sexta-feira, abril 30

...que faça tudo andar

Atravesso a noite com um verso que não se resolve.
Na outra mão as flores. Como se flores bastassem, eu espero... E espero...
A chave que abre o céu da onde caem as palavras. A palavra certa que faça tudo andar.
Herbet Vianna

imagem: Claudia Moura
[Poema roubado ao Carlos]

não percam. por favor.

inaugura dia 1 de Maio às 21.30 horas. no Clube Literário do Porto. as imagens dão da minha querida Sonja e as palavras do também querido Pas[ç]sos.
sim, conhecemo-nos aqui. nos blogs. e percebi, de imediato, que faziam [fazem] um dueto fabuloso.
PALAVRAS COM OBJECTIVA inaugura amanhã. infelizmente não poderei estar. mas quem puder, por favor, não falte. pois - estou certa - [e não acontece muitas vezes ;)] valerá a pena!
eu passarei por lá depois, até 14. os amigos que forem amanhã, à inauguração, têm a missão de me contar TUDO :)

quarta-feira, abril 28

bem aventurada...


Manhã fabulosa em Haifa. Uma vista soberba sob um dos portos mais antigos do mundo e, claro, sob os jardins suspensos Baháí, no Monte Carmelo. Aqui é, também, o Centro Mundial Bahá'í . A mais jovem das religiões monoteístas.
Deixo uma bela oração Baháí que aprendi com o Ghiora, um homem generoso na partilha do seu vasto conhecimento e aquém estou muito grata.
«Bem aventurada é a região e o lugar, a casa e o coração.
Bem aventurada a cidade, a montanha, o refúgio, a caverna ou o vale, a terra ou o mar, o prado ou a ilha, - onde se haja feito menção de Deus e celebrado o seu louvor».

bem aventurados...

corpo 48; para mais tarde recordar

[acabei de ser beijada em corpo 48 por uma mulher lindíssima, inteligente e sem papas na língua.
afinal este dia que só serenou agorinha mesmo, pode ter mais 24 horas... se no fim tiver um mail como o que acabei de ler, claro! só deus sabe como era [é] importante a opinião dela. e, ainda por cima, eu não tinha a rede do costume. quem diz rede diz parecer :)]

if

...eu não tivesse perdido o telemóvel este dia não tinha sido caótico. uma verdadeira saga.
[o que mais me custou foi não ter dado um abraço à minha querida Graça que parte hoje para Londres. e, claro, a confusão com dois dos Migueis da minha vida.
só faltam duas horas para o dia acabar. ARRE!
e pode ser que a nova aurora me traga o perdão por só saber dois números de telemóvel de cor]

segunda-feira, abril 26

Eyjafjallajökull


[ vulcão Eyjafjallajökull. é! tenho uma amiga que pronuncia o nome do vulcão como quem diz olá. pronunciou-o mil vezes sem se enganar uma única vez, a irritante... :) enquanto eu não saio da primeira sílaba. e depois? perguntam vocês. pois é - devia estar aqui a fazer listas, que é o que faço quando estou nervosa - ou então a mandar o mail à Patrícia. mas não consigo. perdoem-me, sim?, os delírios de hoje...]

coisas que me passam pelo coração

sabem quando tudo, tudo se transforma em emoção?
até a informação!!!! e não há forma de se ser racional?
estava aqui e estava a pensar na mãe de uma amiga minha que um dia me contou uma história que terminava com esta pergunta:
- sabe porque é que a cabeça surge primeiro do que o coração?

[ pois é...não quero nem saber da resposta. há dias assim.]

Marcas que são como mapas

[...]

Permite-me que ecoe por aqui o que se
escreve dentro de mim: escrevo praias onde
nunca mergulhei, ouço conversas dos vizinhos que
doem como gritos, como criticas, como armas
arremessadas contra a minha sombra.

Como te disse: permite-me que me ecoe.
Evitei que me descongregasse pela terra, pensei
que assim poderia tocar-te no ombro e dizer-te
que estou aqui, onde tu não podes ver

onde as crianças não conseguem chegar
onde os velhos não conseguem viver.

