terça-feira, fevereiro 2
SEIVA - a sobrevivência dos cactos
«Numa terra árida e quente, apenas pontuada por alguns cactos, uma mãe (Hécuba) e duas filhas (Yerma, a filha biológica, e Ofélia, a filha adoptiva), nunca param, como se cumprissem uma espécie de penitência. Todas escondem segredos que, pouco a pouco, vão sendo confessados, e mantêm-se auto-suficientes graças aos cactos que vão comendo. Mas caminhar para onde e para quê? O que fazer quando descobrem que todas partilham do mesmo desejo, o de assumir as suas verdadeiras identidades?
Hécuba – A vida vive-se, não espera que a vivamos. As coisas acontecem.
Ofélia – E como é que vives depois de ser atropelada por um camião?
Hécuba – Levantas-te e caminhas, Lázaro.
Ofélia – Até quando?!
Hécuba (austera) – Até teres esgotado realmente as tuas energias. (pausa; o tom adocica-se) Às vezes, quando pensas que estás morta, descobres que ainda podes arrastar-te mais um pouco e, com o tempo, recobras as forças.
[gostava tanto de ir! é no Teatro Dona Maria II. dia 9 de Fevereiro. a entrada é livre]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: teatro
sexta-feira, janeiro 8
"amo-te mais do que apenas mais um dia"
já está no Porto. e, ontem, lá estava eu, no Teatro de S. João, de olhos postos no palco, à espera da aparição. e sim, lá estava, a grande Senhora, sózinha, sentada num cadeirão, capaz de deitar o mundo por terra. apenas com a sua presença.
O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO. sim, ontem sim, percebi o título como se fosse a mais transparente das claridades. também eu, devo o conhecimento à antropologia.
«se eu não der os sapatos dele, ele volta para os calçar» sim, poderá funcionar. se eu acreditar. afinal é esse o cerne do pensamento mágico, do raciocínio causal não-cientifico.
claro que saí de lá com a alma um pouco maior. e com meia dúzia de frases nos lábios:
«se te atribuirem um assistente social, é porque estás com um problema».
«aconteceu-me a mim, mas pode acontecer a qualquer um de vós» tão lúcido.
«amo-te mais do que apenas mais um dia». e claro. tão claro. agora.
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Eunice Munoz, teatro
quinta-feira, novembro 12
"o ano do pensamento mágico"
Escrito/editado por Marta 12 Terráqueos
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terça-feira, abril 28
À espera de Godot
Tendo convivido muito com Nora e James Joyce durante a juventude – o seu primeiro texto publicado é um ensaio sobre o autor do Ulysses - o irlandês Samuel Becket veio a traçar o seu próprio caminho não só através de textos que exprimem um profundo mal-estar existencial, mas sobretudo pela via do teatro. A sua peça mais decisiva continua a ser À Espera de Godot, escrita em francês, vinda a lume em Paris em 1952, encenada por George Blin no ano seguinte e traduzida pelo próprio autor para inglês em 1955.
Decorrendo à beira de uma estrada no campo, junto de uma árvore, a acção envolve dois dias na vida de Estragon e Vladimir, dois vagabundos que esperam em vão a chegada de um misterioso ausente que nunca virá a aparecer – Godot, cujo nome pode ser legível como um diminutivo de God (Deus). Enquanto dialogam entre si e com mais duas personagens – o arrogante Pozzo e o seu lacaio Lucky – Estragon e Vladimir acabam por extravasar nas suas oscilações de humor (Estragon mais pessimista, Vladimir, apesar de tudo, mais entusiástico) todo o vazio da existência humana, condenada à incerteza, ao negrume e ao sofrimento. Esta obra radicalmente negativa é uma das principais contribuições para o chamado teatro do absurdo e representa um dos grandes símbolos da melancolia e do desespero do século XX.
in Guia da Exposição 100 Livros do Século
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
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