sábado, novembro 28

a noite pede música

foi fabuloso...o concerto desta noite.... uma vezes 7, outras 8. em palco...

mágníficos. a merecerem todos os encores.

num Coliseu do Porto muito entusiasta e cheio como um ovo. tanto.tudo.íssimo.

parabéns...e uma lareira acesa


amanhã, O meu sofá amarelo faz um ano. parabéns :) é de lá que trago a lareira.... cheia de vontade de acender a minha. tão bom...

sexta-feira, novembro 27

SAI + O que resta de Deus

chama-se SAI. é uma revista de bolso. no canto inferior direito da capa diz: Portugal cultura e tendências urbanas. gostei. gostei bastante. só não gostei, mesmo nada, de perder, hoje, às 18.3oh, a oportunidade de ouvir José Tolentino Mendonça + Armando Silva Carvalho. foi a primeira conferência sobre O QUE RESTA DE DEUS. há mais. o programa fica aqui.

é no Teatro Nacional São João. amanhã, dia 27, é a vez de Ilda David + Paulo Pereira.

quinta-feira, novembro 26

a pior banda do mundo


José Carlos Fernandes é um dos meus autores de BD preferidos. regresso frequentemente aos seus livros. O Quiosque da Utopia é recorrente. faz parte da "fabulástica" colecção A PIOR BANDA DO MUNDO. talento. imaginação. autógrafos, assim, de admirar. de encaixilhar.
[ logo à entrada de O Quiosque da Utopia:
«Las escasas consistencias del mundo
Comienzam siempre em los rincones.
Y las cosas olvidadas
Guardam las únicas señales
(Roberto Juarroz, Decimotercera Poesia Vertical)
[porque me lembrei de muitas coisas que estão a acontecer]

quarta-feira, novembro 25

é esta a razão



Porto, 25 de Novembro, 2009



meu querido,

é esta a razão: é transparente como eu e tu, quando nos encontramos e, também, quando nos perdemos. não. o perder não é de nós. é dos outros.


é assim, transparente, porque a procurei assim, exactamente igual aos teus sonhos sem nevoeiro. aqueles, onde há crianças e sons cristalinos, tão limpos e cheios como casas ao domingo.


lá dentro, encontras uma mesa infinita, sorrisos ternos, olhares de espanto e espanta-espíritos coloridos. encontras livros, cravos, memórias sem mágoa, um mar imenso. eu sei que sabes.


e tem uma tampa, para que o aroma e os sabores não percam intensidade.


lá dentro, como podes ver de qualquer ângulo, tem, ainda tudo que te possa fazer feliz. música, um arco íris, palavras e almendrados. um gato? claro que tem um gato. vê bem. tem quadros, cartas e até um cais. o de sempre. porque se gostas de partir - e eu sei que gostas – tens no regresso a tua autenticidade. essa coisa de pertencer a um lugar. um dia, a um coração ou a qualquer vento que te chame.


se olhares com atenção vês, ainda, uma estrela, a infância, t-shirts puídas, uma bola azul, filmes por ver. uma manta e um sofá. coisas simples que te dão chão.


é por isso que é transparente. para veres tudo. intacto e sereno. como gostas.


lá dentro, só não encontras o bem que te quero, porque o bem que te quero não cabe em nenhuma parte do mundo, nem sequer no mundo inteiro.



ps. a fotografia tem amarelo. porque não te cansa. é acolhedor e intenso. como tu

imagem: Leila Pugnaloni

Questiono a eficiência


Questiono a eficiência, logo o valor, do raciocínio que é cultivado de qualquer forma particular que não seja a lógica abstracta. Questiono em especial o raciocínio originado pelo estudo matemático. A matemática é a ciência da forma e da quantidade; o raciocínio matemático é simplesmente a lógica aplicada à observação da forma e da quantidade. O grande erro reside na suposição de que mesmo as verdades do que é chamado de álgebra pura são verdades abstratas ou gerais. E esse erro é tão óbvio que fico espantado com sua aceitação universal. Os aximoas matemáticos não são axiomas de verdade geral. O que é uma verdade de relação é muitas vezes grosseiramente falso quanto à moral, por exemplo. Nessa última ciência, é muito comumente não-verdadeiro que a soma das partes deja igual ao todo.



