quarta-feira, maio 19

Homens de Escabeche


O título, à partida, sem mais, faz-me sorrir. No entanto, o e-mail da minha Marta, diz assim: «Queridas amigas: ontem fui à estreia da peça "Homens de Escabeche", no Teatro Campo Alegre. Aconselho-vos a ir ver, é muito bom. Bj Marta
PS. levem um pacote de kleenex (dois, no caso da Marta V.)»

Não há melhor "publicidade" do que o passa a palavra, realmente...apesar de eu não ficar muito bem na fotografia, não resisti à " [in]confidência".
E se a Marta M. gostou e recomenda, para mim está validado.
Ora, então, quem vem comigo ao teatro? :) ;)

quinta-feira, abril 1

depois do telefonema

[esta é a forma mais rápida de chegar aí e abraçar-te.

obrigada minha absolutamente querida Zaclis]

quarta-feira, fevereiro 24

parabéns, querida Marta


é tão simples. há pessoas que todos os dias, todos os dias fazem mais e mais sentido na minha vida. todos os dias se torna mais claro e evidente porque chegaram. porque permanecem. como se a minha vida existisse exactamente para isso, para as receber. para fazer sentido. sentido assim de sentir. sentido assim de bússola

assim de fazer todos os sentidos numa só direcção.

fazer sentido é fazer sol. é fazer um caminho. é fazer um dia inteiro feliz.

o teu sorriso, Marta, é a minha cor preferida.
e faz-me sentir. faz-me tanto sentido.

quarta-feira, fevereiro 10

felicidade é...

...felicidade é: reencontrar uma amiga dos tempos do liceu... e saber que vamos conversar como se estivessemos no intervalo e...e nunca mais tocasse para dentro ...

e muitas coisas. muitas. :)
imagem: limpid

quinta-feira, fevereiro 4

raios de sol e centeio


e, se de repente, lhe oferecerem uma lata de tinta com um campo de centeio maduro, dentro?
ou, então, uma lata de tinta a transbordar de raios de sol?
isso é...isso é um gesto que nunca mais se esquece. não. não é pela memória.
é pelos raios de sol. pela seara infinita de afectos. em pleno inverno.
[Pedro, Paula, António, José. obrigada. tanto tudo íssimo]

sábado, dezembro 5

a grande notícia

a nossa querida, muito pequenina, muitíssimo forte e absolutamente linda ALEXANDRA
já está em casa :)
[...]
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.

Herberto Helder
in Poesia Toda

segunda-feira, novembro 23

Cinco Horas


Minha mesa no Café,

Quero-lhe tanto...A garrida

Toda de pedra brunida

Que linda e que fresca é!


Um sifão verde no meio

E, ao seu lado, a fosforeira

Diante do meu copo cheio

Uma bebida ligeira.


(Eu bani sempre os licores

Que acho pouco ornamentais:

Os xaropes têm cores

Mais vivas e mais brutais)


Sobre ela posso escrever

Os meus versos prateados,

Com estranheza dos criados

Que me olham sem perceber...


Sobre ela descanso os braços

Numa atitude alheada,

Buscando pelo ar os traços

Da minha vida passada.


Ou acendendo cigarros,

- Pois há um ano que fumo -

Imaginário presumo

Os meus enredos bizarros.


(E se acaso em minha frente

Uma linda mulher brilha,

O fumo da cigarrilha

Vai beijá-la, claramente...)


Um novo freguês que entra

É um novo actor no tablado,

Que o meu olhar fatigado

Nele outro enredo concentra.


E o carmim daquela boca

Que ao fundo descubro, triste,

Na minha ideia persiste

E nunca mais se desloca.


Cinge tais futilidades

A minha recordação,

E destes vislumbres são

As minhas maiores saudades...


(Que história de Oiro tão bela

Na minha vida abortou:

Eu fui herói de novela

Que autor nenhum empregou...)


Nos cafés espero a vida

Que nunca vem ter comigo:

- Não me faz nenhum castigo,

Que o tempo passa em corrida.


Passar tempo é o meu fito,

Ideal que só me resta:

P´ra mim não há melhor festa,

Nem mais nada acho bonito.


Cafés da minha preguiça,

Sois hoje - que galardão! -

Todo o meu campo de acção

E toda a minha cobiça.


Mário de Sá Carneiro


[poema dedicado ao meu absolutamente querido Alfredo Mendes que, amanhã, lança um livro sobre o Piolho, café que assinala este ano, um século]
imagem: Lesser Ury, Abend in Café Bauer, 1898

domingo, novembro 22

fazes falta aos dois...





