onde a atmosfera tem o perfume dos frutos, das folhas e de pele humana. No oceano da tua cabeleira, entrevejo um porto a formigar de canções dolentes, de homens vigorosos de todas as nações e navios de todas as formas recortando as arquitecturas finas e complicadas sob um céu imenso onde se pavoneia um calor eterno. Nas carícias da tua cabeleira, encontro os langores das horas passadas sobre um divã no camarote dum belo navio, embaladas pelo arfar imperceptível do porto, por entre os vasos de flores e as bilhas que refrescam a água. No lume ardente da tua cabeleira, respiro o odor do tabaco misturado com ópio e açúcar; na noite da tua cabeleira, vejo resplandecer o infinito do azul tropical; nas praias acetinadas da tua cabeleira, embebedo-me com os odores combinados de alcatrão, de musgo e de óleo de coco. Enquanto mordisco os teus cabelos elásticos e rebeldes, parece-me que devoro recordações.
Imagem: Molin Rouge
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Charles Baudelair, Escritores, livros da minha vida
segunda-feira, abril 6
Onde se confessam os pianistas?
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu na mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma, a tinta do coração, o fel da vida, o líquido do sentimento.
Porque ajuntou logo a natureza nos mesmos olhos dois efeitos tão contrários, ver e chorar? A razão e a experiência é esta. Ajuntou a Natureza a vista e as lágrimas, porque as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver, porque o ver é a causa do chorar. Sabeis porque choram os olhos? Porque vêem.
Inês Pedrosa in A Eternidade e o Desejo, pag. 136, 137, Dom Quixote,2007
Texto a bold: fragmento discursos de Padre António Vieira
[para a minha querida E.]
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
Etiquetas: Inês Pedrosa, livros da minha vida;Pe. António Vieira
Corrente de ar
Escrito/editado por Marta 8 Terráqueos
Etiquetas: Corrente de ar, patrick dempsey; blogs que leio
domingo, abril 5
Oito à volta da mesa
Escrito/editado por Marta 16 Terráqueos
sábado, abril 4
Ajuda-me a olhar

Diego no conocía la mar. El padre, Santiago Kovadloff*, lo llevó a descubrirla.
Viajaron al sur.
Ella, la mar, estaba más allá de los altos médanos, esperando.
Cuando el niño y su padre alcanzaron por fim aquellas cumbres de arena, después de mutcho caminar, la mar estalló ante sus ojos. Y fue tanta la inmensidad de la mar, y tanto su folgor, que el niño quedó mudo de hermosura.
Y cuando por fin consiguió hablar, temblando, tartamudeando, pidió a su padre:
- Ayudame a mirar!
Eduardo Galeano, La función del arte, in El Viaje,pag.27, H Kliczkowski, 2006
imagem: autor desconhecido
*Santiago Kovadloff
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: Eduardo Galeano, livros da minha vida, Poemas que sinto
sexta-feira, abril 3
Coisas que me irritam solenemente
Porque é que há pessoas que não querendo atravessar a rua escolhem a boca das passadeiras para colocarem a conversa em dia???? Tanto café, tanto banco de jardim, metros e metros de berma de passeio...mas não! Têm de parar ali! Haja ou não semáforo para lhes dar a vez que, afinal, não querem! Paramos, como manda o código mas, acima de tudo, o civismo, e as pessoas teimam, porque teimam, em dar-nos a vez, a nós automobilistas, felizes, com a boa acção, talvez! Porque não atravessam e, se não querem atravessar, porque param na entrada da passadeira a conversar????!!!!! Com tanto café, tanto banco de jardim... Arre...
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Arre..
quinta-feira, abril 2
A Biblioteca Infinita
Em cada segundo que se demorou a ler este texto foram criados 1.4 blogues, e publicaram-se 1000 posts por minuto. Nunca se leu nem escreveu tanto, o que só nos faz pensar quão longe estamos da revolução provocada por Guttenberg.
A caneca arrefece de vazia, mas ainda vive lá dentro o cheiro do café. Da janela podemos ver a rua, onde, no meio da multidão que prossegue no seu rumo, há já quem nos conheça, há já quem se tenha cruzado com os nossos pensamentos, há quem nos tenha influenciado, sem nunca lhes termos visto a cara ou sentido a vibração da sua voz. Somos figuras de carne e osso anónimas que se assumem famosas no mundo virtual. E a nossa obra não tem um fim, como nos romances.
Voltamos para a frente do ecrã, a nossa janela para as ruas cheias de janelas de todo o mundo, colocamos as mãos em cima do teclado, e começamos.