Edgar Alan Poe in A Carta Roubada

imagem: google

segunda-feira, novembro 23

estão todos convidados

[clicar na imagem para aumentar]

amanhã, terça-feira, às 21.30, no Piolho
Café Âncora d´Douro - Um Século de Vivências
da autoria do jornalista Alfredo Mendes, apresentado pelo Professor Paulo Morais
a não perder. de forma nenhuma :)

Cinco Horas


Minha mesa no Café,

Quero-lhe tanto...A garrida

Toda de pedra brunida

Que linda e que fresca é!


Um sifão verde no meio

E, ao seu lado, a fosforeira

Diante do meu copo cheio

Uma bebida ligeira.


(Eu bani sempre os licores

Que acho pouco ornamentais:

Os xaropes têm cores

Mais vivas e mais brutais)


Sobre ela posso escrever

Os meus versos prateados,

Com estranheza dos criados

Que me olham sem perceber...


Sobre ela descanso os braços

Numa atitude alheada,

Buscando pelo ar os traços

Da minha vida passada.


Ou acendendo cigarros,

- Pois há um ano que fumo -

Imaginário presumo

Os meus enredos bizarros.


(E se acaso em minha frente

Uma linda mulher brilha,

O fumo da cigarrilha

Vai beijá-la, claramente...)


Um novo freguês que entra

É um novo actor no tablado,

Que o meu olhar fatigado

Nele outro enredo concentra.


E o carmim daquela boca

Que ao fundo descubro, triste,

Na minha ideia persiste

E nunca mais se desloca.


Cinge tais futilidades

A minha recordação,

E destes vislumbres são

As minhas maiores saudades...


(Que história de Oiro tão bela

Na minha vida abortou:

Eu fui herói de novela

Que autor nenhum empregou...)


Nos cafés espero a vida

Que nunca vem ter comigo:

- Não me faz nenhum castigo,

Que o tempo passa em corrida.


Passar tempo é o meu fito,

Ideal que só me resta:

P´ra mim não há melhor festa,

Nem mais nada acho bonito.


Cafés da minha preguiça,

Sois hoje - que galardão! -

Todo o meu campo de acção

E toda a minha cobiça.


Mário de Sá Carneiro


[poema dedicado ao meu absolutamente querido Alfredo Mendes que, amanhã, lança um livro sobre o Piolho, café que assinala este ano, um século]
imagem: Lesser Ury, Abend in Café Bauer, 1898

festivalar por aí


«O Festival Materiais Diversos é um grito no topo da serra mas adora o silêncio dos espectáculos /Festival Materiais Diversos is a cry at the top of the mountain but loves the silence of performances» programa.

domingo, novembro 22

fazes falta aos dois...





[devolução de SMS:
..."aparece, fazes falta aos dois. os dois sou eu e o resto do mundo"
PARABÉNS meu querido João Negreiros]
imagens:Tiago Taron

a noite pede música

divina...sempre.

O funcionário cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos



dispersou-me os amigos


tenho o coração confundido e a rua é estreita


estreita em cada passo


as casas engolem-nos

sumimo-nos


estou num quarto só num quarto só


com os sonhos trocados


com toda a vida às avessas a arder num quarto só


Sou um funcionário apagado


um funcionário triste


a minha alma não acompanha a minha mão


Débito e Crédito Débito e Crédito


a minha alma não dança com os números


tento escondê-la envergonhado


o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal


em frente


e debitou-me na minha conta de empregado


Sou um funcionário cansado de um dia exemplar


Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?


Porque não me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?


Soletro velhas palavras generosas


Flor rapariga amigo menino


irmão beijo namorada


mãe estrela música.


