quarta-feira, agosto 31

PORTUGUESIA



«Camilo Castelo Branco, autor de “Amor de Perdição”, abre a sua Casa para a 5ª edição do Encontro Internacional PORTUGUESIA Festa da Poesia de Línguas Portuguesas e Espanholas, com a presença de poetas de línguas portuguesas e espanholas da Europa, da América, de África. O poeta e ensaísta brasileiro Wilmar Silva, autor do projeto, partiu em busca de poetas que escrevem em português pelo mundo. O 1º volume – LIVRODVD com 101 poetas de Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil, publicado pela Anome Livros – apresenta cinco poemas de cada um dos autores, mais o DVD encartado ao livro com 2 horas de videopoesia, gravado in loco pelo ensaísta, que apresenta um acervo inédito de autores e poéticas.

A contraantologia PORTUGUESIA: MINAS ENTRE OS POVOS DA MESMA LÍNGUA, ANTROPOLOGIA DE UMA POÉTICA explora o contraste de vozes poéticas em diálogo através dos próprios poemas, criando a metamorfose da língua portuguesa multiplicada pelos continentes. A epopéia PORTUGUESIA tem chamado a atenção de poetas e críticos brasileiros e portugueses, sendo objeto de reflexão sobre a língua e suas poéticas, a poesia e suas linguagens. PORTUGUESIA, projeto em rede com as Novas Poéticas de Resistência da Universidade de Coimbra, tem sido objeto de estudos em Portugal e no Brasil.


Para o autor de “Yguarani”, poética não completa publicada em Portugal pela Cosmorama Edições, PORTUGUESIA expande os territórios da poesia com o desejo de pensar sobre a lusofonia no sentido antropológico da palavra. Tanto que defende a poética dos autores de línguas portuguesas como fundamental para se pensar em políticas de aproximação entre os povos de língua portuguesa e os povos de todas as línguas.»

Continua aqui

terça-feira, agosto 30

Um copo de cólera


[...chegou ontem! li ontem!]

Diz na contracapa:

«... e estava assim na janela, quando ela veio por trás e se enroscou de novo em mim, passando desenvolta a corda dos braços pelo meu pescoço, mas eu com jeito, usando de leve os cotovelos, amassando um pouco seus firmes seios, acabei dividindo com ela a prisão a que estava sujeito, e, lado a lado, entrelaçados, os dois passamos, aos poucos, a trançar os passos, e foi assim que fomos diretamente pro chuveiro. »

Uma sinopse:






E, ainda, o filme.


[...querida Bípede...obrigada. muito muito]


Com 100g na carteira II


«Os amantes do chocolate já têm uma desculpa para não se privarem do doce. Uma pesquisa apresentada hoje no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Paris, mostra que o consumo de chocolate está associado à redução, em um terço, dos riscos de doenças cardíacas. Além disso, a ingestão de chocolate faz cair em 29% os riscos de acidente vascular cerebral (AVC)».

Fonte: ionline

imagem: chocolate preferido da blogger

segunda-feira, agosto 29

a noite pede musica


Apaguem a luz, p.f.


imagem:  Gui Castro Felga

porque sim



[...o próximo livro de Valter Hugo Mãe conta com maiúsculas...

a história de Crisóstomo e Isaura... em pré-venda na Wook, Fnac e Bertrand.

24 de Setembro é o dia...]

Deusa a caminho do Porto


«A actriz Eunice Muñoz vai subir ao palco do teatro Rivoli,no Porto, em Setembro, com a peça “O Comboio da Madrugada”. A peça de Tennessee Williams, encenada por Carlos Avilez, vai estar em cena a partir de quintafeira e até 18 de Setembro. Eunice Munõz continua a representar a milionária excêntrica e decadente, Flora Goforth, após um período de sucesso no palco do Teatro Experimental de Cascais (TEC), o Mirita Casimiro. A peça conta com a participação, entre outros, de Anna Paula, Pedro Caeiro e Lídia
Muñoz. Escrita por Tennessee Williams em 1963 e nunca apresentada em Portugal, “O Comboio da Madrugada” conta a história do encontro entre Flora Goforth, uma antiga artista de variedades, e o jovem poeta Chris Flanders (Pedro Caeiro), um “anjo da morte”, que tem por hábito visitar velhas senhoras nos últimos momentos das suas vidas.»

sábado, agosto 27

porque sim



[muitíssimo]

As cartas escrevem-se pelas paredes

[...]

