quarta-feira, novembro 30

Segue o teu destino


Segue o teu destino,


Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.



A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.



Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras

Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.



Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.


Ricardo Reis

Nesta vida...




Nesta vida – é um facto – estamos sempre

a desaprender coisas novas. O mundo

vai guardando a luz nas suas bainhas negras

e temos a melindrosa companhia dos fantasmas

que nos procuraram: eles governam rudemente

... os nossos pequenos reinos e há um ceptro novo



para cada coroação. De repente, com a volta

das estações, damos por nós muito mais velhos

nas fotografias. As razões que nos assistiam

empalidecem em paisagens cruelmente coagidas

pela luz. Fomos expulsos dos grandes palácios



da alegria? Onde estão os mapas que nos guiavam

lá dentro, exactos como o instinto? Não sabemos

responder: o caminho turva-se: são as incertezas

da maturidade. As palavras não nos iluminam

e o amor está condenado aos defeitos naturais

do coração, que ainda assim há-de voltar a arder


sem defesa nem socorro uma vez mais.



Rui Pires Cabral

Anotem aí na agenda, por favor...


Apresentação do livro
 Lúcio Feteira: A História Desconhecida - das Origens à Glória, Vol. I
Miguel Carvalho

Lisboa - FNAC Chiado, dia 4 de Dezembro, às horas

Porto - FANC Norteshopping, dia 9 de Dezembro, às 22 horas

Património da Humanidade

fado e fado e mais fado

Klee


imagem: Paul Klee

a noite pede música

terça-feira, novembro 29

Porque é de ti





Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti


que me vem o fogo.

Não há gesto ou verdade onde não dormissem

tua sombra e loucura,

não há vindima ou água

em que não estivesses pousando o silêncio criador.

Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos

originais.

Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra

a carne transcendente. E em ti

principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma

o sinal e a vinha.

Plantas, bichos, águas cresceram como religião

sobre a vida – e eu nisso demorei

meu frágil instante. Porém,

teu sinal de fogo e leite repõe a força

maternal, e tudo circula entre teu sopro

e teu amor.


Herberto Helder

a noite pede música

People are tired of simple things...

a noite pede música

segunda-feira, novembro 28

O livro de que se fala


Estava uma tarde de sol em Vieira de Leiria. Boa para passear pela praia do Liz! E, mesmo assim, o auditório estava lotado no dia em que o livro Lúcio Feteira - A História Desconhecida: Das origens à Glória [ Volume I] deu à estampa. Interessante observar as pessoas que o compravam. Abriam-no de imediato como quem procura com urgência algo que lhes pertence. Alguns estacavam na árvore genealógica. Outros, retiam-se nas imagens. Outros, ainda, enquanto a sessão de apresentação não começava, encostavam-se a um canto, com luz, a ler. O certo, é que a vontade de entrar naquela história transbordava. Procuravam falar com o autor e pediam autógrafos antes e depois de todos os oradores falarem. Primeiro, Paulo Vicente, vice-presidente da Câmara da Marinha Grande, um discurso sentido que emocionou. Depois, Francisco Oneto Nunes, antropólogo, "filho da terra", como disseram, após ter feito o trabalho monográfico sobre Vieira. Conhecedor do terreno, falou de cátedra sobre as relações de poder e do poder simbólico naquela comunidade. Pelo meio, a pedido do autor, leu-se o fax enviado por Olímpia Feteira, filha do milionário e cabeça-de-casal da herança.  E, por fim, Miguel Carvalho falou. Agradeceu, explicou como tinha chegado ali, ao livro de que se fala. É um retrato, disse. Fruto de uma investigação jornalística e de uma curiosidade natural pela figura de Tomé Feteira, que se foi adensando. De resto, quando a revista Visão o enviou a primeira vez a Vieira  de Leiria, até foi a contragosto! Explicou que este livro é também uma forma de devolver aquela terra uma parte das suas memórias. E isso era tão visível, logo ali, só pela avidez com que muitos se atiraram às páginas, sem precisarem do conforto do sofá. E não eram apenas mãos macias, eram também mãos calejadas, muitas mãos abertas pelo trabalho mais duro.
Miguel Carvalho terminou a sua intervenção, reiterando o convite a todos que queiram dar o seu contributo para o próximo volume.E, mais uma vez e sempre, com a coluna vertebral que em nenhuma situação deixa no cabide, disse: "para já têm o primeiro volume. Tirem as vossas conclusões e mais do que julgarem um homem e um tempo julguem-me a mim".

domingo, novembro 27

Apresentado livro sobre a vida de Lúcio Feteira

quinta-feira, novembro 24

Já está nas livrarias... e não se consegue parar de ler...


[...]  Dos cabarets à pintura, do ballet ao cinema, da escultura à fotografia, a comunidade russa contamina a França, de Cannes a Paris, com seus talentos, encantos, misérias e cheiro a mofo.


A capital é a nova casa de mulheres fatais, sofisticadas, ex-condessas e ex-damas da corte russa.

Músicos russos seduzem os parisien...ses com as suas melodias tradicionais. Antigos generais czaristas, engalanados como no tempo do Império, são agora porteiros da lendária vida noturna de Paris.

Todas as noites gera-se uma azáfama considerável na margem direita do Sena.

Homens de fraque e mulheres copiando as roupas e trejeitos das atrizes famosas confluem para a Rua de Liége, 3, onde uma enorme porta de grossa madeira cravada na parede simula o imaginário de um castelo. Entre os habitués do Cabaret Shéhérazade está Lúcio Feteira.

A porta abre-se num estalido.