São as palavras cruzadas do meu sonho


palavras soterradas na prisão da minha vida


isso todas as noites do mundo uma noite só comprida


num quarto só


António Ramos Rosa, de O Grito Claro, 1958

Pedro Costa em Serralves


«O Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta uma programação em torno do cinema de Pedro Costa, um dos mais singulares realizadores da actualidade, cuja obra continua a ser celebrada por todo o mundo, como o testemunha a retrospectiva que recentemente foi dedicada ao seu trabalho na Tate Modern, em Londres, no passado mês de Outubro. Várias trabalhos de Pedro Costa terão agora a sua estreia na cidade do Porto. Aproveita-se a apresentação ao público de NE CHANGE RIEN, o mais recente filme de Pedro Costa, para propor uma reflexão sobre a sua obra. Volvidos vinte anos após a sua estreia, revisita-se O SANGUE, a primeira longa-metragem do autor, na qual, recordando as palavras de João Bénard da Costa, “um cineasta ousa filmar a preto e branco porque só o preto e branco pode dar a ver as coisas escuras e claras que tem para mostrar […]”. Numa exposição documental, serão apresentados cartazes e fotografias dos filmes do realizador. Destaca-se também a estreia no Porto do filme colectivo O Estado do Mundo, filme colectivo realizado por seis dos mais originais realizadores da actualidade, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian. O lançamento do livro “Cem Mil Cigarros - Os Filmes de Pedro Costa”, será um momento propício à reflexão e discussão que este cinema motiva nos seus espectadores, que aqui terão a ocasião de se encontrarem com Pedro Costa e com algumas das pessoas que mais têm acompanhado a sua obra .» mais, aqui.

Conservadores

Há dois tipos de conservadores no mundo: os que sempre foram, e vivem felizes na sua condição, tranquilos nos blazers espinhados, nos padrões Burberry e nas camisas de xadrez; e os que demoram anos a reconhecer o seu próprio conservadorismo e fazem-no sempre a contragosto, resistindo às evidências.
Pertenço, evidentemente, a estes últimos – razão pela qual persisto na ideia de conviver harmoniosamente com a modernidade, embora só me sinta feliz nos lugares e cenários que já conheço. Uma agenda Filofax. Um disco que já ouvi. Um autor que não me surpreende. Uma bebida que conheço há anos. O eterno Cozido à Portuguesa do Painel de Alcântara. O croquete do Gambrinus. Vergílio Ferreira. Sting. João Gilberto. O pastel de massa tenra do Frutalmeidas.
Gosto do que é novo – mas o confronto cansa-me Gosto de conhecer novas cidades – mas logo que posso volto a Londres e a Barcelona. Defendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo – mas se me falam em adopção, vacilo.
Propositadamente misturo o que não se mistura – para que se perceba que há, no conservador não assumido, algo que está aquém e além da ideologia ou sequer da cultura familiar. Como se tivesse uma marca genética que não se consegue vencer por decreto. [...] continua aqui.

Pedro Rolo Duarte in Revista Nós, nº29, jornal "i"

Parabéns e muitas mais histórias

JARDIM DE INVERNO do TEATRO SÃO LUIZ
hoje 22 Novembro, ÀS 15h, Entrada livre

«A História Devida faz 4 anos e regressa ao Jardim de Inverno do São Luiz para mais um encontro com todos os que têm ajudado a construir este Projecto Nacional de Histórias.
Dinarte Branco, Inês Fonseca Santos, Miguel Guilherme e Nuno Artur Silva juntam-se aos actores Diogo Dória e Rui Morisson para contar as histórias que, nestes 4 anos, fizeram a história d'A História Devida.
Pela voz dos vários actores chegam-nos histórias de amor, ciúme, amizade e morte; da infância e da velhice; da guerra e de outras experiências coloniais; de animais domésticos e selvagens; episódios cómicos, tristes e brutais; gaffes hilariantes e mágoas profundas; pequenos e grandes dramas; coincidências bizarras e inesperadas; sonhos, pesadelos, pressentimentos, intuições e premonições; e também histórias com temas e formatos que comprovam o lema d' A História Devida: toda a gente tem uma história para contar.»
[queria muito estar aí, hoje. e fiz por isso, mas não consegui.PARABÉNS A TODA A EQUIPA. E A TODOS OS CONTADORES DE HISTÓRIAS.]

sexta-feira, novembro 20

grandes poemas para viagens pequenas

retirado do blog do autor. aqui.

saudades de Macau


...e este, entre muitos, é especial. de 2002. dez anos antes, eu estava em Macau. sim, saudades, muitas. muitas. íssimas.
sobre o livro, aqui.

