terça-feira, fevereiro 26

Fernão Mendes Pinto

sábado, fevereiro 23

a noite pede música


sexta-feira, fevereiro 22

Diz-me que pedra é essa

Diz-me que pedra é essa
Onde te deitas desconfortável
Em cada noite.

Os ossos absorvem o frio,
Acomodam-se à irregularidade
Dos veios que irão

Assinalar os pontos mais sensíveis
Do território íntimo,
Aquele onde se sente mais

A pontada de frio
Quando não se adormece.
E a garganta,

Limite de ansiedades e sobrevoos,
Retrai-se
Como um fruto encarquilhado

Já sem seiva
Ou sabor possíveis.
Diz-me

Onde está a fronteira
Entre o espaço que ocupas
E o deserto que olhas.

Rui Almeida

He Gave Me The Brightest Star

E a imensa Hélia Correia...



...ganha dois prémios: este e este :)
 
 
A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E, ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua.

Hélia Correia in A Terceira Miséria

a noite pede música


+ chuva


[respondendo ao outro lado do atlântico]

você está aqui

 
Eu estou aqui, com ele, mas ainda não o li.
 
Entretanto, pode ler sobre o livro aqui
O blog do poeta aqui
E se lhe apetecer encomendar já o livro pode ser aqui
 

Trevo


...de 4 folhas, para a minha querida Helena.
E para quem estiver a precisar de encontrar um, sem ir ao jardim.

Fado dos dias assim


Há dias assim, de pedidos especiais. A Helena Sarmento está a produzir o seu 2º disco "Fado dos Dias Assim" e lembrou-se de promover uma  pré-venda para ajudar a pagar a sua produção independente, uma vez que se trata de uma edição de autor, tal como o primeiro, Fado Azul.
Diz ela num e-mail que faz circular por aí «um trabalho muito querido, muito pensado e cheio daqueles imprevistos bons que fazem com que hoje não o consiga imaginar com outro título que não o de "Fado dos Dias Assim". O disco já nasceu mas ainda precisa de muita coisa antes de chegar aos ouvidos de quem o quiser escutar. Venho por isso propor-vos a compra antecipada, ou seja antes que ele chegue aos pontos de venda, em Março. Assim", autografado por mim, por um preço especial e bastante inferior ao que irá ser o seu preço de venda ao público, 12€ (disco + portes de envio)".  Esta campanha decorre até ao dia 28 de Fevereiro. Os interessados podem pedir mais informações através do e-mail:helenasarmento.fadoazul@gmail.com
Para escutar... encostem o ouvido aqui

porque sim

"Os Poetas"

 
« O projecto "Os Poetas", de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, está de volta e estão já agendados três concertos, o primeiro deles no Porto, já no próximo dia 3 de Março, na Casa da Música. Um espectáculo a não perder!

Para além dos concertos, que darão origem a um novo CD com faixas inéditas gravadas em 2012, é com orgulho que se comunica a reedição do álbum «Entre nós e as palavras», publicado originalmente em 1997 e desde há muito esgotado, um projecto ímpar na história da discografia nacional, onde alguma da melhor poesia portuguesa das últimas décadas do século XX se faz ouvir, pela voz dos seus autores, ao som de composições criadas por Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro.

Dizer-se que a música acompanha a enunciação dos textos não basta, pois a ambição foi maior. Com efeito, neste álbum os compositores criaram um ambiente ou universo sonoro em que a palavra dos poetas actua, com o seu tempo e ritmos próprios – mas nesse universo também se encontram diversos temas exclusivamente instrumentais; momentos em que só a palavra domina, como os de António Franco Alexandre, ou de Mário Cesariny em «Pastelaria» e «You Are Welcome to Elsinore»; e ainda o belíssimo «Quem Me Dera (Amanhã)», composto por Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro e cantado por este último. Do conjunto destes 16 temas ressalta a noção de uma viagem por uma paisagem sonora onde a arte e a poesia predominam.

Este álbum, que é um autêntico e intenso exercício sobre a arte poética, nasceu de circunstâncias e encontros felizes. Rodrigo Leão abandonara os Madredeus em 1994 para prosseguir uma carreira a solo. Dois anos depois, também o acordeonista Gabriel Gomes e o violoncelista Francisco Ribeiro saíram do grupo. Manuel Hermínio Monteiro, responsável editorial da Assírio e Alvim, que tinha a seu cargo o espólio de diversos poetas portugueses, preparava as comemorações do 25º aniversário desta editora e localizara diversos registos sonoros dos seus autores. Rodrigo Leão teve conhecimento disso e convocou os companheiros para este projecto, que desde logo encontrou bom acolhimento junto de Tiago Faden, da Sony Music.

A maioria das composições e arranjos foram criados na Primavera de 1997, durante algumas semanas de recolhimento numa casa da Ericeira em companhia da violetista Margarida Araújo. As sessões de gravação tiveram lugar no estúdio Tcha Tcha Tcha no início do Outono, sob a direcção de António Pinheiro da Silva; Carlos Jorge Vales recuperou digitalmente as gravações originais dos poetas; e o disco foi publicado antes do Natal desse ano, numa embalagem com concepção gráfica de Manuel Rosa e ilustrações de Ilda David', que incluiu também a reprodução dos poemas.

Como escreveu Manuel Hermínio Monteiro, «o processo desenvolve-se por uma disfarçada humildade dos compositores que tudo fazem para acentuar os sentidos da palavra e da voz (...). Resulta assim um encontro inédito e feliz entre a música e a poesia, revelando, simultaneamente, a diversidade da lírica portuguesa desta última metade do século».
 
Fonte: Assírio & Alvim

Um homem precisa viajar

Life is hard...

Devo confessar


Devo confessar: tinha procurado uma placa bonita para anunciar o fim. Tinha preparado um discurso sentido. Vinte linhas a agradecer as coisas boas, as pessoas fabulosas que este blog trouxe até mim. Até já tinha sentido saudades e vontade de regressar antes de me ir embora. Tinha mil coisas. Coisas minhas, como tão bem sabem, alguns. Depois, no Natal, uma pessoa que eu amo muito e que lê sempre os meus silêncios sem engano, ofereceu-me alguns textos que, pacientemente, recolheu aqui, desde o início. Os que mais gostou. Colocou-os entre capas, impressos num papel muito bonito e macio e fez deles um presente. Perdi a coragem de ir embora! Melhor: perdi a coragem de dizer que ia embora. No fundo não queria nada ir. Mas estar aqui, para mim, é também estar convosco. Saltitar de blog em blog, conhecer textos, ideias, músicas. E o tempo, ao contrário do que a dado momento achei, não me tem sobrado. Muito pelo contrário. Continuo faminta de tempo. O mestrado ocupa-me grande parte dessas horas que tinha livres e que de alguma forma canalizava para aqui. Agora os meus dias andam ocupados com pilhas de livros que nem sequer são de poesia! Enfim, de alguma forma estou de regresso e agradeço a todos os que ainda passam, aos que escrevem, aos que enviam música e, muito importante, aos silenciosos.
Intermitente, vou continuar. Por aqui e, às vezes, por ai.

quarta-feira, fevereiro 13