Lá dentro, um cenário oriental com o charme da decadência acolhe a alta sociedade cosmopolita de Paris.

Tecidos luxuosos forram os tetos, em balão, e descem pelas paredes.

Pelas mesas, envoltos em névoas de fumo de cigarros, repousam os melhores champanhes em baldes de gelo.

O ambiente é sumptuoso, desde os trajes típicos dos empregados ao mobiliário. A Rússia czarista sobrevive no Shéhérazade num cenário de ceias pantagruélicas, com orquestras e balalaicas em fundo.

Lúcio viveu os seus últimos anos de juventude sem compromissos, sem regras e sem perder muito tempo a pensar no futuro.

«Fui muito feliz em Paris», recordará, melancólico.

Naqueles loucos anos 20, diverte-se até ao amanhecer, rodeado de tentações e fazendo as amizades mais improváveis, entre elas a do príncipe Carol, da Roménia, cúmplice de madrugadas e perdições, pouco dado aos rigores do matrimónio e famoso pela sua desconcertante vida amorosa.

Embriagado de boémia e rodeado de companhias que desafiam a libido, Lúcio demorará ainda uns meses a cair na realidade.

Mas o pecúlio acumulado na odisseia africana estava a finar-se e Feteira começa a perceber o estreito caminho em que se havia metido.

Embora relutante em abandonar uma vida de fausto, toma a decisão de embarcar no Sud-Express e regressar a Portugal.

Despede-se dos amigos e dos romances, compra o bilhete e parte. [...]

Miguel Carvalho in Lúcio Feteira, A História Desconhecida, pag. 101, QuidNovi, 2011

já que sentir é primeiro





já que sentir é primeiro

quem presta alguma atenção

à sintaxe das coisas

nunca há-de beijar-te por inteiro;


por inteiro ensandecer

enquanto a Primavera está no mundo

o meu sangue aprova,

e beijos são melhor fado

que sabedoria

senhora eu juro por toda a flor: Não chores

—o melhor movimento do meu cérebro vales menos que

o teu palpitar de pálpebras que diz


somos um para o outro: então

ri, reclinada nos meus braços

que a vida não é um parágrafo


E a morte julgo nenhum parêntesis.

e. e. cummings

[tradução Jorge Fazenda Lourenço, Assírio & Alvim]


a noite pede música

Visão Solidária


Esta edição da Visão diz-me especialmente...e por motivos que me trazem motivada :) Ainda não a li toda mas recomendo o que li: "Economia - A força do terceiro setor", por Alexandra Correia e Mário David Campos. E, ainda, uma mão cheia de "Histórias inspiradoras" por Patrícia Fonseca e Cesaltina Pinto. Logo, leio o resto! Para já, espreitem a Visão on-line e aproveitem para votar num destes 10 projectos. Não custa nada... ter ... não só uma visão como também uma acção... solidária...

“Os dias lentíssimos” de Alexandra Monteiro


Hoje, sessão de lançamento do livro vencedor do Prémio Literário Cadernos do Campo Alegre


« A sessão do ciclo “Quintas de Leitura” do Teatro do Campo Alegre (TCA), promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, dá a conhecer o resultado do “Prémio Literário Cadernos do Campo Alegre Novo Autor, Primeiro Livro”: lançamento de “Os dias lentíssimos” de Alexandra Monteiro.

O lançamento deste livro de poesia, 15º da colecção Cadernos do Campo Alegre, está marcado para a noite de 24 de Novembro, a partir das 22h00, e contará com um especial concerto dos Dead Combo, entre várias outras participações. Arnaldo Saraiva apresenta a obra.

Esta sessão marca a estreia absoluta do coletivo “Peixe Graúdo”. Três mulheres talentosas e desconcertantes – Marta Bernardes, Ana Celeste Ferreira e Tânia Dinis – acompanhadas ao piano pelo indómito Ricardo Caló, irão embalar-nos, noite fora, através de inusitados ambientes poéticos e musicais – Alexandra Monteiro, Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Alberto Pimenta, Alexandre O’Neill, Abba, Queen, Aretha Franklin e Amália, entre outros. [...]

A não perder! »

terça-feira, novembro 22

Fotografías que hablan solas


“Fotografias que falam por si/Fotografías que hablan solas


«Gonzalo Torrente Ballester e Jorge Luis Borges, dois dos literatos mais representativos a nível mundial do Séc. XX, a conversar em frente à Giralda, Sevilha, 1987, © Juantxu Rodriguez

A Exposição “Fotografías que hablan solas” (“Fotografias que falam por si”), foi criada para homenagear o percurso profissional de Juantxu Rodríguez, por parte dos seus amigos e colegas que quiseram fazer o merecido reconhecimento de uma obra que dignifica uma profissão.
A Exposição reúne uma selecção das melhores imagens incluídas no livro monográfico “Juantxu Rodríguez”, editado em 1990, sob a coordenação do seu irmão Javier Rodríguez, e com a inestimável colaboração de profissionais da Fotografia, empresas e entidades que financiaram o projecto.»

Exposições a não perder no Centro Português de Fotografia...

As paredes têm ouvidos by Manuela Pimentel




Manuela Pimentel from Arte Institute on Vimeo.


Um querido terráqueo sabendo que aprecio muitíssimo o trabalho da Manuela Pimental, enviou-me este link que partilho convosco. "As paredes têm ouvidos" (Walls that tell stories)... espreitem e deliciem-se!

a noite pede música

domingo, novembro 20

...e a data apróxima-se...


[...pré-lançamento nacional, Vieira de Leiria, já no próximo dia 26...]