30 anos é obra...

a má notícia é que amanhã, Sábado, às 17 horas não vou poder estar presente na Comunidade de Leitores, na Almedina do Arrábida Shopping. Alice Vieira é a escritora convidada.
30 anos é obra...literária... pois é, tenho mesmo muita, muita pena de não poder lá ir...
"se perguntarem por mim digam que voei"...

imagem: publicada no jornal “i"

2ª edição para Aqui na Terra

«Já é oficial: o “Aqui na Terra” vai para segunda edição. A boa notícia junta-se a outra: em cinco meses, fizemos já dez apresentações do livro, “à deriva, com o rumo certo”. E feitas as contas, juntamos mais de 400 pessoas em diversas sessões e tertúlias, muitas vezes a horas ditas impraticáveis. Verificamos que, afinal, há por esse País fora, quem queira ser cúmplice de palavras e ideias…aqui na terra. Entretanto, as apresentações no Alentejo transitam para Janeiro. Até porque, até meados de Dezembro, serão agendadas sessões em Espinho, São João da Madeira, Vieira do Minho e, possivelmente, Lisboa. A 15 de Dezembro sai nova fornada. E enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar…»

[...lê-se no blog do autor. em alguma das sessões agendadas voltarei a estar. antes do Natal... é que não há melhor presente do que um livro e um livro autografado, então, é a cereja...depois da capa...]

quinta-feira, novembro 19

CRESCER SER

«A Crescer Ser - Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, tem em pleno funcionamento seis Centros de Acolhimento- Casa da Encosta, Casa do Infantado, Casa do Parque, Casa da Ameixoeira, Casa do Vale e Casa de Cedofeita . Destinam-se a crianças e jovens privados do meio familiar, vítimas de violência ou provenientes de famílias cuja situação exija apoio transitório que permita a estabilização de vida e o futuro encaminhamento adequado de crianças. » Para mais informações poderá visitar o site AQUI

SE ainda não tem os postais de Natal que vai enviar a familiares e amigos peça-os, por favor, através do e-mail: casadovale@crescerser.org. é apenas uma das muitas formas de ajudar esta instituição que tem desenvolvido um trabalho notável. obrigada.

segunda-feira, novembro 16

com 100 gramas na carteira

sem tempo para almoçar, os meus dias tem sido terríveis. de modo que ando sempre com 100 gramas na carteira. de dark noir orange intense. este mesmo. o meu preferido. água, chocolate e iogurtes líquidos para beber dentro do carro, em trânsito. a maratona começou a semana passada e vai até ao Natal. - 09.00/12.00h - 13.00/16.00h/..................... 45 km...................... 18.30/22.30........................ + 45 km.............................home sweet home........................despertador....................................e vira o disco e toca o mesmo.
intensos, estes dias. mas doces q.b. como o meu chocolate preferido. depois, tudo mudará :) e eu vou voltar a almoçar normalmente. sentada à mesa e com tempo. ou não fosse eu adepta da slow food.
imagem: digitalização da embalagem do meu chocolate

Parabéns Senhor Dom Grifo Planante


...a correr a correr, antes que chegue a meia noite e o 16 passe para o 17...
...PARABÉNS querido JOÃO Menéres...
[...na vida real, porque aqui, neste planeta, já passou... :)]
...muitos parabéns SENHOR Dom Grifo Planante...
...sabia que o Mar tem a honra de assinalar o seu dia [nacional], no dia do seu aniversário? pois é! duas forças da natureza !
...por isso, deixo-lhe um poema que tem a ver com os dois :) MUITAS FELICIDADES
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

domingo, novembro 15

Mad Girl's Love Song


I shut my eyes and all the world drops dead;

I lift my lids and all is born again.

(I think I made you up inside my head.)


The stars go waltzing out in blue and red,

And arbitrary blackness gallops in:

I shut my eyes and all the world drops dead.