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, jornalistas
quarta-feira, abril 1
A mulher que não vende a SMS
Lê o jornal na diagonal, a correr. Só os títulos e os leads. Não dá para mais. Só as notícias suficientes do café matinal. Antes de começar a trabalhar. De repente, estanca no anúncio, a bold:107 letras
2 pontos finais
2 travessões
3 vírgulas
1 ponto de interrogação
Bom preço.
Não quer acreditar no que lê. O mundo é um lugar estranho. E belo. Está tudo louco. Não quero viver aqui! Pensa. Que a outra venda a morte em directo, o outro as desilusões da vida, a outra a virgindade. Pronto! Mas um SMS!!!!
Perdido nestes pensamentos, incrédulo, pede ao senhor do lado:
- importa-se de ler, este anúncio, por favor. Em voz alta. Rápido. Que eu já estou atrasado.
E o senhor que leu, em voz alta, rápido, sem se engasgar, pergunta-lhe:
- é de hoje o jornal?
E o homem sai para a rua, absolutamente perturbado com o anúncio, abanando a cabeça, lentamente, ora para a direita, ora para a esquerda. Quando volta a parar, mesmo em cima de um outdoor, colocado à frente do seu nariz:
Vende-se SMS
107 letras
2 pontos finais
2 travessões
3 vírgulas
1 ponto de interrogação
Bom preço.
A cidade emite aquele anúncio a uma velocidade vertiginosa! Em tudo o que é suporte publicitário, aparece o anúncio da SMS. Mupis, autocarros, fachadas de prédios devolutos! Até os jornais gratuitos e todas as revistas do quiosque fazem menção à venda da SMS. Até mesmo uma avioneta, sobrevoa a cidade com uma faixa ondulante a promover a venda. Entre os transeuntes, o homem dá, agora, conta – estupefacto - de uma autêntica brigada publicitária que coloca cartazes, calmamente, em todas as paredes desocupadas da cidade.
Sobe ao terceiro andar do seu escritório e todos os colegas tem na mão um panfleto anunciando a venda da SMS! Todos, pela manhã, retiraram das caixas do correio a insólita mono folha. Todos! Mesmo daquelas que tem um autocolante amarelo a dizer: por favor não deixe publicidade.
No escritório comentavam, entre si, que no Ebay a licitação da SMS vai numa fortuna! E que quem teve a ideia de a vender, não precisaria de trabalhar mais. De repente, ficaria rico, milionário, talvez. Era ainda manhã e o valor da SMS já tinha ultrapassado todas as expectativas.
Entretanto, outros comentam que as televisões andam desesperadas para saber quem colocou o anúncio, quem accionou a campanha. Querem fazer um directo. Quem se teria lembrado de vender a SMS, o que diriam aquelas letras e sinais, qual era a mensagem.
De repente, alguém informa, que no Twitter um homem seguia outro homem que por sua vez conhecia… quando, a rádio anuncia:
Campanha da venda da SMS cancelada. Encontrado homem que a roubou.
Pertence a uma mulher pobre que declarou não a querer vender.
[e foi assim que as SMS entraram para a Bolsa de Valores]
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: amizade, Crónicas de uma marta anunciada
Se amar um marinheiro terei amado o mundo inteiro
Fez-se muitas perguntas mas nunca pode responder: parava para sentir.
A tragédia moderna é a procura vã de adaptação do homem ao estado de coisas que ele criou.
eu me sinto tão dentro do mundo que me parece não estar pensando, mas usando de uma nova modalidade de respirar
não é o grau que separa a inteligência do gênio, mas a qualidade
Medo de não amar, maior que o medo de não ser amado.
Que façam harpas de meus nervos quando eu morrer.
... a vida sempre nos deixa intocados.
conto apenas o que vi, não o que vejo (não sei repetir)
Lalande - lágrimas de anjo. É o mar, que nenhumm olhar ainda viu.
a beleza das palavras, natureza abstrata de Deus
Se amar um marinheiro terei amado o mundo inteiro.
essa tristeza leve é a constatação de viver
Meu filho crescerá de minha força e me esmagará com sua vida
posso parir um filho e nada sei
compreende a vida porque não é suficientemente inteligente para não compreendê-la
- Bom é viver. Mau é...
Mau é não viver...
- Morrer?
- Não, não. Mau é não viver... morrer é diferente do bom e do mal
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto, como o que sinto se transforma lentamente no que digo.
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: Clarice Lispector
