[devolução de SMS:
..."aparece, fazes falta aos dois. os dois sou eu e o resto do mundo"
PARABÉNS meu querido João Negreiros]
imagens:Tiago Taron

sexta-feira, novembro 6

2 convites, 1 pintora = Catarina Machado



2 convites; 1 pintora. a minha absolutamente querida amiga CATARINA MACHADO inaugura 2 exposições individuais nas Galerias Alvarez : LITTLE WING - inauguração dia 6 de Novembro (hoje) às 22 horas na Galeria Alvarez da Av. da Boavista, nº707 e TRANSLATION MOVEMENT - inauguração dia 7 de Novembro (amanhã) às 16 h na Galeria Alvarez, Rua Miguel Bombarda nº 572. A não perder. Obviamente :)

terça-feira, outubro 13

Para o Ricardo


Mal nos conhecemos


Inaugurámos a palavra «amigo».


«Amigo» é um sorriso


De boca em boca,


Um olhar bem limpo,


Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,


Um coração pronto a pulsar


Na nossa mão!


«Amigo» (recordam-se, vocês aí,


Escrupulosos detritos?)


«Amigo» é o contrário de inimigo!


«Amigo» é o erro corrigido,


Não o erro perseguido, explorado,


É a verdade partilhada, praticada.


«Amigo» é a solidão derrotada!


«Amigo» é uma grande tarefa,


Um trabalho sem fim,


Um espaço útil, um tempo fértil,


«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, in No Reino da Dinamarca

[este poema é dedicado ao meu querido RICARDO. Parabéns pelo dia 4 de Outubro. Muitos 4 de Outubro nas nossas vidas. Felizes como nesse magnífico Domingo que ainda não vos tinha agradecido. Aqui. Eu sei que sabem, aquilo da felicidade... de te/vos ter como amigo (s)]

quarta-feira, setembro 23

a felicidade e a felicidade completa




felicidade é:

alguém arriscar tomar um café connosco, sem telefonar e encontrar-nos no meio do turbilhão.

felicidade completa é:

alguém arriscar tomar café connosco, sem telefonar e encontrar-nos no meio do turbilhão e oferecer-nos uma caixa de bombons. da ARCÁDIA.

terça-feira, setembro 15

Um vendedor de flores

«É isso aí...Como a gente achou que ia ser/A vida tão simples é boa/Quase sempre.
[...]
Um vendedor de flores/Ensina seus filhos/A escolher seus amores...»
[Parabéns minha muito QUERIDA Leonor]
imagem: Google

quarta-feira, setembro 2

Curação por curação...

Há corações assim.

sexta-feira, agosto 28

Os amigos



Esses estranhos que nós amamos

e nos amam

olhamos para eles e são sempre

adolescentes, assustados e sós

sem nenhum sentido prático

sem grande noção da ameaça ou da renúncia

que sobre a luz incide

descuidados e intensos no seu exagero

de temporalidade pura


Um dia acordamos tristes da sua tristeza

pois o fortuito significado dos campos

explica por outras palavras

aquilo que tornava os olhos incomparáveis


Mas a impressão maior é a da alegria

de uma maneira que nem se consegue

e por isso ténue, misteriosa:

talvez seja assim todo o amor


José Tolentino de Mendonça


[Dedicado à Claudia com um grande, grande beijinho de PARABÉNS! Tudo de BOM hoje e sempre, minha querida... e, leva as rosas, também são para ti :)]

quarta-feira, agosto 26

A gente não faz amigos, reconhece-os


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber -que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinicius de Moraes
[Para o João, com um beijo de PARABÉNS, feio :) ! Tudo de BOM, hoje e sempre! Que o teu "céu" seja sempre muito azul :)]
imagem: Jonathan Blondiau

segunda-feira, agosto 24

felicidade versus tristeza

Sábado, dia 22 - garanto-vos - foi um dia muito feliz. Jamais o esquecerei. Feliz. Absolutamente feliz. Sem reservas. Fomos jantar. Um grupo de amigos. Entre esses amigos, estava uma amiga com quem, a cada encontro, ganho uma afinidade. Afinidades invulgares, diga-se. Um dia explico.
Conversamos, rimos, recordamos. Falamos de férias - sim, que ainda não as esgotamos - fizemos planos para amanhã. Para depois de amanhã. Para Setembro.
Hoje, dia 23, a mãe dessa amiga já não está entre nós. Assim, sem mais. Sem que nada o fizesse prever. Exactamente como na vida!
E não me larga o pensamento aquela frase do Chaplin: "a felicidade completa é algo que está muito próximo da tristeza".
imagem: cirandar

sexta-feira, agosto 21

E a melhor receita de sangria...