I dreamed that you bewitched me into bed

And sung me moon-struck, kissed me quite insane.

(I think I made you up inside my head.)


God topples from the sky, hell's fires fade:

Exit seraphim and Satan's men:

I shut my eyes and all the world drops dead.


I dreamed that you bewitched me into bed

And sung me moon-struck, kissed me quite insane.

(I think I made you up inside my head.)


God topples from the sky, hell's fires fade:

Exit seraphim and Satan's men:

I shut my eyes and all the world drops dead.


I fancied you'd return the way you said,

But I grow old and I forget your name.

(I think I made you up inside my head.)


I should have loved a thunderbird instead;

At least when spring comes they roar back again.

I shut my eyes and all the world drops dead.

(I think I made you up inside my head.)


Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro

Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer

(Acho que te criei no interior da minha mente)


Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,

Entra a galope a arbitrária escuridão:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.


Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,

Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.

(Acho que te criei no interior de minha mente)


Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:

Retiram-se os serafins e os homens de Satã:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.


Imaginei que voltarias como prometeste

Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.

(Acho que te criei no interior de minha mente)


Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão

Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:

(Acho que te criei no interior de minha mente.)


Sylvia Plath

translated by Maria Luíza Nogueira in A REDOMA DE CRISTAL, pag. 225, Ed. Artenova, Brazil, 1971
imagem: Leila Pugnaloni

Take the A train

Guimarães Jazz

está aí. cada vez melhor. na sexta-feira à noite o absolutamente fabuloso Hank Jones. quem me dera chegar aos 91 anos, assim...e com aquele sentido de humor. e a cumplicidade do trio? total. e o baterista? fantástico. bela noite. tal como a de sábado. Branford Marsalis.
sob o lema "traz um amigo também" lá fomos. na belíssima companhia da Cristina, da Elsa, do Carlos e do Zé.
Guimarães Jazz até ao próximo dia 21. um valente pretexto para ir até "à cidade berço". por que mais valente do que este só mesmo os meus amigos Dalila e Ricardo :) sempre.

quinta-feira, novembro 12

"o ano do pensamento mágico"


cá por mim esta grande SENHORA dos palcos portugueses recebia uma catrefada deles. de globos de ouro. um ou mais por dia. cá por mim, todos os dias são dias para a homenagear, para a distinguir, para lhe dizer obrigada. cá por mim, eu não morria sem lhe dar um abraço. forte, forte. muito sentido. porque falar-lhe acho que não era capaz. dava-me uma daquelas afasias totais que se fazia silêncio no mundo à custa do sentimento indizível que me fica na alma quando a vejo no palco.


vem aí um monólogo de uma hora e dez minutos. «O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO», de Joan Didion, no Teatro Dona Maria II, em Lisboa. a não perder, claro está.

para já, fiquem com a entrevista da página 10, do Página 1, aqui. é uma DEUSA que nos fala. e diz-se assustada. muito... LINDA é o que é. e absolutamente extraordinária.

quarta-feira, novembro 11

não fui eu que escrevi... ;)


Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.

Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim.

Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas. Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vai levar à escravatura vil.

Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.

Miguel Esteves Cardoso

imagem: (google)

acabei de o encontrar !!!






ainda não estou em mim. acho que não vou dormir. vou ficar aqui a olhar para ele. acabei de o encontrar. ao meu livro da 1ª classe. dizia eu, há pouco, que encontrei um novo planeta. na Amadora BD. fui à procura do site. encontrei o blog e fui espreitar. e encontrei o MEU LIVRO...tantos anos depois. o que eu não dava para o voltar a desfolhar. para o ter aqui no meu colo. estou mesmo muito emocionada. e grata. grata a este planeta, com o qual me cruzei, tenho a certeza, para sempre. porque nunca mais me vou esquecer deste momento. e, agora, a missão é encontrar um exemplar...pelo menos, tentar.

terça-feira, novembro 10

lista de pensamentos II

  • gosto de Lisboa. da luz de Lisboa. gosto de a visitar amiúde, como quem visita um parente afastado mas muito querido, que tem sempre coisas novas para nos contar. e vir embora já a pensar no regresso. e regressar já com a próxima viagem na agenda.