Estou por aqui, enquanto te deixo permanecer
no cheiro que trago nas vestes, enquanto me dispo
e deixo que me vejas.

Agora tenho em lugar das minhas mãos uma grande
mancha azulínea, que me recorda que um dia aqui existiu
o mundo e que agora não há mais tempo
para nada.

Sérgio Xarepe
- "Em lugar das mãos o mundo."

imagem: Silvia Antunes

quinta-feira, abril 22

dificuldades - sérias - na aterragem

na realidade ainda não aterrei. continuo nas nuvens e com sérias dificuldades de adaptação à vidinha! a viagem foi magnífica e nem o vulcão impediu um final feliz. aos poucos vou postando imagens e palavras. mas preciso de tempo para aterrar definitivamente.
é que nesta viagem as placas tectónicas que tenho cá dentro também se deslocaram.
abriram-se brechas. sismos múltiplos. terramotos. nuvens de fumo. muita lava.
Israel, Palestina, Jordânia.
é que uma coisa é ler jornais. ou livros. outra, distinta, é atravessar fronteiras.
depois, há também a outra dimensão. a nossa. a pessoal. a que vai levar muito mais tempo a saber como ficará.

[e saudades, sim saudades de vos visitar. de estar aqui. muitas.]

terça-feira, abril 6

volto já

primeiro Israel, depois Jordânia. estou de partida. mas volto já.

sábado, abril 3

a Páscoa pelos rituais


[Para a Cristina. Onde quer que esteja]


Naquele tempo, a Páscoa chegava-me pelos rituais. A casa era o primeiro. Saia tudo do lugar. Para ficar tudo no mesmo lugar. A Cristina começava, pelo menos, quinze dias antes. Abriam-se as janelas, demoradamente. O sol entrava, demoradamente, na sala de estar, voltada para o terraço. E as cortinas ondulavam serenas nos reposteiros altos. As pratas brilhavam mais. As toalhas brancas cheiravam mais a linho. E a louça Vista Alegre era, ainda, mais alegre. E os copos de cristal tilintavam mais. E a minha mãe chamava mais vezes pela Cristina. E ela corria pela casa toda. De uma ponta à outra. Uma azáfama. Até ficar tudo puro e sagrado como água benta. A dispensa, ao lado da cozinha, cheirava a pão-de-ló e a doces de ervas e açucar. E na sala de jantar, a mesa abria-se e o carrinho de chá ficava vazio, para pousar as travessas. A cozinha era, então, poucos dias antes, um reino de pequenos saberes. E sabores. No quintal, a terra revolvia-se e os canteiros tinham muitas flores. Até os peixes vermelhos, no lago, pareciam novos. O pessegueiro, todo cor-de-rosa, vestia-se de novo. Como todos os anos, por aquela altura. O limoeiro ainda tinha limões e as pereiras já não tinham peras. E o quintal cheirava a tangerinas. Depois, a Páscoa, chegava também pelas roupas novas. Para mim e para os meus irmãos. A Cristina também tinha roupa nova e um avental novo. E ficava tão feliz! E nós com ela. Porque a Cristina sorria como se fosse a mulher mais feliz do mundo. Mesmo quando partia alguma coisa, lá em casa. Sorria. E pedia desculpa. E dizia, foi sem querer, minha senhora. E a minha mãe dizia que ela não tinha juízo nenhum. E eu pensava que ter juízo não era importante. Quando se sorria assim. Com a boca. E com os olhos. E com as mãos. Naquele tempo, o que eu mais queria, era sorrir, assim, como a Cristina. Por dentro e por fora. Depois, no dia de Páscoa, de manhã, muito cedo, íamos para o quintal, eu e os meus irmãos. E a minha mãe, à nossa frente, escolhia as flores e os arbustos que podíamos usar para fazer a passadeira para o Compasso passar. E, mais tarde, a minha mãe confiou-me essa tarefa. E eu, com uma tesoura, cortava, com muito cuidado, as flores mais débeis. Tirávamos-lhes as pétalas e fazíamos uma espécie de pot porri. E as nossas mãos ficavam com o cheiro da Primavera. Depois espalhávamos tudo, em desenhos pouco geométricos, deste o portão, até à porta do halle da entrada. O vinho do Porto já estava na mesa do centro da sala de estar, quando ao longe se ouvia a sineta do compasso pascal. Depois, a minha mãe colocava dinheiro num envelope e pousava-o junto da taça das amêndoas. O meu pai arranjava o nó da gravata e colocava um cartão de visita, dentro do envelope. A minha mãe, voltava a abrir o envelope, e tirava o cartão. E dizia que quando se dá, ninguém precisa saber quem deu. E voltava a fechar o envelope. Definitivamente. E o tilintar da sineta agudizava-se mais e mais, até o som de metal entrar todo dentro da casa. Os meus pais beijavam a cruz. Eu e os meus irmãos e a Cristina beijávamos a cruz e o Senhor Padre dizia sempre algumas palavras, como se rezasse. Benzia-nos a nós e aos móveis e a tudo em volta. Depois bebiam um cálice de vinho, despejavam as amêndoas para um saco de pano e pegavam no envelope. A sineta voltava a manifestar-se, estridente, até à próxima casa. E depois, antes do almoço, íamos à missa. E quando voltávamos o meu pai ficava a ler o jornal como se fosse um dia qualquer. Os meus irmãos brincavam. A minha mãe e eu púnhamos a mesa. Uma mesa nova, como as nossas roupas. E com flores no centro. Da cozinha, a Cristina fazia caretas, quando a minha mãe não via. E sorria. Como se fosse a mulher mais feliz do mundo. Como se soubesse que em todas as Páscoas, mesmo as que não me chegam pelos rituais, eu me lembraria sempre
do seu sorriso.


