domingo, janeiro 31

e por vezes


E por vezes as noites duram meses

E por vezes os meses oceanos

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos E por vezes


encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes


ao tomarmos o gosto aos oceanos

só o sarro das noites não dos meses

lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes

ah por vezes

num segundo se evolam tantos anos


Davida Mourão-Ferreira
imagem: Artur K

à volta de Inês Pedrosa

gostei mesmo muito. a Comunidade de Leitores, com a Inês Pedrosa, correu bem. muito bem. não se falou apenas de A Eternidade e o Desejo. falou-se um pouco de tudo. tudo o que coube em duas horas de conversa. à volta dos seus livros. e de outras coisas. e a autenticidade foi o fio de prumo. a ironia, também. mas, aqui, o Miguel Carvalho resume. eu, por mim, gostei muito de a ouvir. nos olhos. olhos nos olhos. já gostava de a ler sem nunca lhe ter conhecido o timbre da voz. ao vivo. já gostava de a ler há muito tempo. sim. fiquei encantada com a genuinidade da autora de "Fazes-me Falta". [sim, Zaclis, esse de que tanto gostaste, também]

[e, é verdade, no dia seguinte, sonhei que fomos todos tomar um chá. um chá com Inês Pedrosa. no chão da minha sala. enfim! há dias, assim, em que se sonha antes de ir dormir.]

sexta-feira, janeiro 29

Sabeis porque choram os olhos?


«Todos os sentidos do homem têm um só ofício; só os olhos têm dois.
O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto, cheira, o Tacto apalpa, só os olhos têm dois ofícios:
Ver e Chorar.
Estes serão os dois pólos do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu na mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma, a tinta do coração, o fel da vida, o líquido do sentimento.
Porque ajuntou logo a natureza nos mesmos olhos dois efeitos tão contrários, ver e chorar? A razão e a experiência é esta. Ajuntou a Natureza a vista e as lágrimas, porque as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver, porque o ver é a causa do chorar. Sabeis porque choram os olhos? Porque vêem.



Basta-me escutar. Escutar não tanto a superfície das conversas, mas a dor que dentro delas nada silenciosamente. Os pianistas confessam-se nas teclas, no modo de atacar as notas. Sei quem são Adriano Jordão e Theodor Paraschivescu, conheço-lhes a infância e os sonhos, porque os ouvi tocar. (...) Ah, a terrível bondade daqueles a quem nenhum sentido falta. Esmagam-me de compaixão. Falam-me alto, espaçadamente, como se eu também fosse surda. Agarram-me no braço, continuamente. Queria conhecer alguém que tivesse a sensibilidade de me tocar apenas com o olhar. (...)».

Inês Pedrosa in A Eternidade e o Desejo, pag. 136, 137, Dom Quixote,2007

[ Sábado, dia 30 de Janeiro, às 17 horas, como de costume, na Livraria Almedina do Arrábida Shopping. A convidada de Miguel Carvalho é Inês Pedrosa. Mais um encontro na Comunidade de Leitores. Desta vez, A Eternidade e o Desejo é o livro de que se fala.]



10 anos, já?


« A Egoísta nasceu há 10 anos como uma revista temática que se tornou um objecto de culto, sendo considerada um caso de sucesso no mercado editorial português. Um dos segredos, explicou à Lusa a editora da publicação, é não ser uma revista mas sim um produto de comunicação e de marketing do Grupo Estoril-Sol, que apostou na promoção da cultura e das artes de forma inovadora. "Se fosse uma revista com intuito comercial, se calhar não teria sobrevivido", disse Patrícia Reis.

A Egoísta tem vários prémios nacionais e internacionais e apostou num discurso pioneiro e revolucionário, segundo a sua responsável. "Há dez anos não se fazia nada temático. Não havia espaço para a curta ficção, por exemplo, o que fez com que a Egoísta publicasse em primeira-mão muitos autores. Promovemos a ficção, a fotografia e as artes plásticas, a cultura nas várias vertentes."

O primeiro número saiu em Janeiro de 2000 e no ano seguinte a revista passou de mensal para trimestral. A Egoísta tem hoje uma tiragem de dez mil exemplares e mais de 200 assinantes. Inicialmente era distribuída selectivamente. Após muitos pedidos, entrou no circuito de livraria.