...quem a tem? Para eu dar ao meu amigo Neville! Agora, está na Escócia. E pede que lhe mande a melhor receita de sangria! O meu "kiwi friend" adorou esta bebida com frutos dentro! Quer experimentar fazê-la, lá na Nova Zelândia. Portanto, quem tiver a melhor receita, por favor, dê-ma! Obrigada :)

Mais parabéns

ou





Este blog, hoje, dia 21 de Agosto, está em festa! Duas amigas, muito queridas fazem anos! Este é para a Paulinha. Ela sabe porquê :) :) :) :) parabéns minha querida! Tudo de BOM...

O Porto é só uma certa maneira...


O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras, sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar.

O Porto é só esta atenção empenhada em escutar os passos dos velhos, que a certas horas atravessam a rua para passarem os dias no café em frente, os olhos vazios, as lágrimas todas das crianças de São Vítor correndo nos sulcos de sua melancolia.

O Porto é só a pequena praça onde há tantos anos aprendo metodicamente a ser árvore, aproximando-me assim cada vez mais da restolhada matinal dos pardais, esses velhacos que, por muito que se afastem, regressam sempre à minha vida.

Desentendido da cidade, olho na palma da mão os resíduos da juventude, e dessa paixão sem regra deixarei que uma pétala pouse aqui, por ser de cal.

[minha querida amiga, deixo-te este poema de Eugénio de Andrade sobre esta cidade que também é tua. Tão tua, como tu, nossa! A ilustração é de uma fotógrafa que muito admiro...

Feliz aniversário, querida Zaclis:) TUDO de bom hoje e sempre ]


Eugénio de Andrade

imagem: Zaclis Veiga

sexta-feira, agosto 7

My kiwi friend


Chegou na terça-feira passada ao Porto, vindo de Madrid. Já não o via há sete anos! Está igual. Igualzinho. Ele concorda comigo. Diz que é um homem de sorte. Com muita saúde. E sorri. Como se o mundo fosse um lugar absolutamente bom. E o tempo fosse apenas de uma benevolência irrefutável.

Ofereci-lhe um quarto, lá em casa. Aceitou. Pousou a mochila num dos cantos e disse: está perfeito, Marta. Obrigado.

À noite, ao jantar, fiz sopa de cação. Ainda influenciada pelos sabores alentejanos. Cação fresco, coentros frescos, pão alentejano. Com três dias. Como pede a receita. Abrimos um vinho branco. Brindamos. Conversamos. Conversamos. Conversamos. Lovely dinner, Marta. Very aromatic. Thank you. E eu é que lhe agradeço-lhe tanta gentileza. Tanta sabedoria.
E tem sido assim. Eu a trabalhar. O Neville a passear pelo Porto. É a segunda vez que visita o Porto. Encanta-se com o rio Douro. Com as pontes. Com a história do Vinho do Porto. O Porto tem carácter, Marta. E eu sorrio. E aceno que sim. Com o sorriso e com a cabeça.
Hoje, de manhã, deixei-o em Serralves. No caminho, contou-me que faz parte de um clube que ensina os jovens a plantar árvores, a tratar das árvores, a saber o nome das árvores. O Neville ensina-me muitas coisas interessantes. O Neville sabe imensas coisas extraordinárias. Ao pequeno almoço falamos de Samoa island. E de Margaret Mead, claro. Falamos, ainda e sempre das suas longas viagens. Domingo parte para Londres, depois Escócia. O Neville tem sangue escocês. Depois, da Escócia, parte para Hong-Kong. Ontem à noite, estive a mostrar-lhe o meu albúm de fotografias de Hong-Kong. Ele não tira fotografias. Regista tudo na memória. No coração e num caderno de viagem. O Neville é um neozelandês muito especial que viaja pelo mundo desde que se reformou dos 43 anos de ensino. Foi professor. Sabe, para minha delícia, umas palavras maori. Pedi que mas ensinasse. Pedi, também, para me explicar as regras do rugby! O Neville adora rugby. E eu gosto de ver o Haka.

O Neville tem quase 79 anos. Fá-los em Dezembro. Eu também gostava de um dia ter 79 anos assim, como os dele. No dia 4 de Setembro regressa à sua Nova Zelândia. À espera estão os três filhos, as noras e os netos. O Neville tem uma história de vida incrível. Eu gosto muito dele. E admiro-o bastante. E pronto. Vou almoçar. Com o meu kiwi friend. Como ele diz. E muito bem.
imagem: Google