  • não contem a ninguém. ainda não tinha ido ao Oceanário. e fiquei encantada. um pedaço de todos os oceanos, ali à mão e aos olhos. descer às profundezas sem fato de mergulho. um privilégio. o peixe Lua, enorme, feio, feio, a fazer caretas pequeninas, muito devagar. as estrelas do mar quietas e os cardumes como se fossem bandos. um mundo silencioso e azul. com poemas da Sophia à volta. perfeito.

  • tenho um amigo que sonha dormir no Oceanário com os tubarões. mas não pode, porque não tem filhos, nem sobrinhos e acha injusto pedir uma criança "emprestada" a um amigo...para poder lá ir dormir num saco cama. se olhassem para ele, quando ele olha para os tubarões, os senhores do Oceanário percebiam, de imediato, que ele é apenas uma criança que cresceu depressa de mais.

  • os 3 corações da Joana Vasconcelos, juntos, numa sala do CCB, no âmbito da exposição "Amália Coração Independente" são um feito. não sei qual deles pulsa mais forte. lindos. fotografias, vestidos, jóias, cartas, discos... a vida de Amália numa exposição a não perder. quando regressar, verei o núcleo que está no Museu da Electricidade. era segunda-feira e estava fechado. [sempre que vou ao CCB custa-me a acreditar que houve vozes contra e, se bem me lembro, diziam que o edifício chocava com os Jerónimos. pois, cá por mim, as duas arquitecturas co-habitam lindamente a paisagem. sempre achei isso].

  • por muito extraordinárias e práticas que sejam as agendas electrónicas, eu não passo sem uma de papel. já tenho a que vai contar os meus dias em 2010. linda de morrer e muito independente, muito coração. uma edição da Oficina do Livro.

  • não perdi o encerramento do Festival de Banda Desenhada. Amadora BD. Magnífico. Vinte anos extraordinários, um património de afectos numa exposição comissariada por Cristina Gouveia. e muitas outras exposições e iniciativas a que voltarei, aqui. até a uma fotografia com o "meu" Asterix tive direito :) Estão de parabéns. O Nelson Donas e toda a equipa.

  • no dia em que se assinalou a queda do Muro de Berlim, lá fui eu até Cascais. à Casa da Histórias. sem GPS, como sempre. e desta vez, o gosto de abrir a janela e perguntar - para a Casa das Histórias, por favor - foi ainda maior. pareceu-me viver num país encantado e ter à minha espera uma fada ou outro ser, assim, mágico. e tinha. a imagética de Paula Rego. em quadros e gravuras. o que eu gostei das gravuras. e de um quadro que se chama "Circo Ambulante".

  • estou com saudades dos meus sobrinhos. muitas.

  • descobri, no Amadora BD um planeta novo. [para mim] chama-se Planeta Tangerina. comprei 7 livros. e já os li. e vou ler outra e outra vez. estou absolutamente fascinada. e os meus sobrinhos vão ficar :)

  • estou em mudanças. por isso não tenho tido o tempo que gostava para a blogosfera. é que não mudei apenas de emprego; estou também a mudar de vida. opções. estou feliz mas enquanto não passo a pasta, é complicado. muitas coisas. ano novo, vida nova. mas isto tem de estabilizar depressa. antes do fim do ano. está uma aposta, elevada, em jogo :) a minha amiga Xana que o diga :)

  • agora, o mais importante: a Alexandra, filha dos meus queridos amigos Dalila e Ricardo está a recuperar muito bem. lá mais para a frente darei notícias sobre este "novo mundo" que nos tem apertado o coração mas que também nos tem feito sorrir e descobrir muitas coisas extraordinárias. a admiração que sinto pelos meus amigos estende-se a todos os pais que têm bebés prematuros. e a todos os médicos e funcionários que trabalham na Neonatologia.

imagem: do meu telemóvel

40 anos, já?