Para comemorar o 10.º aniversário, a próxima edição (em quatro dimensões), que sairá em Março, será dedicado ao Oriente».

aniversário XIX


Olá,
vai com um dia de atraso mas espero que ainda a tempo de voares nas asas da liberdade... e dos sonhos!
Muitos beijinhos. Parabéns pelo blog e por ti,
Alexandre

[gentilmente enviado por Sofá Amarelo, onde gosto de me sentar e descontrair...]

aniversário XVIII

Marta: elas combinam contigo e o teu blog combina comigo. Parabéns e desculpa o atraso. Um beijo enorme. Cristina

quinta-feira, janeiro 28

aniversário XVII


olá Marta!
pedes-nos palavras essenciais. para isso não tenho jeito.... contudo não posso deixar de te dar os parabéns por este "cantinho" onde tantas vezes vim apenas pelo prazer que isso é. este é o meu presente para ti. espero que gostes. e que a "Vida em Marta" continue longa e feliz e nos possa proporcionar muitos mais 365 dias de risos, sorrisos, nós na garganta, arrepios...

beijinho,

Sonja Valentina

[fotografia e palavras enviadas pela querida Sonja. um dos meus afectos primeiros. aqui. outra paixão. quando pousei e repousei e me agitei no seu olhar. uma antropologia do olhar. do quotidiano do saber ver.]

aniversário XVI


Obrigada por seres...!!!
Parabéns pelos teus textos/pensamentos!!!
[E pelos desenhos da Leila Pugnaloni de que tanto gosto]
bj
Paula [devidamente identificada]

imagem: Leila Pugnaloni

aniversário XV


1. Foi aqui que cheguei em Fevereiro de 2009, para nunca mais sair. Ainda que por períodos o afastamento seja uma verdade, cada regresso transporta o sabor de saber que não me afastarei definitivamente. Em referências aprendi, em sugestões revi-me. Descobri e introduzi-me como intérprete de personagens para que não fora convidado. Foram repetidos os momentos em que me espelhei nas mensagens passadas, em que me senti antecipado por vontades sonhadas. Bebi muito, algumas vezes num só trago, outras gota a gota, do que aqui está publicado. Embrenhei-me de tal modo em tantas destas palavras que, hoje, basta passar sobre elas com um olhar para reviver a sensação da primeira leitura. Comentei com as palavras à flor da pele, enquanto um cigarro ardia em [melo]dias silenciosos. Na partilha semearam-se afinidades que saudosamente permanecem em palavras que iluminam cidades. Essenciais tornaram-se tantas outras, contadoras de histórias. Pois se não é segredo, porque não assumir que volto aqui e continuo a ser tantas vezes surpreendido?


2. Há palavras a que se chega e, sem que as conhecêssemos, sabemos que existiam e esperavam por nós. A pretensão não será propriamente um atributo, mas há palavras cuja força, cuja vontade de vida, nos raptam para essa estranha sensação de certeza que ali estão unicamente para que nós as leiamos. Porque foram escritas para nós! Do deslumbramento de leitura, rapidamente passei ao encanto de me ver nelas. As primeiras, aquelas que não oferecem qualquer dúvida, vestiram-se de cumplicidade. Depois fui-me encontrando em muitas outras. Verdade será que em grande parte delas é pura ilusão de quem se julga capaz de se espelhar em palavras súperas e em querer tomar a vida desses vocábulos impregnados dela. Mas para quê desfazer a ilusão se nos proporciona um sorriso rasgado no peito? Mas porque não acreditar que algumas delas decorrem de afectos especialmente inventados, de afinidades confirmadas? Mas porquê desfazer o sonho aberto aquando de algumas das suas leituras? Mesmo que, hoje, não acendam ilusão, há ainda muitas palavras cujo confronto se silencia num suspiro especial por saber terem sido ‘lidas’ antes… Há palavras a que se chegou e de onde não se parte pois não se querer deixar valiosos pedaços de nós perdidos no esquecimento.

Pas[ç]sos

[mesmo sabendo que é preciso respeitar a decisão, estou zangada com o Pas[ç]sos um dos primeiros comentadores deste blog. é que somos contemporâneos nestas andanças e pronto. estou zangada. mas é só com este Senhor! é que o paços d´água vai fazer-me falta. só isso.]

imagem: Sonja Valentina

aniversário XIV


este é o Alentejo que trago no meu olhar de Novembro.
o olhar tem coração, não tem?