...sobre o livro pode ler-se aqui, por exemplo...

O que é cativar?



- Quem és tu? perguntou o principezinho.


Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.

Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços...

Antoine de Saint-Exupéry




[...para a Sininho...no dia de hoje... :)]

sábado, novembro 19

a noite pede música

...o meu melhor retrato...




comovida e grata. e, para já, sem mais palavras.

«há a lista dos dias, como o índice numa obra»


«há a lista dos dias, como o índice numa obra» [Maria Gabriela Llansol]

Eis os velhos e a sua ementa nostálgica: a lista dos dias com ligações habituais a determinados sentimentos.

A vida como obra individual que escapa ao controlo do artista alheio que vem esculpir a sua vontade efémera sobre o nosso percurso.

Obra individual que respira e não só. Eis estar vivo.



Gonçalo M. Tavares in Breves notas sobre as Ligações, pag.17, relógio d'água, 2009



imagem: Matisse por Robert Capa

porque sim

...alguém me pode ajudar, por favor?

De há dois meses para cá, na maior parte dos blogues, sempre que eu tento comentar,
aparece esta mensagem:

A sua conta atual (marta1322@gmail.com) não possui acesso para ver esta página.

Clique aqui para terminar sessão e mudar de conta.
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...inviabilizando o comentário...só consigo comentar via anonimato!!!

Alguém sabe como fazer para que tudo volte à normalidade?

sexta-feira, novembro 18

a noite pede música

quinta-feira, novembro 17

Emigrados na terra, sem mar e sem espaço...


‎Preocupo-me com os deuses. O meu tridente não enxerga divindades. Mesmo no céu, no último reduto que julgava possível eles já o abandonaram. É novo mistério para explicar, para filósofos e religiosos penetrarem no poder das cogitações. Emigrados na terra, sem mar e sem espaço os deuses ficam mais limpos, mais puros, apeados da parafernália dos domingos e feriados.


Ruben A.

a noite pede música

«a corrida quieta da leitura» [Maria Filomena Molder]


Cada livro dá uma velocidade de leitura; como um carro; um livro deveria ter na capa ou na contracapa indicações de velocidade máxima e mínima de leitura: não ler a menos do que vinte páginas por hora, não ler a mais do que quarenta páginas por hora. ( ideia a desenvolver).

Claro que a velocidade engana: livros imbecis, mas também livros perfeitos, podem ser lidos à mesma velocidade, suponhamos: cem páginas por hora. Não é tanto a velocidade potencial de leitura de um livro que dá a sua qualidade, é mais o local aonde se chega com essa velocidade.

E que importa estar num carro que vai a um grande velocidade, se ele chega a um sítio que eu não desejo (rapidamente, é certo)?

E que importa estar num carro que vai a uma velocidade para que os seus passageiros possam apreciar a paisagem, se a paisagem não é relevante?

Contemplar quando estamos em viagem se a coisa contemplada for interessante.

Claro, dirão, ler é bom para os sentimentos, para os abanar: por favor, não introduza dados quantitativos no prazer da leitura.

Porém, não esquecer: o que fez cada um com o que leu à velocidade que leu?

Paisagens e sítios de chegada.

Contabilidade económica da leitura.

(Não podemos ler tudo. Somos mortais, meu caro.)


Gonçalo M. Tavares, in Breves notas sobre as Ligações, pag. 65,  relógio d'água, 2009

imagem: Novak

Traga_Mundos contra a corrente


Dei por eles no facebook! Fui espreitar e gostei muito ...de tudo o que vi e li. Hoje - ele há coincidências! - , recebi um simpático convite para a inauguração! Com pena minha, abre às 18! Pois amanhã estarei em Vila Real sim, mas muito mais cedo, às 9 horas em ponto!
De qualquer forma, desejo as maiores felicidades a este projecto tão interessante e tão contra a corrente...
Irei lá sim, um dia destes, com todo o tempo do mundo... tragar coisas e loisas!
Bem-hajam!
Fiquem a saber tudo, tim-tim por tim-tim... aqui :)

quarta-feira, novembro 16

...já está na agenda?


Sábado, 19 de novembro, Palacete dos Viscondes de Balsemão (à Praça de Carlos Alberto), no Porto. Com Gonçalo M. Tavares.

é bom escrever...


É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão.

Cesare Pavese

a noite pede música

...sim, quero...


[e...está quase a chegar...]

Como quem, vindo de países distantes fora de / si, chega finalmente aonde sempre esteve /
e encontra tudo no seu lugar, / o passado no passado, o presente no presente, / assim chega o viajante à tardia idade / em que se confundem ele e o caminho. [...]


Manuel António Pina

terça-feira, novembro 15

a noite pede música

História dos dois que sonharam


O historiador árabe El Ixaqui narra este acontecimento:

Contam os homens dignos de fé (porém somente Alá é omnisciente e poderoso e misericordioso e não dorme) que existiu no Cairo um homem possuidor de riquezas, porém tão magnífico e liberal que perdeu-as todas, menos a casa de seu pai. Diante disso, viu-se forçado a trabalhar para ganhar seu pão.Trabalhou tanto que o sono venceu-o uma noite sob uma figueira de seu jardim, ele viu no sonho um homem empanturrado que tirou da boca uma moeda de ouro e lhe disse: "Tua fortuna está na Pérsia, em Ispahan, vai buscá-la". Na madrugada seguinte acordou e empreendeu a longa viagem, afrontando os perigos dos desertos, dos navios, dos piratas,dos idolatras, dos rios, das feras e dos homens.Chegou finalmente a Ispahan, e no centro da cidade, pátio de uma mesquita, deitou-se para dormir. Junto à mesquita havia uma casa,e, por vontade de Deus Todo-Poderoso, um bando de ladrões atravessou a mesquita,e meteu-se na casa, e as pessoas que ali dormiam, desesperando com o barulho, pediram socorro.

