sábado, julho 28

porque sim

A verdade é que fomos

A verdade é que fomos


feitos do mesmo sangue

violento e humilde



A verdade é que temos

ambos a graça de compreender

todos os homens e todas as estrelas



A verdade é que Deus

nos ensinou

que este é o tempo da razão ardente.



Deus hoje deu-me um pouco

do que toda a vida lhe pedi

foi esta calma e simples aceitação

de que é preciso que estejas

longe de mim

para que amando eu possa conservar

o meu coração puro.



As ruas hoje pareciam mais largas

e mais claras



As casas e as pessoas

pareciam diferentes



Foi só o tempo de pedir a Deus

que prolongasse o generoso engano.



Tu ensinaste-me as palavras simples

as palavras belas

as palavras justas



E fizeste com que eu já não saiba

falar de outra maneira.



O amor substitui

o Sol — que tudo ilumina.



Sonhar contigo é quase como

saber que existo para além de mim.



Se basta que de mim te lembres

para que o sono facilmente venha

porque não hás-de dar-me amor a paz

com que o meu coração de há tanto tempo sonha



Vês como é tão simples

ter o coração

tão perto da terra

e os olhos nos olhos

e a alma tão perto

da tua alma



Por que será

que quanto mais repartimos

o coração

maior e mais nosso ele fica?



Raúl de Carvalho


imagem: Alberto Viana de Almeida

quarta-feira, julho 25

a noite pede música

terça-feira, julho 24

Mais específico...

porque sim

segunda-feira, julho 23

A Felicidade


Sobre o livro e o autor, aqui

domingo, julho 22

porque sim

segunda-feira, julho 9

Quiosque

imagem: Sara Simões

Amores

a noite pede música

Pois...






Tá difícil!






Filhas

sábado, julho 7

a noite pede música

"Quem se importa"


“Mais do que um filme, um movimento que inspira a transformação social. É assim que se apresenta no site dedicado ao documentário “Quem se importa”, da realizadora brasileira Mara Mourão. O filme está, desde abril, em digressão pelo Brasil e, em setembro, estreia em Lisboa, no âmbito do festival Greenfest, avançaram à FOCUSSOCIAL Mara Mourão e Francisco Collares Pereira, da Fundação EDP, responsável pela passagem do filme no nosso país.


“Ele é mesmo um homem muito especial. Nota-se, de imediato, pelo seu olhar”. Mara Mourão fala de Muhammad Yunus (Gremeen Bank, Bangladesh), “pai” do microcrédito, um dos 18 empreendedores sociais que deram o seu testemunho neste documentário que demorou um ano a editar. A seleção foi muito difícil, deixou de fora “milhares de pessoas, trabalhos brilhantes e inovadores” e, por isso, “estou pensando fazer uma série de televisão”, disse-nos a realizadora.

Nesta entrevista, fala, ainda, das características que, do seu ponto de vista, deve ter um empreendedor social e da sua capacidade distintiva de “saber o que a sociedade precisa num determinado momento”. E explica a diferença: “Se a pessoa faz um trabalho em grande escala e afeta milhões de vidas, ela é chamada de empreendedor social. Se faz em escala menor, é chamada de transformador ou agente de mudança. Tem vários nomes, mas acredito que todos são nomes diferentes para um espírito comum, o espírito de arregaçar as mangas e não se conformar”.

Mara Mourão não pára. Já está em “fase de captação de recursos” para o seu novo filme de ficção Duas Mulheres e Alguns Crimes e tem, no mesmo ritmo, um novo documentário. A cineasta continua apostada em mudar o mundo com filmes que agitem consciências e motivem a ação. De resto – garante – só não a veremos a fazer filmes de “tiros”. O seu território visual anda entre o fazer rir e o dar que pensar. Sempre com uma história que tenha impacto social, independentemente do sucesso da bilheteira. Porque o importante é a “qualidade” de quem vê e o que fará com a mensagem que recebeu. Se o resultado produzir mudanças positivas, a missão está cumprida.

Entrevista  aqui


[nota importante "esquecida" por que escreveu: a voz do documentário "Quem se importa" é do Rodrigo Santoro... ;)]

Silêncio e solidão


“(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.”


Cecília Meireles

quarta-feira, julho 4

porque sim

terça-feira, julho 3

Anote aí na agenda, por favor.



voz: helena sarmento


guitarra portuguesa: samuel cabral

viola: paulo faria de carvalho

violoncelo: susana castro santos


A não perder, sexta-feira, às 22 horas, em Amarante. Helena Sarmento.


segunda-feira, julho 2

porque sim

a little

domingo, julho 1

a noite pede música

O astro de dentro







Podia haver


[no lugar do coração]

um oceano, seis continentes, um avião

um astro azul ou um cometa envidraçado

uma pedra vinda do espaço

um quadrado ou mesmo um rectângulo arredondado,

podia ter

e nem teria terminado.





Até podia ter

[no lugar do coração]

um livro em branco, já escrito ou por escrever

um projecto de mundo, um traço

por nascente de rio ou mesmo um monte inacabado

um lápis, um bocado de giz ou um poema

que se escreve só por escrever,

que ainda assim,

ali, além, pelos jeitos dum fogo lento

no grande mar, peito adentro

ele, o astro refeito que comigo trago

continuaria sempre a bater.



Leonardo B

[Setembro 28, 2011]

[meu querido A. neste dia tão especial, muitos parabéns, com um dos teus poemas de que mais gosto. apesar da escolha ser mesmo muito muito difícil...obrigada pela tua imensa sensibilidade. sempre. abraço, marta]

Uma hora não é apenas uma hora


"Uma hora não é apenas uma hora, é um vaso repleto de perfumes, de sons, de projectos e de climas. O que chamamos realidade é uma determinada relação entre sensações e lembranças a envolverem-nos simultaneamente...”




Marcel Proust in Em Busca do Tempo Perdido

valores


[sempre]