[fotografia enviada pelo querido amigo Senhor Dom Grifo Planante. João Menéres, fotógrafo de momentos comoventes e outros dias. mais um cruzamento feliz, na minha vida blogosférica]

aniversário XIII


Pediste-nos palavras essenciais. Aqui vão:
O que me enterneceu nesta imagem foi o sorriso cúmplice e a mão que se levanta para um gesto de carinho! O essencial é esta partilha! De uma vida cumprida! A mesma que eu espero ter com a pessoa que amo!
Um beijo, Querida Marta.
Parabéns por este planeta.
K

[ele diz que lá, coisa estranha, nada acontece. e, às vezes, fica mesmo muito tempo sem acontecer. mas quando acontece, quando acontece...bem, quando acontece...acontece...]

quarta-feira, janeiro 27

aniversário XII


Acabei de visitar "Há Vida em Marta". Claro que sim. Há vida e da mais cristalina. Uma vida também límpida, suave, a exemplo de quem lhe dá vida: a minha querida Amiga. Felicitações. Depois, demandei Almendra, a sua serena luminosidade. Imagens colhidas pela Celina (que desconhecia), outras igualmente muito belas. Ah, fala do doce de amoras. Um amor. Amor-amor(as). Bendito prodígio da natureza.

Bem, quero lembrar-lhe que, com a confusão do jantar [...], acabou por ficar em Leça um frasquinho dessa compota que lhe estava (E ESTÁ) destinado. Quanto à terra donde a lambarice vem, já sabe: é minha, é sua, é de quem nela respira a autenticidade de um lugar e das suas gentes. Daí, quando quiser, vá até Almendra. Tem casa ao seu dispor. Beijinhos com maresia,


Alfredo Mendes


[sim, sim é meu amigo. tá na cara. ou nos caracteres. como quiserem. autêntico como só ele é.

e é. é a minha grande bênção. amigos assim. janelas serenas para o azul]

imagem: telemóvel da Marta em Barca d´Alva

aniversário XI


Apesar das ruínas e da morte,

Onde sempre acabou cada ilusão,

A força dos meus sonhos é tão forte,

Que de tudo nasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner Andersen
(do seu primeiro livro de poesia, Poesia, de 1944)
[este quadro e este poema - combinação perfeita - foram enviados pelo Carlos Azevedo cujo blog não passo sem visitar. temos registos muito parecidos, na música. aliás, gostava de ter encontrado um saco que ele diz ter perdido, depois de umas compritas na FNAC!]
imagem: Vieira da Silva, Luz, 1978

aniversário X

Que o teu blog viva em Marta, em Marte e em nós todos cá na Terra, com muitos posts e longos anos de vida.

[este "postal" é da querida Patti, autora de textos deliciosos, lá no Ares. e com um jeito muito especial para escolher imagens...olhem bem para esta ;)]

imagem: alessandro bavari

aniversário IX


Marta, minha querida amiga
primeiro parabéns pelo aniversário e pela ideia.

Passaram-me tantas palavras pela cabeça: amor, solidariedade, amizade, alegria, sorriso, paixão, ... e para cada uma, um argumento se instalava: e quando o amor acaba e a amizade se enfraquece e a solidariedade esquece de se vestir e a alegria desvanece como a morte e o sorriso só sabe chorar e a paixão deixa de aquentar?
Percebo que depois de tudo, quando só há escuridão, o essencial é acreditar.

[fotografia e texto da minha muito querida amiga Zaclis. que não está só na minha vida. também está aqui.]

aniversário VIII - Da Razão dos Simples





À Marta e ao Geoff
Regresso
Dos fundos dos mares, do fundo navegável
Do meu ser errante.
Há muito que temia ser navegante
Neste amável mar de estelas primeiras

E antes eram palavras
Agora a manifesta asafia,
Que pretensamente
Prende a apoucada letra
Ao caminho do seu curto cordel
De linho e ráfia,
A vontade dos simples,
Que no onirico sublinhado da vida
Que sulca e mente,
Regressa.

Erguido duma qualquer urgência
Colocada na alma que se atravessa,
Dos simples
Contam-se aqueles que não sucumbiram
Às imposturas da idade e pela
Cadência das ilusões, partiram
E não regressaram.

Uns cansados
Outros desgastados pelo ritmo das estações,
Aos restantes restam as canções
Que nas indistintas madrugadas
E nas indistintas idades,
Fizeram da palavra, da esquecida cadência do peito,
A construção da poesia
A obra do mundo que ergue as cidades,
A pequena multidão que pela vontade
Regressa do fundo da alma e
Do mais longínquo ponto do horizonte
Fará nascer o reino onde as letras
Sem margens, nem rios, ou sejam,
Sem nada aparentemente
Por ligar, as letras essas serão a própria ponte,
O ligar, a fantasia, o regressar
Porque ontem foi lá longe
E o regresso é sempre outro dia.