Os vizinhos também gritaram, até que o capitão dos guardas-nocturnos daquele distrito acudiu com seus homens e os bandoleiros fugiram pelo terraço.O capitão quis revistar a mesquita e lá deram com o homem do Cairo; açoitaram-no de tal maneira com varas de bambu que ele quase morreu. Dois dias depois recobrou os sentidos na cadeia. O capitão mandou buscá-lo e disse: "Quem és tu e qual tua pátria?
"O outro declarou: "Sou da famosa cidade do Cairo e meu nome é Mohamed el Magrebi".
O capitão perguntou-lhe: "O que o trouxe à Pérsia?" O outro optou pela verdade e disse: "Um homem ordenou-me,em sonho,que eu viesse a Ispahan porque aí estava a minha fortuna. Já estou em Ispahan e vejo que essa fortuna que me prometeu devem ser as vergastadas que tão generosamente me deste".

Diante de tais palavras o capitão riu tanto que se viam seus dentes do siso e, finalmente, lhe disse: Homem desajuizado e crédulo, eu já sonhei três vezes com uma casa no Cairo no fundo da qual há um jardim, e nesse jardim um relógio de sol, e depois do relógio uma figueira, e logo depois da figueira, uma fonte e sob a fonte um tesouro. Não dei o menor crédito a essa mentira e tu, produto de uma mula com um demônio, não obstante vens errando de cidade em cidade baseado unicamente na fé de teu sonho. Que eu não volte a ver-te em Ispahan.Toma estas moedas e desaparece.

O homem pegou as moedas e regressou a sua pátria. Sob a fonte do seu jardim (que era a mesma do sonho do capitão ) desenterrou o tesouro. Assim Deus lhe deu a bênção, recompensou-o e enalteceu-o.
Deus é o Generoso,o Oculto.

Jorge Luis Borgesin Livro das Mil e Uma Noites

segunda-feira, novembro 14

i carry your heart with me




i carry your heart with me (i carry it in


my heart) i am never without it 

[...]

i carry your heart (i carry it in my heart)



e.e.cummings




podemos não ter nada...

a noite pede música



...Novembro...

sexta-feira, novembro 11

Jorge Fallorca na Gato Vadio


[Claudia de Sousa Dias a apresentar os livros de Jorge Fallorca na Gato Vadio]

Escritor, poeta, tradutor e Autor do blogue Nem Sempre a Lápis – crónicas, aforismos, excertos de traduções da sua autoria, música e cinema…Jorge Fallorca é um autor de escrita indisciplinada, intuitiva, errante, ao sabor das emoções e de inspiração marcadamente sensorial. [...]

Colaborou no suplemento cultural & etc, do Diário de Lisboa, tendo a sua formação cultural e literária até então sido construída com base no proveito das visitas periódicas da Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian a Mortágua. [...]

Jorge Fallorca é um escritor que associa a literatura e a experiência da escrita à experiência vivida no quotidiano. Este fenómeno torna-se evidente para quem lê as crónicas de “A cicatriz do ar”. As influências literárias que mais se evidenciam nas inúmeras intertextualidades da sua escrita são: J. Luís Borges, Michaux, Herberto Helder, Aquilino Ribeiro…

A escrita de Fallorca é por excelência insubmissa e ousada de tal forma fracturante que chega a acusar grande parte dos escritores contemporâneos de superficialidade e mediatismo. Aqueles que escrevem sobretudo para as revistas de papel couché – “Couché mais jamais touché” – afirma com despudor.

N’algumas crónicas de “A Cicatriz do Ar” e sobretudo na intrigante trama policial de “A Mulher Descalça”, Jorge Fallorca projecta a atmosfera intelectual e socialmente mutiladora do Norte rural e sobretudo beirão afirmando inclusivamente na entrevista a António Cabrita (semanário Expresso 2002) o seguinte:

“A Beira, e tudo o que é Norte, as brumas, a bruxaria, a cacicagem padreca, tudo isso me asfixia, é demasiado bolorento.”

Após um interregno a que chamou de “dez anos de repouso criativo” - a que poderíamos nós chamar de Síndrome de Bartleby, um tema tão do agrado de Enrique Vila-Matas, escritor de língua castelhana a que Fallorca vai buscar a epígrafe para “A Mulher Descalça”.

Depois de publicar “Longe do Mundo”, Jorge Fallorca adopta uma escrita “muito mais narrativa e controlada”: numa palavra – contemplativa.

Fallorca é um Autor que se afirma adepto da indisciplina da urgência e cuja escrita parte da memória que sofre o processo de esquecimento e recordação, pela arte de evocar o passado, invocando-o. A arte de seleccionar a memória através da dança dos processos de supressão ou esquecimento e retenção, o autor chama-a de “arte de decantação”, como se faz ao vinho mais rico. A escrita do Autor é um processo de decantação feito com minúcia e a longo prazo, após as frases sofrerem o tempo necessário de repouso e que são transfiguradas pelo processo mental de selecção, eliminação. O Autor de que hoje tratamos é alguém que observa o real como “o caudal onde nos libertamos do fingimento, das armadilhas da sedução”.

Em A Cicatriz do Ar encontramos dois tipos de textos: 1) Bloco-Notas 2) A Cicatriz do Ar.