não acredito! eles fazem 40 anos!!! parece que ainda ontem eu estava sentada - pernas de chinês - em frente à televisão como se eles me viessem ensinar o que mais ninguém ensinava por eles. da forma como eles ensinavam. com cor, muita cor; humor, diversão. as letras, os números, as situações da vida onde me revia com facilidade. para onde me projectava num instante.
[uma vez o Egas - ou seria o Becas? - um deles foi, seguramente. deitou-se, descontraído, na cama do amigo a comer bolachas. admirado, pergunta-lhe porque está ele a comer bolachas na cama dele? ao que ele responde, calmamente, não poder comer bolachas na própria cama porque é impossível não fazer migalhas e isso é muito incomodativo...e depois não conseguiria adormecer...:)]
sim, a Rua Sésamo é uma das ruas da minha infância, pois claro que é! O que eu gostava do Becas, do Egas, do Ferrão...o que eu gostava de todos...nessa Rua da minha infância, a Sésamo.

sexta-feira, novembro 6

precisa-se

...vitamina C!
c de coragem
c de coração
c de caminho
c de conhecimento
c de colorido
c de com... [tempo, demora,]
c de camélia
c de calma
c de criatividade
c de convicção
........................................ c de acreditar.
...............................................................................obrigada a todos aqueles que perguntaram...............
saudades de vos visitar..........................beijos e abraços......... a correr..........OBRIGADA queridos visitantes e desculpem-me a ausência.......................................................................................................

2 convites, 1 pintora = Catarina Machado



2 convites; 1 pintora. a minha absolutamente querida amiga CATARINA MACHADO inaugura 2 exposições individuais nas Galerias Alvarez : LITTLE WING - inauguração dia 6 de Novembro (hoje) às 22 horas na Galeria Alvarez da Av. da Boavista, nº707 e TRANSLATION MOVEMENT - inauguração dia 7 de Novembro (amanhã) às 16 h na Galeria Alvarez, Rua Miguel Bombarda nº 572. A não perder. Obviamente :)

domingo, novembro 1

uma ode por entre as estações


O que corresponde ao reconhecimento do mundo, ou

àquilo que, para uns, é uma explicação da vida,

está contido nessa dimensão da natureza que nos é

inacessível: o instante em que a eclosão da flor

dá um sentido ao tronco que parecia seco. Esta mudança

nas coisas, trazendo aos olhos as cores que o fim

do temporal distribui pelo arco-íris, passa para

dentro de cada um, limpando o espírito de nuvens

- embora eu saiba que o vento, anunciado pelo

horizonte de linhas duras e nítidas, as voltará a

trazer. Porém, dizes-me, não são as nuvens negras

do inverno; e muito menos essa mortalha de cinza

com que o outono encobre os céus. Há convicções

que nos pertencem, respondo, como se a vida frugal

de quem segue a expectativa da noite não deixasse

entrever a luz que a madrugada concede aos que

cedem à insónia...Podíamos continuar esta conversa,

esperando que o rumo das palavras nos desvie para

o que verdadeiramente importa: nós ambos, neste

patamar de casa, sem saber para onde nos levam

as escadas. Lá em cima, porém, outras

portas parecem abrir-se; e para lá delas, outros

patamares,e outras perguntas. E em que obscuro

quarto, pergunto, está para surgir a flor que os teus

olhos anunciam? Ou antes: em que fim de corredor

a poderei colher, agora que a viagem vai a meio,

ou se aproxima do fim, segundo indicam

as linhas da mão? No fundo, é esta a primavera

que as frases constroem, quando percebemos que

é delas que nasceu o que as mãos procuram,

neste canto para além das linhas e dos mapas.


Nuno Júdice in O Estado dos Campos, p. 24 e 25, Dom Quixote, 2003
imagem: pintura de Vieira da Silva

o primeiro dia

ontem no Coliseu do Porto, a noite foi a TRÊS CANTOS. José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto. gostei muito. tive pena de não ouvir "por este rio acima". mas ouvi esta que, no momento, soa-me especialmente bem... ;)

borboleta town




[uma data para assinalar. uma data, uma atitude, um sonho. menos é mais. ah pois é...]


borboleta town: nome de uma exposição de Raquel Gralheiro