Leonardo B.


[da autoria de Leonardo B. ainda e sempre. o encontro, dos primeiros, foi na Última Estação... e demorei-me por lá muito tempo. em boa hora saí, distraída, para ficar.]

aniversário VII



[...]

Um pouco mais de sol — eu era brasa.
Um pouco mais de azul — eu era além.
[...]

Mário de Sá-Carneiro


[pinturas enviadas pela artista plástica Leila Pugnaloni, autora não só destes quadros mas, também, dos desenhos pelos quais - não é segredo - me apaixonei perdidamente.
aqui.]

aniversário VI

[Porque o seu blog, ou os seus "solos" também me têm oferecido momentos MUITO agradáveis.

Parabéns. Leigo]

aniversário V

[desenho da autoria de Filipe Mora, uma das minhas primeiras afinadades blogosféricas.

ele "desenha e escreve. descreve", portanto.
...e reparem, por favor, na lombada do livro :) um miminho!
o desenho foi feito tendo por base a fotografia que, então, tinha no meu perfil]

aniversário IV


linha a linha
espaço a espaço
o passo
que palavras passo
o tempo de um espaço

Pedro


[enviado pelo Pedro Lopes, autor de pequenos poemas imensos que gosto tudo de ler]
imagem: desconheço o autor

aniversário III




Procurei no dicionário o significado da palavra 'vida' e ei-lo:
"Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de atividade (diz-se das pessoas e das coisas)".

E sim. Posso confirmar: Há vida em Marta!

O universo virtual sempre me proporcionou muitas descobertas maravilhosas. Muitos lugares aconchegantes, receptivos, calorosos...
E encontrei um portal, por um acaso, que me levou à Marta. Era como uma casinha de sapê dentre árvores. Dentro fazia um friozinho gostoso. E cheirava a café quentinho. Não deixei mais de visitá-la.
Ah, Marta! Como é linda a maneira com que tece as palavras. Fala tão belo de artes, música, literatura e de tudo, tudo.

Encanta-me muito este cantinho. E a cada dia estarei a visitá-lo.

Porque se há mesmo vida em Marta, estarei sempre a conferir.



Hilana Fontineles





[imagem e texto enviados por Hilana Fontineles. Teresina - Piauí,Brasil]

aniversário II - sábios olhos


Como rosa cultivei-te em sonhos meus;
Fiz-te rainha de meus castelos
Que da cova, a graça, me arrebentam os elos;
Tesouro vivo que tantos pedem a Deus.

Caravelas de ninfas vindas dos céus
À terra de homens, combatentes velhos,
Deixando-as pousar com total esmero:
Assim me foram os olhares teus...

Fulgor límpido da aurora de astros viventes,
Iluminara este palácio meu envolto por serpentes,
Mas esquecera que à porta foi posto mil frades...

Por isso, ando deste amor já descrente,
Deste amar que tu não o sentes,
Mas que só teu olhar, o sabe.

Alan Felipe
[poema enviado pelo Alan Felipe Angelin. Brasil]

aniversário I


por aqui, como sabem, o fuso horário é especial!
a festa de aniversário - 1 ano - deste blog começa agora.
quando termina? não sei :)
um ano com muitas histórias dentro.
garanto-vos!
ontem, aconteceu mais uma.
que me emocionou muito.
tem a ver com a vida secreta das palavras.
um dia, se me deixarem, conto.
obrigada,
queridos visitantes. obrigada por tudo.
e "façam o favor de serem muito felizes".

terça-feira, janeiro 26

Para falarmos do meio de obter o poema


Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste.

Nuno Júdice in Geometria Variável, Dom Quixote, Lisboa, 2005
imagem: Leila Pugnaloni

Shape of my Heart

segunda-feira, janeiro 25

Parada Cardíaca



Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.


Paulo Leminski
imagem: Claudia Santos Silva

A quoi ca sert l'amour

sábado, janeiro 23

deixem-me palavras essenciais. as vossas.