“Bloco-Notas é constituído sobretudo por crónicas de viagens. Trata-se de uma escrita muito vegetal, pictórica, registando as diversas gradações de luz e sombra à medida que se vai modificando a paisagem. É uma escrita errante, porque andarilha. [...]

A casa é sempre o lugar de refúgio, de intermezzo entre viagens. Outro dos elementos recorrentes nestas crónicas é o impacto dos livros no Autor e na forma como estes afectam o curso do seu pensamento que é tudo menos Morta Lacum…N’A Cicatriz do Ar” damo-nos conta da dimensão que para o Autor adquire a poesia e da grandeza dos poetas a quem chama de “os latifundiários da alma”. Mais uma vez, apercebemo-nos do que é para o Autor o processo poético de decantação e da aprendizagem ao longo da vida da “arte de se tornar poeta”; da forma como a poesia se forma a partir daquilo a que chama “momentos congelados do quotidiano” (p.23)

N’A Cicatriz do Ar presenciamos sobretudo, a alternância e, por vezes a sobreposição de relatos do quotidiano com breves instantes de poesia (p.24). Ou do bailado entre sarcasmo e nostalgia.

Onirismo e surrealismo estão presentes nos relatos de sonhos ou projecções das preocupações do dia-a-dia que afectam o estado de vigília mas se manifestam ampliadas durante o sono.

O sentido do pitoresco e a ligação com a terra são-nos dados pela presença de onomatopeia, dos regionalismos e registo de diferentes sotaques (p.30 e 31).

A poesia de Jorge Fallorca é uma poesia animista, onde, na Natureza, está normalmente projectado o reflexo da alma humana.

Para o Autor “O sul continua a ser uma transgressão” (P.33), motivo pelo qual o Algarve e o Norte de África continuam a ser lugares de eleição.

A paisagem vai mudando da desolação da Beira e do cabeço de Mortágua para o quadro do litoral algarvio. O insólito invade o quotidiano e a escrita está na linha de fronteira entre (o desejo) da partilha e o impulso à clausura.

A Cicatriz do Ar pode ser o relâmpago de uma ideia, ou o aflorar à memória de algo que estava esquecido, sepultado nas dunas do inconsciente. Ou a inspiração que surge quando menos se espera.

“Nada me enternece mais do que vê-la finalmente debruçada a brincar aos jardins nesta terra que tanto desejou e descobriu para se entregar, até me humedecer o olhar.”

O local privilegiado de observação é a casa na colina, um lugar marginal, de fronteira, entre o céu e a terra. O ninho da águia. Ou, se preferirmos, entre o mar e a montanha: a água, a terra e as pedras.

A Natureza é o outro prato da balança que permite o equilíbrio do ser humano. No outro extremo está a cultura, isto é, a porção do homem que é burilada pelo meio, pela dita civilização. Na escrita de J. Fallorca, a subjectividade das palavras é-nos dada pelas inúmeras sinestesias.

“Soa-me a nenúfares, mas tresanda a frutos.”

No que respeita aos livros, o Autor, tal como qualquer coleccionador e leitor compulsivo, vê-se a braços com a falta de espaços para guardar todos os livros: o mesmo se passando com a memória. É mais uma vez obrigado a recorrer ao processo de selecção/eliminação.

Para Jorge Fallorca o processo de escrita resume-se a aprendizagem e memória, onde o sortilégio das palavras e das letras se combinam com a paixão pela vida que se cruza com uma insaciável curiosidade cuja sede só se sacia com a leitura. [...]

Neste bloco-notas “As palavras são a casa do escritor”. O seu refúgio. O seu Graal.

A Cicatriz do Ar

Todo lo que se disse es poesía

Todo lo que se escribe es prosa

Todo lo que se mueve es poesía

Todo lo que no cambia es prosa

Nicanor Parra

Os textos de A Cicatriz do Ar são inequivocamente poesia. Móveis, flexíveis, podendo o leitor conferir-lhe o seu ritmo pessoal ao modular intencionalmente a frase com a tonalidade da voz, as pausas, criando a própria métrica, da respiração única e individual de cada um.

“A Cicatriz do Ar” pode ser lida com a voz cava de uma sibila, uma pitonisa, como quem lê um oráculo. As palavras, aqui, lançam um sortilégio, com o sabor de uma profecia. Enigmáticas, obscuras.

Ou o contrário. Pode ser lida com a voz angélica de um adolescente.

Uma poesia que poderá ilustrar o abandono dos homens pelos seus deuses, ou do povo pelos seus governantes, eternos tiranos, como na antiga Helade, antes da democracia de Péricles.

A escrita prossegue com a mesma errância do espírito, mas desta feita, pelos subterrâneos da mente. Os versos de Fallorca soltam-se, violentos e selvagens como o torvelinho de um vento do deserto, da loucura do sirocco. Por vezes, parecem pintar a destruição do corpo, a erosão causada pela passagem das areias do tempo.

A natureza, hostil, mas ainda incólume é evocada através do mar ou do vento trazendo mais uma vez à luz, a memória, soterrada.

A ânsia ou desejo de liberdade absoluta está patente na imensidão da paisagem matinal do deserto ou do mar, visto da amurada de um veleiro.

Nos últimos textos, é descrita a paixão da liberdade e dos excessos motivados pela descompressão que se segue à opressão.

O silêncio surgirá depois, constante e imenso, como a voz da natureza hostil.

“O luar por onde se escoa a vida rumo ao esquecimento”. Os últimos textos falam de morte, de uma vida que se dissolve no ar, deixando apenas um leve rasto de fumo – a cicatriz no ar.