Ontem foi um dia tarde demais. Ontem, as crianças


jogavam no parque.

Hoje, se retornar, não estarão mais lá. Saíram

sem aviso, foram-se embora, cansaram-se de tanto

olhar um pedaço vazio de mundo, onde velhos

se contorcem para fingir que ouvem, enquanto se

deleitam com retratos a carvão e palavras

sem sentido.


Tudo lhes causa transtorno, nos dias que correm.

Outro dia, foi um jovem que se perdeu. Pegou nas

coisas que tinha, zarpou mundo fora como se ele

ainda existisse - sem medo.


Mas outros dias há muitos. Jovens que partem

há-os todos os dias, nós é que nunca os contámos.


E eu nunca parto. Fico sempre aqui, de mochila às costas,

sobretudo na mão, o livro na outra, e uma carta

na algibeira, de tinta já gasta e envelope

um pouco encardido.


Por isso mesmo, quando me preparo para partir,

sento-me - como se estivesse a curar um cansaço que

ainda não me tomou.


Como se as minhas mãos já tivessem escrito milhentas

páginas de coisas sem sentido, de textos sem

morada ou sem remetente definido - enfim, coisas.


Coisas como as praias. Praias como coisas.

Textos como poemas. Poemas como não-textos.


E barras de aço sem sentido. Daquelas que quebram

ao mínimo toque, mesmo que seja uma carícia. Mesmo

que as nossas mãos se unam e encenem um gesto

meigo e lento - como a nossa face a olhar o mundo -

como o mundo a perder-se lentamente pelas pálpebras

que já não se fecham.


À noite é quando tudo se junta dentro de nós,

e se estende pelo chão. Aí, cria-se ininterruptamente

uma vontade de varrer o soalho para que nenhuma

outra cara grite mais, como se as paredes tivessem

vida

e nós não.

As cartas escrevem-se pelas paredes - é esta a verdade

que o mundo segura. E as chamas de isqueiro todos

os cigarros todos os acidentes todas as nascenças

mortes descalabros guerras balas tudo isto

tem um sentido


mas o dos textos, esse, ainda o procuro.

Por isso é que escrevo cartas, ainda que só hoje

tenha aprendido a ler as tuas.


Sérgio Xarepe

- Confluências.

quinta-feira, agosto 25

a noite pede música


Quando as coisas se passam demasiado depressa...


Quando as coisas se passam demasiado depressa, ninguém pode estar certo de nada, de nada de nada, nem sequer de si próprio (...) recordei a equação bem conhecida de um dos primeiros capítulos da matemática existencial: o grau de velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento. Desta equação, podem deduzir-se diversos corolários, por exemplo o seguinte: a nossa época abandona-se ao demónio da velocidade e é por essa razão que se esquece tão facilmente de si própria. Ora, eu prefiro inverter a afirmação e dizer: a nossa época está obcecada pelo desejo de esquecimento e é para realizar esse desejo que se abandona ao demónio da velocidade; acelera o passo porque quer fazer-nos compreender que já não aspira a ser lembrada; que se sente cansada de si própria; farta de si própria; que quer soprar a chamazinha trémula da memória.



Milan Kundera in A Lentidão

imagem:Stu Levy


deixe uma legenda...se lhe apetecer!

imagem: Albert Winkler

chove!


[ ...chove. os dias voltam a correr e eu, muito devagar. ainda... ]

quarta-feira, agosto 24

a noite pede música


Limites



Há uma linha de Verlaine que tornarei a recordar,



Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,



Há um espelho que me viu pela última vez,



Há uma porta que fechei até o fim do mundo.



Entre os livros da minha biblioteca (estou a vê-los)



Há algum que nunca mais abrirei.



Este ano completarei cinquenta anos;



A morte me desgasta, incessante.