Este blog faz um ano no próximo dia 28 de Janeiro. E eu não imaginava que ao fim dos quase 365 dias ele tivesse tido um papel tão importante na minha vida. É verdade. E nem sequer estou a exagerar. Perceber e aceitar o facto é estranho. Para mim. Por muitos motivos e mais um. Mas, também, porque sempre fui mais dada a olhar nos olhos das pessoas do que nos seus caracteres. Refiro-me à interacção com os meus semelhantes, claro. Porque eu e uma catrefada de caracteres fazemos a festa!
Livros, jornais, revistas, cartas, até post-its!
[Papel. Eu sou dependente de papel. Escrito e em branco.]
Bom...dizia eu que sempre fui mais de almoços, jantares, uma esplanada ao fim da tarde...mas não é por aí que quero ir... Agora.

Para mim, que sou muito mais de segurar na mão, de dar um abraço, os afectos virtuais que criei através deste blog são tão deliciosos quanto incríveis.

Para mim, que gosto de ver o jogo de costas voltadas para o campo, ver o rosto da multidão, ler-lhe os sinais, sentir-lhe a respiração, este blog é um estímulo à imaginação.

Para mim, que me encanto e desencanto com o pulsar das pessoas e dos ambientes, com o burburinho dos lugares, com os aromas em volta, este blog, é um mistério. Este blog e os bastidores deste blog.

Este blog trouxe-me pessoas extraordinariamente talentosas, inteligentes, sensíveis, bem-humoradas. Não interessa se um dia nos vamos olhar nos olhos. Provavelmente não. Interessa que nos cruzamos. E concordamos e discordamos. E aprendemos. E nos sentimos próximos ou distantes. Não importa.

Depois foi a leviandade com que o fiz. A ligeireza. A falta de compromisso. Uma amiga que chega ao pé de mim e diz, saudando-me, como só ela o fazia: “há vida em marta”! E ficou assim. HÁ VIDA EM MARTA. Um blog. Depois, outra amiga, ajudou a arrumar a casa. A escolher cores, funcionalidades. E eu longe de chegar aqui.

E de repente criei laços, desfiz nós, aproximei-me de pessoas e passei a gostar delas, ou melhor, do blog delas, ou melhor, dos caracteres delas, dos desenhos delas, das fotografias delas, como se fossem olhares, gestos, toques. Criei afinidades com quem não conheço. Aprendi com ilustres desconhecidos – meu deus – senti saudades de quem, provavelmente, nunca verei. Mas também me aproximei de pessoas que amo. Muitíssimo.
[Tanto que tinha para dizer. Aqui.
-Olá Nina! Gosto tanto da nossa história. E é tão bom sabê-la tão perto.
Por exemplo.]

Estou louca, pois claro! Agora, «o meu coração [também] pertence a estranhos», como escreveu Alexandre Gamela.[
- Olá Catarina! Correu bem o doutoramento? Tenho pensado nisso. E no teu e-mail.
Por exemplo.]

Só não me interno, porque este blog mudou a minha vida! E isso é um facto. E contra factos... Mudou, como quem muda o trilho do comboio. Mudou, como quem contribuiu para tomar decisões. Profissionais. [agradeço especialmente a três pessoas. Muito. Uma conheço-a; as outras duas não! Um dia falarei disso.]
Podia fazer de conta e deixar-me deste arrazoado todo. Deste pôr o coração em cima da mesa como se fosse uma carta de jogar, cheia de razão, na sua simbologia.
[se o Prof. Funes conseguir ler até aqui, deve estar como um vendaval…]
Mas apetece-me dizer o que sinto. Mais uma vez.
Assim como quem escreve num “moleskine” sem elástico.
Que nunca se perde. Que nunca perco.
É este o papel do meu blog, na minha vida.
Um caderno, que sei sempre onde está, onde anoto - porque sim, porque sinto -
o que me dá na real gana.

E, agora, faço -vos um convite, através das palavras do enorme Virgílio Ferreira.

"Quais são as tuas palavras essenciais? (…) As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. (…). As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha".

[deixem-me palavras essenciais, sim? as vossas.
também podem ser imagens. poemas. frases. citações. o que quiserem.
pode, até, ser uma música. enviem, por favor, até ao dia 27, para marta1322@gmail.com
dia 28, editarei tudo.
será a minha forma de agradecer as mais de 50 mil visitas;
de assinalar que faz um ano que estou aqui . que me encontro. convosco. e comigo.
conhecidos e desconhecidos. com blog e sem blog. todos. sem excepção.
e foi bom, muito bom. boníssimo :) bom e importante. mesmo muito importante.
tanto tudo íssimo.
obrigada. muito obrigada]

imagem: Leila Pugnaloni

Sugestões de leitura em 1885


«Sabes uma coisa? Quando fui o ano passado, apresentado a Junqueiro, ele disse-me: "Leia Michelet; Michelet faz bem ao estômago e ao cérebro; faz bem ao espírito e à saúde" (...)