Ou a errância de um Orfeu pelo Hades.

[...este e outro texto da Claudia de Sousa Dias,brevemente aqui ]

imagem: Miguel Carvalho

a noite pede música

quinta-feira, novembro 10

Guimarães Jazz

Roy Haynes & the fountain of youth

[...rituais...]

imagem: aqui

Stop waiting...


[...para ti...]

a noite pede música

quarta-feira, novembro 9

A mulher descalça


Uma mulher foi vista a estender uma corda entre duas árvores. Dizem que pendurou roupa. Dizem que estava descalça. Era de fora. Não sabiam que sabia ler.


A mulher leu o chão e escondeu o calçado. Ninguém viu. A atenção estava posta no corpo pendurado pelos pés, descalços, no galho da árvore velha. O cabeço ocultava a várzea, o rio, o lugar dos vizinhos.

Gente erodida pela vida sem casos. Uma cheia, era uma cheia. Uma seca, era uma seca. Uma tempestade, era uma tempestade e uma queimada descontrolada pelo vento, era um fogo. Usavam as palavras como os hábitos e as alfaias emprestadas. As de sempre. Poucas, simples, inquestionáveis. Não havia igreja, não havia escola, não havia cemitério. Nascia-se e morria-se. Era assim que semeavam e era assim que colhiam.

A mulher guardou o que leu no chão. Deixou os vizinhos com o caso. Mais tarde, veio em busca do calçado. Sabia que no lugar ninguém dormia, despertos no sono uns dos outros. Viu os lobos e viu as raposas. Lambiam-lhe a boca. Farejavam o que a mulher leu no chão. Leram-na e fugiram.

O corpo balançava ao sabor das garras e das dentadas. As orelhas estavam mordidas. A mulher baixou-se à altura dos lábios, esgaçados, soprou o que leu no chão. Levantou-se e procurou. O mato era todo igual. A árvore velha era o eixo. O caso era o ponteiro. O cabeço era o mostrador.

Desceu o cabeço. Atravessou a várzea. Chegou à margem do rio e cuspiu na corrente. Descalçou-se. Entrou na água. Voltou para casa vestida de limos. A mulher sentia-se entorpecida com tanta sabedoria. E adormeceu.

Quando acordou, metade do lugar fora entregue ao abandono. Os cães aliavam-se aos lobos. Os vizinhos fechavam-se em casa. A rua era território dos cegos. Palco de premonições. Sem público.

A mulher foi ao rio buscar a roupa. Debruçou-se com o relâmpago e o estrondo mostrou-lhe o raio. Desta vez, não fora um tiro. O caso mudara de figura. A mulher ficou muda.

Pendurou a roupa na corda que estendeu entre duas árvores e despediu-se das palavras. No lugar, dizia-se que estava descalça. Também era de fora. Mas não fizeram caso.


Jorge Fallorca in A Mulher Desclaça, 2011
 
[... excerto do livro que será apresentado no próximo sábado, na Gato Vadio, pela Claudia de Sousa Dias...]

Carta a Ruben A.





Que tenhas morrido é ainda uma notícia


Desencontrada e longínqua e não a entendo bem

Quando — pela última vez — bateste à porta da casa e te sentaste à mesa

Trazias contigo como sempre alvoroço e início

Tudo se passou em planos e projectos

E ninguém poderia pensar em despedida


Mas sempre trouxeste contigo o desconexo

De um viver que nos funda e nos renega

— Poderei procurar o reencontro verso a verso

E buscar — como oferta — a infância antiga


A casa enorme vermelha e desmedida

Com seus átrios de pasmo e ressonância

O mundo dos adultos nos cercava

E dos jardins subia a transbordância

De rododendros délias e camélias

De frutos roseirais musgos e tílias


As tílias eram como catedrais

Percorridas por brisas vagabundas

As rosas eram vermelhas e profundas

E o mar quebrava ao longe entre os pinhais


Morangos e muguet e cerejeiras

Enormes ramos batendo nas janelas

Havia o vaguear tardes inteiras

E a mão roçando pelas folhas de heras

Havia o ar brilhante e perfumado

Saturado de apelos e de esperas


Desgarrada era a voz das primaveras


Buscarei como oferta a infância antiga

Que mesmo tão distante e tão perdida

Guarda em si a semente que renasce


Sophia de Mello Breyner Andresen

a noite pede música

segunda-feira, novembro 7

Quando à noite desfolho e trinco as rosas


[o busto de Sophia, ontem inaugurado no Jardim Botânico do Porto]




Quando à noite desfolho e trinco as rosas

É como se prendesse entre os meus dentes

Todo o luar das noites transparentes,

Todo o fulgor das tardes luminosas,

O vento bailador das Primaveras,

A doçura amarga dos poentes,

E a exaltação de todas as esperas.


Sophia de Mello Breyner Andresen




a noite pede música

11 do 11 de 2011


«No próximo dia 11 de novembro, a Galeria Colecionador Contemporâneo recebe a coletiva "ONZE", com a curadoria de Marco Antonio Teobaldo.

A galeria decidiu transformar a data 11/11/11 em uma exposição de arte e evocar a sorte que a repetição dos números pode trazer aos supersticiosos de plantão...»

[...e...a Leila Pugnaloni... está lá! vamos num instante ao Rio de Janeiro? eu queria muitooooo... :) ir...]

domingo, novembro 6

...e nada interrompe a respiração do olhar.