Jorge Luis Borges

...nasceu a 24 de Agosto de 1899...
imagem: Sara Facio [Jorge Luis Borges na sua biblioteca]

porque sim

terça-feira, agosto 23

...uma das "16 estações mais bonitas do mundo"...




«A estação de caminhos-de-ferro de São Bento, no Porto, foi referenciada pela edição da Internet da revista norte-americana Travel+Leisure, como uma das "16 estações mais bonitas do mundo", lista onde também figura a estação de Maputo, em Moçambique.



A revista de turismo e lazer, que afirma ter 4,8 milhões de leitores, destaca na estação de São Bento os painéis de azulejos da entrada: "Se o exterior é certamente bonito -- e traz-nos à memória a arquitectura parisiense do século XIX, com o seu telhado de mansarda e a frontaria de pedra, é o átrio principal que o fará engolir em seco. As paredes estão cobertas por 20.000 esplêndidos azulejos, que levaram 11 anos para o artista Jorge Colaço completar."

A listagem inclui, entre outras, a neoclássica Gare du Nord, em Paris, os jardins interiores de Atocha, em Madrid, as modernas estações de Kanazawa, no Japão, e de Melbourne, na Austrália, o terminal Arte Nova do Expresso do Oriente, em Istambul, ou a belíssima estação neogótica de S. Pancras, em Londres.

A estação de Maputo, dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique, é a única do continente africano a figurar na lista. O artigo da revista Travel+Leisure destaca os exteriores "verdejantes", a "larga cúpula" e o trabalho intrincado do aço que fazem do edifício "uma inesperada, mesmo que modesta, beleza". A estação, construída entre 1913 e 1916, é erradamente referenciada como podendo ter sido desenhada por Gustave Eiffel, já que é dos arquitectos portugueses Alfredo Augusto Lisboa de Lima, Mário Veiga e Ferreira da Costa.

A gare de São Bento que se ergue no local onde se encontrava o mosteiro de São Bento da Avé Maria, e está classificada como Património da Humanidade, foi construída após se vencer a difícil tarefa de prolongar a linha que terminava em Campanhã, através dos túneis da Quinta da China, do Monte do Seminário e das Fontaínhas, que ficou concluído em 1896. O projecto da estação só viria ser aprovado em 1900, ano em que os reis D. Carlos e D. Amélia presidiram ao início das obras, que terminariam 16 anos depois.

O projecto de decoração da gare em azulejos de Jorge Colaço foi adjudicado em 1905 pela quantia de 22 mil réis, considerada muito elevada para a altura. Os painéis, assentados em 1915, representam cenas da história de Portugal, como Egas Moniz perante o rei de Leão, o casamento de D. João I, a conquista de Ceuta, temas de etnografia do Minho e do Douro, figuras simbólicas e no friso superior é mesmo retratada a evolução dos transportes.»

Fonte: DN

imagem: Armando Aguiar

segunda-feira, agosto 22

Quando eu crescer quero ter muitos vestidos...

Henri Cartier-Bresson


[ nasceu a 22 de Agosto de 1908. espreitar aqui, por exemplo...]

porque sim




... porque acordei "so romantic"...apesar da chuva... ;)

domingo, agosto 21

My heart born naked



My heart born naked


was swaddled in lullabies.

Later alone it wore

poems for clothes.

Like a shirt

...I carried on my back

the poetry I had read.



So I lived for half a century

until wordlessly we met.



From my shirt on the back of the chair

I learn tonight

how many years

of learning by heart



I waited for you.


John Berger

porque sim


sexta-feira, agosto 19

Se eu definisse o tempo como um rio



Se eu definisse o tempo como um rio,


a comparação levar-me-ia a tirar-te

de dentro da sua água, e a inventar-te

uma casa. Poria uma escada encostada

à parede, e sentar-te-ias num dos seus

degraus, lendo o livro da vida. Dir-te-ia:

«Não te apresses: também a água deste

rio é vagarosa, como o tempo que os

teus dedos suspendem, antes de virar

cada página.» Passam as nuvens no céu;

nascem e morrem as flores do campo;

partem e regressam as aves; e tu lês

o livro, como se o tempo tivesse parado,

e o rio não corresse pelos teus olhos.