Queres poesia? Tens aqui o Junqueiro, o João de Deus, o Gonçalves Crespo, etc, etc. Todos estes são poetas modernos: o João de Deus, dando uma nova feição à poesia lírica de Camões é delicioso; Gonçalves Crespo, seguindo as pisadas dos parnasianos moderníssimos da França, como Théodore de Banville, François Coppée, Sully-Proudhome, etc, é tão bom como eles, e é um dos melhores modelos da poesia burilada com a paciência de um chinês; Guerra Junqueiro, enfim, o primeiro que deitou por terra as pieguices sentimentais dos românticos, em A Morte de D. João e na Musa em Férias, é, por vezes, um gigante como Vítor Hugo.

Já os lestes decerto, e lerias por ventura o maior poeta brasileiro (olá se é) Castro Alves, o autor das Espumas Flutuantes? Creio bem que sim. Põe de parte o Casimiro de Abreu, que embora seja um bom poeta não nos dá consolação nem vigor; dá-nos apenas desalentos e lágrimas.

Queres romances? Não leias os Ponsons, os Dumas (Pai), os Montepins; lê o Zola, o Daudet, os Goncourt (Edmundo e Júlio), e entre nós o Eça de Queirós que não sei se sabes é o escritor mais considerado de Portugal e Brasil.

Alexandre Dumas (Pai) não tem romances que instruam, que nos mostrem a sociedade tal qual ela é; o que não sucede com os outros apontados que são hoje os grandes homens da literatura moderna, os grandes escalpelizadores da alma humana».


António Nobre, in carta a Alberto Baltar, 9 de Fevereiro de 1885

in António Nobre, 1867 - 1900 FOTOBIOGRAFIA, Mário Cláudio, Dom Quixote, 2001

sexta-feira, janeiro 22

Paula Rego em Évora

Uma exposição com 39 obras de Paula Rego [da colecção de Manuel de Brito] inaugurou, ontem, no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora. Pode ver-se até ao dia 23 de Maio.

Estante Acidental




ele propõe Edgar Allan Poe - e MUITO BEM - e eu proponho o blog dele. ESTANTE ACIDENTAL. o meu querido amigo Ricardo chegou à blogosfera. com muitos livros e sentido de humor. bem-vindo, pois!

quinta-feira, janeiro 21

não saio sem eles


...e quando saio, é porque algo grave aconteceu! o despertador não tocou. por exemplo! há quem não saia sem relógio, sem anéis, sem perfume. há quem não saia...

os dias sem ti

"os dias sem ti, são todos iguais/são dias sem brilho/

são dias a mais"

nunca mais é sábado!


...e, no sábado, aviso já, ninguém mais lê a minha revista. estamos entendidos? ;)

Ano Europeu abre hoje, em Madrid

abre, hoje, em Madrid. o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. em Portugal, a abertura oficial está agendada para o dia 6 de Fevereiro.
aqui, aqui e por aí. muito se tem falado sobre o assunto. a ver o que se faz. realmente.

quarta-feira, janeiro 20

almocei com a minha mãe


almocei com a minha mãe. numa conversa calma e divertida. como há muito não acontecia. estava sol. muito sol. e ainda restavam quatro brigadeiros para o café.
[obrigada, Carlinha. pensei.] e voltei aos novos projectos. como se nunca tivesse deixado de estar ali. e naquele momento, enquanto a minha mãe sorria, estava sol, muito sol e eu bebia o café com os quatro brigadeiros, fui profundamente feliz. tão feliz
que até senti um pouco de medo.

Niña De Fuego

não fui. mas adoraria ter ido. a Guimarães.

terça-feira, janeiro 19

Assim, no pensamento



As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.

Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.

E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.


Fernando Pessoa

Cinema sem Paraíso


Na cidade “onde nasceu um dia a sétima arte em Portugal”, pela mão de Aurélio Paz dos Reis, é cada vez mais estranho falar-se de Cinema. E já que falamos nisso, importa referir que estamos como é lógico a falar do Porto, a urbe que outrora possuiu, à laia de exemplo, o cineclube mais dinâmico do país e cujo número de associados fidelizados nunca augoraria o estatuto presente de pré-moribundo a que chegou. Urge fazer algo, pois na verdade há ainda pessoas que o defendem com estoicismo e para cúmulo são visadas no seu bom-nome em plena praça pública. A propósito disso, convém relembrar que ainda recentemente alguns, em nome de uma associação criada à pressa, e em nome de supostas boas intenções, não conseguiram disfarçar a cobiça pelo património da instituição e se propuseram reabilitá-lo, angariando para o efeito as credenciais de gente insuspeita nesta matéria! Estaremos enganados ou atentos? Isso será outra película...