Janela escancarada, emoldurada pelas dunas e a respiração  das vagas; uma flor numa lata interrompe a liquidez do horizonte, para guardar as cores da tarde que me iluminam a noite

quando o frio se insinua sob as portas e adormece as garras do sono,
quando o vento se intromete entre o crepitar da lenha e o queixume das árvores,
quando uma laranja é toda a minha fortuna sobre a mesa,
quando ouço os gatos percorrem  as veias do cio no telhado,
quando uma folha de papel me serve de refúgio e me devolve
ao efémero,

o silêncio cobre-nos como um manto de luz e nada interrompe a respiração do olhar.

Jorge Fallorca in A Cicatriz do Ar, pag. 78,


[...a apresentação, no Porto, é já no próximo sábado, na Gato Vadio...]

a noite pede música

porque sim

Atravesso o amor, respirando





As barcas gritam sobre as águas.

Eu respiro nas quilhas.

Atravesso o amor, respirando.

Como se o pensamento se rompesse com as estrelas

brutas. Encosto a cara às barcas doces.

Barcas maciças que gemem

com as pontas da água.

Encosto-me à dureza geral.

Ao sofrimento, à ideia geral das barcas.

Encosto a cara para atravessar o amor.

Faço tudo como quem desejasse cantar,

colocado nas palavras.

Respirando o casco das palavras.

Sua esteira embatente.

Com a cara para o ar nas gotas, nas estrelas.

Colocado no ranger doloroso dos remos,

Dos lemes das palavras.



É o chamado rio tejo

pelo amor dentro.

Vejo as pontes escorrendo.

Ouço os sinos da treva.

As cordas esticadas dos peixes que violinam a água.

É nas barcas que se atravessa o mundo.

As barcas batem, gritam.

Minha vida atravessa a cegueira,

chega a qualquer lado.

Barca alta, noite demente, amor ao meio.

Amor absolutamente ao meio.

Eu respiro nas quilhas. É forte

o cheiro do rio tejo.



Como se as barcas trespassassem campos,

a ruminação das flores cegas.

Se o tejo fosse urtigas.

Vacas dormindo.

Poças loucas.

Como se o tejo fosse o ar.

Como se o tejo fosse o interior da terra.

O interior da existência de um homem.

Tejo quente. Tejo muito frio.

Com a cara encostada à água amarela das flores.

Aos seixos na manhã.

Respirando. Atravessando o amor.

Com a cara no sofrimento.

Com vontade de cantar na ordem da noite.



Se me cai a mão, o pé.

A atenção na água.

Penso: o mundo é húmido. Não sei

o que quer dizer.

Atravessar o amor do tejo é qualquer coisa

como não saber nada.

É ser puro, existir ao cimo.

Atravessar tudo na noite despenhada.

Na despenhada palavra atravessar a estrutura da água,

da carne.

Como para cantar nas barcas.

Morrer, reviver nas barcas.



As pontes não são o rio.

As casas existem nas margens coalhadas.

Agora eu penso na solidão do amor.

Penso que é o ar, as vozes quase inexistentes no ar,

o que acompanha o amor.

Acompanha o amor algum peixe subtil.

 
Herberto Helder

sábado, novembro 5

a noite pede música

...you made my day...



~
Anexim:

«Dá Deus PDFs a quem não tem Acrobats»






[... obrigada Prof. Funes :)))]

sexta-feira, novembro 4

Lúcio Feteira - A História Desconhecida: das Origens à Glória



«Um dos mais aguardados livros deste final de ano... escrito pelo jornalista Miguel Carvalho e publicado pela editora QuidNovi http://www.quidnovi.pt/, "Lúcio Feteira - A História Desconhecida: das Origens à Glória, Vol.I" é um retrato de um dos mais controversos e poderosos portugueses do século passado!

A 8 de dezembro de 2009, Rosalina Ribeiro, secretária e amante do milionário Lúcio Tomé Feteira, foi assassinada no Rio de Janeiro, no Brasil. O crime trouxe à luz do dia a violenta disputa da incalculável fortuna do industrial nascido em Vieira de Leiria. «O caso da herança Feteira», até aí assunto de advogados e tribunais, saltou então para as páginas da Imprensa para o horário nobre das televisões. Quem foi Lúcio Feteira? Que segredos e mistérios atravessaram a sua existência? O que se esconde por detrás da sua riqueza? Porque lhe chamavam génio, louco e perigoso? Que histórias e tragédias marcaram a família? Quem foram as mulheres da sua vida? Em que polémicas e conspirações se envolveu? Porque quiseram matá-lo?

Com recurso a dezenas de entrevistas e testemunhos, centenas de documentos inéditos e milhares de páginas de arquivos públicos e privados, esta é a primeira parte da história nunca contada de um homem poderoso, fascinante e controverso, que morreu à beira de celebrar cem anos, idolatrado e odiado.

Miguel Carvalho, 41 anos, é Grande Repórter/Redator Principal da revista Visão. Jornalista desde 1990, trabalhou no Diário de Notícias e no semanário O Independente. Tem o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto. Venceu o Prémio Orlando Gonçalves (modalidade Jornalismo) da Câmara Municipal da Amadora (2008) e o Grande Prémio Gazeta, do Clube dos Jornalistas, em 2009. É autor das obras «Dentada em Orelha de Cão -- Histórias do Mundo com Gente Dentro (Campo das Letras, 2004), «Álvaro Cunhal -- Íntimo e Pessoal» (Campo das Letras, 2006) e« Aqui na Terra» (Deriva Editores, 2009). Este é o seu quarto livro, o primeiro para a editora Quidnovi. Tem vários textos jornalísticos e literários dispersos por obras e publicações nacionais e estrangeiras.