Nuno Júdice

imagem: Tkachev Alexey (1922) Sergey Alexey (1925) Summer

India Song


«Como eu tenho uma espécie de desgosto em relação ao cinema que tem sido feito, enfim, da maior parte do cinema que tem sido feito, eu queria retomar o cinema do zero, numa gramática bem primitiva… bem simples, bem primária: recomeçar tudo». Marguerite Duras

urgências V


[clicar na imagem para ler]

fábula das grafias de um amor moderno



[ele queria sorrir e escrevia um pontinho em cima de outro pontinho e o lado direito de um parênteses

ela estava de acordo e escrevia um pontinho por cima de outro pontinho e um traço e o lado direito de um parênteses

ele perguntava por que razão escrevia ela um traço entre o pontinho por cima de outro pontinho e o lado direito de um parênteses

ela respondia que queria escrever um nariz que estaria como é habitual entre os olhos do pontinho por cima de outro pontinho e a boca do lado direito de um parênteses

ele comentava que só alguém muito senhora do seu traço se lembraria de inventar um nariz com um traço

ela rematava com um pontinho por cima de uma vírgula e um traço e o lado direito de um parênteses

ele questionava para que servia uma vírgula por baixo de um pontinho e um traço e o lado direito de um parênteses

ela retrucava que ele não tinha imaginação nenhuma porque se tivesse alguma teria desde logo percebido que ela estava a piscar-lhe o olho

ele argumentava zangado que achava que piscar o olho era escrever um ponto de exclamação e o lado direito de um parênteses

ela desdenhava e dizia que nunca um ponto de exclamação poderia servir para piscar os olhos porque o olho fechado fica enorme em relação ao outro e se perde todo o efeito pretendido

ele irritado queria deitar-lhe a língua de fora e escrevia um pontinho por cima de outro pontinho e um p maiúsculo

ela entristecida redigia um pontinho por cima de outro pontinho e um traço e o lado esquerdo de um parênteses

ele arrependido insinuava o sinal de menor e o algarismo três e tentava fazer as pazes

ela escrevia apaixonada o sinal de menor e o algarismo três três vezes e rendia-se por fim ao amor]


[... mas a culpa -a inicial  -  é do Senhor Scott E. Fahlman...criador dos sinais gráficos para representar emoções em mensagens transmitidas pela internet..] 
 

quinta-feira, agosto 18

urgências IV



...experimentar jantar aqui :) BOOK is open...by Casa do Livro & Lágrimas Hotels... 

urgências III [Esperando uma carta]


Van der Weiden o representou pela manhã.


Figura de monge escolar

olhando desde cedo os campos

espera uma carta novos passos do companheiro doutro claustro

distante

tratando os problemas da substância

em letra de tom castanho e magoado espera

uma carta toda a manhã

notícia dos campos seus a mãe ou a irmã

dirá da caça da invernia

do casamento e morte dos parentes das crias

novas

uma carta distante perdida carta.

Sem outra vida espera

uma carta amada isso de certo

olhando da pequena janela sobre os mundos

a chuva o vento o sol dos meses

esperando uma carta todas as manhãs a vida.


João Miguel Fernandes Jorge, O roubador de água, Edições Assírio e Alvim, Lisboa, 1981, pp 83.

imagem: “Flandres, 1435-37. Este é um fragmento que fez parte de um retábulo separado por razões desconhecidas, ao qual também pertenceu a pintura Madalena lendo (The National Gallery, Londres). Julga-se que o conjunto, originalmente uma Sacra Conversazione, terá constituído uma das principais obras da primeira fase de produção autónoma de Rogier van der Weyden.”

desviado daqui

urgências II [a noite pede música]


urgências I

...WANTED...

sexta-feira, agosto 12

desculpem-me!


[desculpem-me a falta de vida...por aqui!
um imenso obrigada e um imenso abraço a todos os que, ainda assim, regressam em silêncio; a todos os que, ainda assim, me escreveram...quando eu não escrevo; nem copio, nem nada! desculpem-me, sim?
setembro trará novamente vida e recordações...]