Das salas tradicionais sobejam apenas alguns néons simbólicos. A era do chulé de pipoca dos centros comerciais desritualizou a ida ao cinema, aquele dos filmes que víamos até ao intervalo e discutíamos expectantes a segunda parte no bar, provando um café de saco e conferindo uma assertiva tricadela num toblerone. Sim, esse mesmo, o cinema do Águia D’Ouro (são memoráveis as filas para o blockbuster indiano da época: “ O Passado Inesquecível”), do Batalha, do Olímpia, onde os tirones janotas de Domingo ansiavam pela matiné do engate, nem mais nem menos do que uma garina para trocar uns cuspes e até tinham a ousadia de nem saber se o filme era a cores! E depois veio a “classe conforto”, tal e qual o alfa-pendular, dos cinemas de “segunda geração”, alguns já mais deslocalizados da Baixa: Charlot, Foco, Pedro Cem, Passos Manuel, Lumiére e Nun’ Álvares, sendo que este é o único da lista em que já se vê luz no fundo do projector. Será exemplo único ou múltiplo? Talvez valha a pena acreditar que lá virá o tempo em que alguns dos espaços sobreviventes e não reconvertidos façam a travessia até à altura em que volte a ser moda, uma espécie de ritual vintage, ir à Baixa do Porto ver cinema. Até lá, contentemo-nos com o Fantasporto.

João Fernando Arezes

[post roubado quase na íntegra AQUI, no blog do Paulo Pimenta, onde há mais excelentes fotografias de sua autoria]

segunda-feira, janeiro 18

problemas de ...


talvez AQUI.

vamos votar na Diana

Diana Jung está entre os dez finalistas do concurso "I Love Europe", organizado pela Comissão Europeia. A iniciativa destina-se a escolher um cartaz que assinale o Dia da Europa.
Este é o trabalho apresentado pela jovem portuguesa, aluna da Escola Superior de Artes e Design (ESAD), seleccionado entre 1700 trabalhos.


Os 10 finalistas são votados online. Aqui. Onde também podem ser apreciados os outros trabalhos.Mas vamos votar na "nossa" Diana, sim? Até porque o mapa está muito original...

sábado, janeiro 16

gosto de ressuscitar palavras


[...] Surpreendentemente, atendendo à hora tardia, a tasca estava cheia. Cheirava a fritos. Ouviam-se gargalhadas. Frases Soltas. A uma das mesas dois ou três tipos cantavam antigos sucessos angolanos e brasileiros. Um deles dedilhava mansamente um violão. Outro batucava no tampo da mesa. O taxista informou-nos que só havia lugares ao fundo, a um dos cantos, e ajudou-nos a chegar lá. Formávamos um grupo um pouco bizarro, mas ninguém pareceu reparar em nós. Luanda, já o disse, é um alfobre de personagens insólitos.


(Gosto de ressuscitar palavras. Nos dias que correm poucas pessoas se servem da palavra alfobre, por exemplo, a não ser um ou outro eclesiasta da velha escola. Creio que se aplica particularmente bem ao presente contexto, sobretudo atendendo à possível etimologia árabe - escavação, buraco, fossa.)
José Eduardo Agualusa in Barroco Tropical, pag. 197, Dom Quixote, 2009
imagem: cidade de Luanda [desconheço o autor]

os bons existem. e carregam o fogo.


sim, sim, excelente fotografia. e uma boa banda sonora. mas, mais uma vez, o livro é que me convence. e emociona. sim, sim, os bons existem. afinal, os bons existem mesmo. e carregam o fogo. mesmo quando tudo à volta é - ou parece ser - a extinção definitiva do azul.

sexta-feira, janeiro 15

Se eu pudesse trincar a terra toda

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz,
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade e na infelicidade
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Alberto Caeiro in Poesia,pag.55, Assírio & Alvim

imagem: José P. Dionisio

Livro dos Medos


podendo vou com, pelo menos, 4 dos meus 6 sobrinhos :) sem medo!

sábado, dia 16, às 17 horas, um novo livro apresentado pelo "brincador", conhecido também como Álvaro Magalhães :)

LIVRO DOS MEDOS

o convite diz assim:

«O espaço e o projecto Papa-Livros são deveras interessantes e inovadores, tanto para crescido ver.... como para criança apreciar!!!!
Fica no Centro Comercial Cristal Park, ali em frente do Museu Nacional Soares Reis»

quinta-feira, janeiro 14

Valter Hugo Mãe nas Quintas de Leitura


«O Poeta valter hugo mãe é o próximo convidado das "Quintas de Leitura". BOMBA, assim se intitula a sessão, será uma grande festa da poesia, construída em torno da figura e da obra deste grande nome da literatura portuguesa.