Nasceu no Porto, cidade que ama e onde gostaria de viver até ser pó, cinza e nada.

Booktrailer produzido por Carlos Morais.»

Conversas no Museu


[...tomem nota, por favor, deste belo programa...]

porque sim



...imenso...obrigada!

quinta-feira, novembro 3

Frida Kahlo - As suas fotografias


«A partir do próximo dia 4 de Novembro, Lisboa vai receber a exposição "Frida Kahlo - As suas fotografias", no Museu da Cidade. Organizada em Portugal pela Casa da América Latina, esta vai ser a primeira apresentação internacional desta exposição.

No Pavilhão Preto do Museu da Cidade vão estar mais de 200 imagens de Frida Khalo, pintora mexicana nascida em 1907. Estas fotografias fazem parte do acervo de 6.500 que se encontram na Casa Azul, onde a artista nasceu.
"A exposição, além de refletir a importância da fotografia na vida da pintora, revela de maneira clara os interesses que teve ao longo da vida: a família, o fascínio por Diego Rivera e outros amores, o corpo acidentado e a ciência médica, os amigos e alguns inimigos, a luta política e a arte, os índios e o passado pré hispânico, a paixão pelo México e pelos mexicanos", informa a Casa da América Latina no seu site.
Entre as imagens em exposição estão exemplares que Frida colecionou por "razões familiares, sentimentais e estéticas, muitas delas utilizadas como instrumento de trabalho".
A mostra surge meses depois de o Centro Cultural de Belém ter acolhido a maior exposição de sempre realizada em Portugal da obra da pintora.
Frida Kahlo morreu em 1954 e o arquivo documental permaneceu encerrado quase cinquenta anos sendo revelado ao público em 2007, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento da pintora. (que nasceu em 1907).
As fotografias vão poder ser vistas em Lisboa até 29 de Janeiro do próximo ano, de terça a domingo entre as 10h00 e as 13h00 e das 14h00 às 18hs (à exceção de sexta, que encerra às 22hs).»

Fonte: aqui

a noite pede música

Há, em certas almas apaixonadas...




Há, em certas almas apaixonadas, um desejo de adiar a felicidade, como se ela não correspondesse ao que se espera e pretende viver.


Agustina Bessa-Luís in  Memórias Laurentinas



Ruy Belo - Homem de palavra [s]


 « Hoje e amanhã são dias para recordar RUY BELO. A Fundação Calouste Gulbenkian, nos 50 anos da publicação de Aquele Grande Rio Eufrates, o primeiro livro do poeta, acolhe o colóquio HOMEM DE PALAVRA(S). ontem, no Diário Câmara Clara, Paula Mourão explicou a razão do título: "De algum modo cobre todas as questões importantes na obra do Ruy Belo - o Homem tem que ver com o grande sentido da Humanidade, da individualidade e da História que o Ruy Belo sempre teve; e, depois, de Palavra(s), não é?... O homem é construído, também no sentido poemático, de palavras." (Peça de Filipa Leal)»

...pois é...

porque sim



Miguel Gouveia e Rui Manuel Amaral «vão pingueponguear umas histórias de Daniil Harms».
Na livraria Gato Vadio, na Rua do Rosário, 281, Porto.
É já no próximo sábado...

À tua palavra me acolho...






À tua palavra me acolho lá onde

o dia começa e o corpo nos renasce

Regresso recém-nascido ao teu regaço

minha mais funda infância meu paul

Voltam de novo as folhas para as árvores

e nunca as lágrimas deixaram os olhos

Nem houve céus forrados sobre as horas

nem míseras ideias de cotim

despovoaram alegres tardes de pássaros

O sol continua a ser o único

acontecimento importante da rua

Eu passo mas não peço às árvores

coração para além dos frutos

Tu és ainda o maior dos mares

e embrulho-me na voz com que desdobras

o inumerável número dos dias



Ruy Belo

imagem: Lazahr Ben-Ymanuel

quarta-feira, novembro 2

a noite pede música

...notícia de última hora...



Amigos, blogamigos, facebookamigos, terráqueos silenciosos ou mais ou menos comunicadores, do Porto e arredores... anotem aí na vossa agenda - de papel ou não - algo que, estou certa, vão gostar...muito :) e, por favor, passem a palavra... levem a boa nova lá para o vosso planeta...

Quem? Jorge Fallorca

Quando?  12 de Novembro, às 17 horas

O quê? apresentação dos livros a Cicatriz do Ar e A Mulher Descalça

Como?  perguntem à Claudia de Sousa Dias...

Onde?  na Gato Vadio, rua do rosário, 281, Porto

Porquê? porque é fundamental conhecer as histórias escondidas dentro destes livros...


...já anotaram? obrigada e até lá :) ...entretanto, por aqui, iremos publicando excertos de um e de outro livro...

terça-feira, novembro 1

a noite pede música

...momentos...



imagem: George Rodger

O mundo estava no rosto da amada -




O mundo estava no rosto da amada -

e logo converteu-se em nada, em

mundo fora do alcance, mundo-além.


Por que não o bebi quando o encontrei

... no rosto amado, um mundo à mão, ali,

aroma em minha boca, eu só seu rei?


Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.

Mas eu também estava pleno de

mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.


Rainer Maria Rilke

[tradução: Augusto de Campos]

imagem: Rainer Maria Rilke e Lou Andreas - Salomé

porque sim




Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!

Lou Andreas - Salomé

Bobo é Chagall...


"... Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.


Clarice Lispector