[Boa Páscoa para todos. muito doce e serena]


Imagem: José Pedro S. do Amaral

2 génios na Time Out. e ainda não li 1/3 da revista

veio num comboio e foi noutro! soube a pouco. a minha amiga Cristina veio de Lisboa e trouxe-me a TIME OUT Porto. Pois é :) ainda não a li de fio a pavio mas já a recomendo vivamente.
neste primeiro número Manuel António Pina conta-nos como escreve. sendo que fundamental é que este SENHOR escreva. e a escrever sobre como escreve não deixa de ser delicioso, mesmo que o depoimento seja escrito às 2 da manhã. directamente no computador. não foi com a Montblanc que de vez em quando os gatos lhe levam, mas é poesia.
depois, encontrei José Carlos Fernandes a escrever sobre Carla Bley. sim, esse génio da banda desenhada portuguesa. excelente surpresa. só me resta ler mais. ler sempre.

a verdade dói...

... e pode estar errada. às 21.30h, na FNAC do norte shopping. João Negreiros. pois claro.
[e porque estamos na Páscoa. fica aqui um doce :)]

CIA

passo a rezar na net


está on-line desde março. e já tem mais de 5 mil amigos no facebook. vi a reportagem, creio que na RTP. um sucesso, este sítio onde se pode fazer download de orações.
nesta época pascal o actor Ruy de Carvalh e a sua filha, Paula Carvalho dão voz ao projecto.

«O acesso à oração, gratuito, faz-se através do site passo-a-rezar.net. O ficheiro é disponibilizado na véspera do dia a que corresponde, podendo ser guardado no computador ou enviado por correio electrónico. Mas também pode ir para qualquer lado através da transferência para um leitor de música digital ou para um dispositivo de armazenamento portátil – uma pen drive, por exemplo.
Com este projecto, a oração supera os limites horários e geográficos e adapta-se à mobilidade urbana. “As pessoas já não rezam só dentro das igrejas. A partir de agora podem fazê-lo diante do computador, no trânsito, nos transportes… onde acontecer. A iniciativa quer responder à necessidade de rezar onde o ritmo da vida impõe».

quinta-feira, abril 1

depois do telefonema

[esta é a forma mais rápida de chegar aí e abraçar-te.

obrigada minha absolutamente querida Zaclis]