Recordaremos, nos próximos dias, alguns textos emblemáticos da obra de valter hugo mãe.


erótica de fã

quero não ficar espantado se me nascer
um filho de tanto ouvir caetano veloso,
quero não explicar nada sobre este
tão grande amor



nossa senhora das andorinhas cansadas

no beiral do café, enquanto confessámos
ideias sórdidas sobre as pessoas bonitas,
pousavam as primeiras folhas de outono.
pensámos que as pessoas bonitas deviam
conferir trocos pequenos em lojas de
bairro e que, por uma moeda maior, nos
vendessem corpo e alma sem grande resistência.
pensámos que as folhas de outono, entristecendo
o café, deviam subir com o vento e
encalhar nas nuvens. em alto mar, se as nuvens
se cansassem, poderiam ser largadas
longe dos nossos corações predadores mas
tão aflitos com o amor. no inverno, pensámos,
não sermos amados é como estar na fila para
morrer. olhámos em redor e nada

(poemas de valter hugo mãe / pornografia erudita / cosmorama edições)

poste integralmente roubado aqui

AMI parte em missão para o Haiti


«Uma missão da Assistência Médica Internacional (AMI) parte esta quinta-feira para o Haiti para levar a cabo uma acção no terreno. O intuito da deslocação dos dois elementos da AMI, que esta quinta-feira partem para o Haiti, é estabelecer uma intervenção no terreno, numa acção concertada com duas organizações não governamentais (ONG) locais. Por ser uma região com grande propensão a catástrofes naturais, e à fraca capacidade do país de fazer face às mesmas, a AMI realizou em Setembro do ano passado uma missão baseada na prevenção de fenómenos consequentes das alterações climáticas. No Haiti, um dos países mais pobres do mundo, 53,9 por cento da população vive em situação de pobreza extrema, com menos de um dólar por dia.»

terça-feira, janeiro 12

quando ontem me disseram...

Quando ontem me disseram que o empregado da tabacaria se tinha suicidado, tive uma impressão de mentira. Coitado, também existia! Tínhamos esquecido isso, nós todos, nós todos que o conhecíamos do mesmo modo que todos o não conheceram. Paixões? Angústias? [...] É quanto me resta, a mim, de quem tanto sentiu que se matou a sentir, porque, enfim, de outra coisa se não deve matar alguém...

Fernando Pessoa

imagem: daqui, do excelente blog de Carlos Romão

poesia de João Negreiros no TUM


[clicar no cartaz para aumentar]
diz assim:
«Depois do grande sucesso de “Inspiração é Respirar”, o Teatro Universitário do Minho aborda de novo o imaginário lírico de João Negreiros. O espectáculo é uma fusão de poemas antigos e inéditos. O naturalismo, a emoção aliados à dimensão sonora da poesia dão a toda a performance uma sensação visceral e palpável, aproximando os poemas dos anseios, medos e problemáticas do próprio público.
É um espectáculo alegre e soturno, épico e intimista, hilariante e dramático. As vozes de tessituras diferentes fornecem uma paleta sonora muito abrangente dando cor e alma à literatura que já de si a possui. Momentos únicos com os quais o público se identificará.
É a poesia para pessoas primeiro e para poetas depois.
É a poesia para pessoas primeiro e para leitores depois.
É a poesia para pessoas primeiro e para pessoas agora.»

um restaurante de comer e chorar por mais



ouvi dizer que o Buhle é um restaurante de comer e chorar por mais. no que respeita à arquitectura. ou será à gastronomia? ou a ambas?

afinal, o prémio ganho - um dos melhores restaurantes do mundo - foi pela arquitectura, certo?

dizem, também, que Almodôvar esteve no júri...bom...quem me explica?

mas que o restaurante é lindo, lindo de morrer... lá isso é! os arquitectos estão de parabéns, sem dúvida alguma.

imagens daqui